Paulo Borges, Terezinha Santos e Mariana Weickert conduziram um bate- papo fashion com imprensa e blogueiros
A
criatividade invadirá o Shopping Boulevard (Av. dos Andradas, 3.000 – Santa Efigênia) até o dia 19 de outubro. O mall
recebe a exposição Neospirit com fotos de editoriais, ensaios de moda, jeans e
muita criatividade. Para a abertura da nova mostra, o diretor criativo do São
Paulo Fashion Week, Paulo Borges, a modelo e apresentadora Mariana Weickert e a
estilista mineira Terezinha Santos, participaram de um talk show. O evento fez
parte da FFWMAG Fashion Tour.
Segundo
Paulo Borges, curador da exposição Neospirit, a moda está passando por um
processo de transição. “Por causa da internet, a moda teve que repensar suas
estruturas. Há uns 20 anos, quando se lançava uma coleção, o processo demorava
muito. Por causa da globalização de um modo geral e da globalização econômica”,
afirma.
Outra
questão abordada por Paulo é a efemeridade das coisas. “Os processos da moda
atual são diferentes por causa da internet. Por exemplo, temos o Fast Fashion que plugou milhares de
pessoas, mas ao mesmo tempo ela crucifica a moda, pela rapidez que exige. Isso
acaba interferindo no processo criativo”, conta.
A
estilista mineira Terezinha Campos se preocupa com a angústia que os jovens
modistas vêm passando devido à rapidez das coisas do mundo e da moda. “O processo
criativo é muito diferente hoje. Há um sentimento de angústia que me acompanha.
Percebo nos novos estilistas uma agonia durante o processo criativo”, diz. A
estilista aconselha novos talentos da moda. “Hoje a única fórmula é se
distanciar da internet no momento da criação e buscar o autoconhecimento. Tem
que partir de uma realidade de cada um”, explica.
A
modelo Mariana Weickert ressalta que a mudança na moda é algo normal. “As
mudanças são constantes e não há como não se apegar às mudanças. A moda vira a
verdade de cada um e é por isso que atualmente é tão distinta, graças a Deus
somos todos mutáveis e a moda vai conosco”, diz. Seguindo essa premissa de que
a moda está sempre em transição, Mariana explica que não há tanto o compromisso
com o fashion, que seria a moda show. “Agora as coisas são reais. O fashion
hoje é ter a sua identidade, é ser você. Atualmente o que está na passarela
está na rua, antes era aspiracional, algo muito longe e intangível. Hoje tudo
tá na moda, é mais permissível, mais gostoso”,
A
moda, afirma a modelo, é uma forma de expressão. “A moda é uma forma de
expressão, temos a necessidade de extravasar, é involuntário. Isso é a moda,
são vontades de colocar coisas reprimidas para fora”, afirma. Questionada sobre
o jeito característico que pessoas que estudam e gostam de moda se vestem a
modelo afirmou que é engraçado. “Sobre o jeito que nos mostramos eu não sei te
dizer, só sei que nos reconhecemos. É quase uma loucurinha, um terceiro olho. É
um jeito que de tão diferente ficou igual”, explicou em meio a risos.
Mariana
também falou sobre a moda feita em Minas. “E preciosa demais. Muito mais
apurada, bem acabada, é diferente do fast
fashion. É o slow fashion, por ser tratada com muito cuidado”, explica.
Paulo Borges afirma que há uma vocação na moda mineira. “Hoje há uma única moda
em qualquer lugar. Isso não a desqualifica. Mas aqui em Minas, existe o estilo
artesanal que é a principal característica do mundo fashion mineiro”, conta.
Segundo
Terezinha, estamos vivendo no Brasil um momento em que a moda está confusa. “A
moda no Brasil precisa amadurecer. A avalanche de consumo dificulta o
amadurecimento da moda. Temos que criar um consumidor de moda, que é diferente
do consumidor que compra roupas”, conta a estilista. As primeiras filas dos
desfiles eram reservadas somente para compradores e para a imprensa. Hoje isso
mudou. “Hoje os desfiles vendem marcas e não roupas”, conta.
Novo Projeto
Paulo
Borges encabeça o projeto Amo Moda Amo Brasil que consiste na valorização da
produção nacional. “O projeto pretende valorizar algumas questões, por exemplo:
somos o maior produtor de jeans do mundo. Quando falo em algodão as pessoas
pensam em cotonete, mas o Brasil é um dos maiores produtores de algodão do
mundo”, afirma Paulo.
Amo
Moda Amo Brasil deseja colocar à mostra todos os profissionais que participam
da cadeia produtiva do setor da moda. “Temos que valorizar o que é nosso. O que
é feito de forma artesanal, o hand made, a
arte”, explica.