Variedades

Pedro e o Lobo: uma aula de música para crianças

A peça russa do século XX é interpretada pela Filarmônica e pelo grupo Giramundo


Créditos da imagem: Divulgação
Peça musical russa ensina para as crianças os instrumentos de uma orquestra

Redação - SouBH

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21/01/15 às 19:54 - Atualizado em 06/02/26 às 16:51
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Por Camila de Ávila, jornalista Sou BH

Como ensinar para uma criança o que é
a música e o que são seus diferentes timbres? Por meio de uma história. Essa
foi a ideia do ucraniano Sergei Prokoviev, que criou, em 1936, a história Pedro e o Lobo, no qual cada instrumento da orquestra (ou naipe) é um personagem. Em
BH, o grupo Giramundo apresenta, junto à Orquestra Filarmônica de Minas Gerais,
nos dias 10, 11 e 12 de outubro, no Sesc Palladium (Avenida Augusto de Lima, 420 – Centro) a peça russa com a beleza de seus bonecos.

Pedro e o Lobo é a história de um
menino que desobedece ao conselho do avô e acaba deixando aberta a porta da
fazenda , onde vive com o patriarca, sendo assim, o pato e o gato saem da
localidade ficando em perigo, pois a qualquer minuto pode aparecer o lobo. E é
exatamente isso que acontece.

Sergei Prokoviev compôs a história
para ser executada pela orquestra completa com base na técnica introduzida pelo
compositor alemão Richard Wagner, em que cada personagem tem um tema associado,
essa técnica ficou conhecida como Leitmotiv. Sendo assim, Prokoviev, colocou em
cada personagem da história um instrumento ou naipe representativo. O Lobo são
as trompas, o avô é o fagote, o pato é o oboé, o gato é representado pela clarinete,
o passarinho é a flauta transversal, Pedro é o quarteto de cordas, os caçadores
receberam o tema introduzido pelas madeiras e os disparos dos tiros são
representados pelos tímpanos, tímbales e pelo bombo.

Antes mesmo de Prokoviev fazer a
associação de certos instrumentos com determinados personagens, o também russo
Tchaikovsky, já havia feito a conexão do pássaro com a flauta, já que no balé A
Bela Adormecida, de 1888, o compositor usou solo de flauta transversal para a
coreografia do Pássaro Azul, as cordas para a dança do Gato de Botas onde se
percebe a presença de oboés, corne-inglês, clarinetes, clarinete baixo,
fagotes, contrafagotes. Essa associação acontece também na música brasileira na
qual o gato aparece na obra de Vinícius de Morais para os pequenos, A Arca de
Noé, com um forte som de sax. Chico Buarque também usou o recurso de
instrumentos de sopro para designar o gato na peça Os Saltimbancos.

A
obra

Pero e o Lobo já foi gravado com
várias narrações acompanhadas das orquestras. David Bowie e Sean Connery foram
uns dos artistas que emprestaram sua interpretação para a história de
Prokoviev. O primeiro estava acompanhado da Orquestra da Filadélfia e o segundo
narrou a história conduzida pela Real Orquestra Britânica. No Brasil, a cantora
Rita Lee contou a história de Pedro e o Lobo tocada pela Orquestra Nova
Sinfonieta, regida pelo maestro Roberto Tibiriça.

Na peça que será apresentada no Sesc
Palladium a narração fica a cargo dos belíssimos bonecos Giramundo.