Entenda como a infecção causada pela bactéria Yersinia pestis afeta o corpo humano e veja quais formas de prevenção e tratamento existem hoje
A bactéria Yersinia pestis, causadora da peste bubônica, ainda mobiliza esforços de tratamento e prevenção global
A peste bubônica, doença que marcou a história da humanidade, voltou a gerar dúvidas após a morte de uma pesquisadora na Rússia, no início de outubro de 2026, em circunstâncias que envolvem um possível acidente laboratorial, embora as autoridades locais ainda investiguem as causas. A infecção, causada pela bactéria Yersinia pestis, ainda existe em algumas partes do mundo, mas hoje possui tratamento eficaz com antibióticos, especialmente quando o diagnóstico é rápido.
Embora seja frequentemente associada a surtos medievais, a doença não foi erradicada e pequenos focos persistem, principalmente em áreas rurais da Ásia, África e Américas. O monitoramento por órgãos de saúde, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é constante para evitar a propagação em larga escala.
A forma mais conhecida de transmissão ocorre pela picada de pulgas infectadas, que vivem principalmente em roedores como ratos, esquilos e marmotas. Ao picar um ser humano, a pulga transmite a bactéria, que se espalha pelo sistema linfático do corpo.
Existem outras duas formas mais raras da doença. A peste septicêmica acontece quando a bactéria entra diretamente na corrente sanguínea. Já a pneumônica, a mais grave e contagiosa, pode ser transmitida de pessoa para pessoa por meio de gotículas respiratórias expelidas pela tosse.
Os sinais da peste bubônica geralmente aparecem de um a sete dias após a exposição à bactéria. A identificação rápida dos sintomas é crucial para o sucesso do tratamento. Os mais comuns incluem:
febre alta e súbita;
calafrios e dor de cabeça intensa;
fraqueza extrema e dores musculares;
o surgimento de “bubões”, que são gânglios linfáticos doloridos e inchados, geralmente na virilha, axila ou pescoço.
Na forma pneumônica, o paciente pode apresentar tosse com sangue, dor no peito e dificuldade para respirar. A septicêmica causa febre, calafrios, sangramentos na pele e em outros órgãos.
Apesar da gravidade histórica, a peste bubônica é tratável. O tratamento é feito com antibióticos como estreptomicina, gentamicina ou doxiciclina, e a recuperação costuma ser rápida se a medicação for iniciada logo nos primeiros dias após o aparecimento dos sintomas. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves e a morte.
A prevenção se baseia em medidas de controle de roedores e cuidados em áreas onde a bactéria circula. Evitar o contato com animais selvagens, especialmente roedores doentes ou mortos, é a principal recomendação. O uso de repelentes contra pulgas em áreas endêmicas e a manutenção de ambientes limpos também ajudam a reduzir o risco de contaminação.
Apesar de eventos como o da Rússia serem raros, pequenos surtos de peste bubônica ainda ocorrem ocasionalmente em diversas partes do mundo, especialmente em regiões endêmicas onde a bactéria circula entre roedores selvagens. Países como Madagascar, República Democrática do Congo e Peru já registraram casos nas últimas décadas, reforçando a importância da vigilância contínua.