Crianças se fantasiam de seus personagens favoritos para assistir a espetáculos
Nos últimos dois meses, Belo Horizonte recebeu as
ilustres visitas de Cinderela, Peppa Pig, Galinha Pintadinha e Shrek. E, em
agosto, o camundongo Mickey e sua turma virão a BH para um espetáculo especial
no Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 – Centro). Em comum, os espetáculos
têm a cena de crianças fantasiadas de seus personagens favoritos.
Segundo a psicóloga e ludoterapeuta Maria Cristina
Rocha, o chamado faz-de-conta é essencial na vida da criança. “O brincar é o
que a criança faz de mais sério, tem a mesma importância do trabalho na vida do
adulto. Através do lúdico, ela consegue expressar suas emoções; usa a fantasia
para entender a realidade, lidar com as dificuldades”, conta.
Mestre em Educação, Maria Cristina ressalta que a
maneira de pensar da criança é diferente. “Os pais devem atentar para o
comportamento dos filhos, o faz-de-conta traça uma linha tênue entre o ideal e o
real. Apesar da brincadeira, do desejo de ser uma princesa, a menina não pode
fugir da realidade. Crescer, por exemplo, idealizando um príncipe perfeito. Nem
os meninos, acreditando que são invencíveis”.
A administradora Luciana Volkruger, de 43 anos,
adota esta postura com a filha Alice, de 7. “Vejo as brincadeiras, as fantasias
e a literatura infantil de forma saudável. A Alice separa bem, sabe distinguir
a realidade. Apesar de gostar muito, entende que há lugares e situações onde
não é possível se vestir de Ariel ou Minnie, suas personagens prediletas”. E
lembra um fato curioso: “Quando ela era mais nova, as pessoas diziam ‘você é a
Alice do País das Maravilhas’ e ela logo se defendia, ‘não sou Alice, sou só
Alice’”.
Na casa da publicitária Patrícia Barbabela, 32, o
equilíbrio também está presente. Mãe de dois meninos: Luiz Henrique, de 6 anos
e Pedro Hanriout, de 4, ela considera importante chamar atenção para os valores
de cada um. “Eles adoram os super-heróis e os ideais que eles defendem,
especialmente de força e coragem. E eu realço sempre que o Luiz e o Pedro
também são fortes e corajosos, são importantes por eles mesmos”. Tudo isso,
“sem ser um general”, explica Patrícia, que acredita não haver regras para
lidar com a questão do limite. “Ele deve acontecer de forma natural, assim como
a construção da identidade de cada um. A admiração, especialmente pelos
personagens exageradamente divulgados nos meios de comunicação, é normal. Não
posso afastá-los do resto do mundo, eles precisam se identificar, socializar
com outras crianças, que curtem as mesmas coisas”.
Disney
Live
Para os admiradores do fantástico mundo Disney, o
Palácio das Artes recebe mais uma vez Mickey e sua turma. O espetáculo “Show de
Talentos do Mickey” – em cartaz dias 28, 29 e 30 de agosto – traz personagens
como Tigrão, Cinderela, Buzz Lightyear, Woody e muito mais, em uma aventura à
caça de talentos.
Baseado no conceito de um desenho animado vivo, a
peça recria no palco “coisas que acontecem apenas em desenhos animados”,
explicou o escritor Bradley Zweig. “Em um desenho animado nada é impossível. As
coisas mais bobas, loucas e divertidas acontecem sem motivo ou razão e em ‘Disney
Live! Show de Talentos do Mickey’ ocorre o mesmo”, acrescenta.
O show de talentos tendo Mickey como diretor,
Minnie de figurinista, Pateta como o confuso ajudante de cenário e Pato Donald
responsável pelo “Ka-Pow!” está em turnê pelo Brasil e passará por nove cidades
até outubro deste ano. Depois da capital mineira, segue para Natal, Rio de
Janeiro, Curitiba e, por fim, Porto Alegre.