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Caos! Hospital João XXIII enfrenta déficit de médicos, problemas financeiros e administrativos

Diretor revelou rombo financeiro em decorrência de atraso no repasse mensal da prefeitura


Créditos da imagem: Reprodução/Facebook João Leite

Redação - SouBH

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05/10/17 às 15:32 - Atualizado em 06/02/26 às 16:39
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Pacientes tomando banho com água
fria, leitos de UTI fechados, déficit no quadro de médicos, falta de
suprimentos básicos como fraldas geriátricas e equipamentos desligados. Esse é
o cenário atual do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, referência
internacional em traumas e atendimentos de emergência. Além de problemas
estruturais, o hospital sofre com falta de recursos e atraso de repasse, um
deles da Prefeitura de Belo Horizonte, que não é feito há três anos.

A situação é tão grave que, durante a visita
realizada por deputados estaduais nessa quarta-feira (4), liderados pelo
presidente da Comissão de Saúde, Carlos Pimenta (PDT), o diretor do hospital Sílvio
Grandinetti expôs os problemas enfrentados. Entre vários deles estão os mais
alarmantes: o atraso de três anos no repasse mensal de R$ 180 mil pela
prefeitura, um valor que ultrapassa os R$ 6 milhões; e um déficit de 65 médicos
na escala, resultado de dificuldades administrativas.
 

“Fazemos cerca de 340 atendimentos por dia e
estamos com os quadros defasados. Mais que isso, estamos perdendo
profissionais, que pedem exoneração por falta de condições de trabalho”,
lamentou o diretor.

Em vídeo publicado pelo deputado Antônio Jorge (PPS), após a visita ao hospital, o parlamentar relata leitos
de UTI e salas de reanimação fechadas e pacientes vestindo trapos de roupas no
lugar de fraldas geriátricas, pois o pagamento do fornecedor está atrasado. O
mesmo ocorre com os fornecedores de óleo que aquecem as caldeiras, o que
resulta em banhos frios para os pacientes. 

O diretor assistencial do HPS, Marcelo Lopes
Ribeiro, revelou que a última grande obra estrutural foi feita em 2008. “A
burocracia também é um complicador. Para comprar materiais de trabalhos
básicos, dependemos de licitação, que é sempre um processo demorado e
incompatível com as necessidades e a emergência de um hospital”, pontuou. 

Contas que não fecham 

Além disso, segundo o diretor, o
hospital precisa de uma obra estrutural que custaria R$ 100 milhões, mas não há
previsão da chegada do recurso. O faturamento da instituição não alcança a casa
dos R$ 3 milhões e o valor de manutenção mensal é de R$ 5 milhões. 

A visita ao HPS foi solicitada pelos deputados Carlos Pimenta,
presidente da comissão de saúde na Assembleia Legislativa de Minas, e João
Leite (PSDB) depois de receberem denúncias de falta de materiais no hospital.
Outros parlamentares, como Antônio Jorge e Geraldo Pimenta (PC do B), também
participaram da ida à instituição.

Em nota ao SouBH, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informa que “o
encontro de contas entre dívidas em relação a débitos da SMSA e Secretaria de
Estado de Saúde (SES)/Fhemig está sendo feito, mas que o trabalho ainda não foi
concluído pois há discordância entre valores, conforme análise apresentada por
cada esfera”.  

Questionada sobre os problemas citados, a Fhemig não havia respondido até a publicação desta reportagem.