Cultura

Crowdfunding é tendência em BH

Campanhas para angariar fundos apontam que público está cada vez mais engajado em ajudar artistas


Créditos da imagem: Divulgação
Músico Thales Silva

Redação - SouBH

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07/08/14 às 23:12 - Atualizado em 06/02/26 às 17:10
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Artistas
e bandas independentes da cena cultural mineira iniciaram o ano com mais motivos
para comemorar. Isso porque cresceram os trabalhos financiados pelo sistema de
crowdfunding, processo em que o público apoiador, fãs e amigos dos artistas,
atuam com auxílio financeiro para a concretização das obras. De certa forma,
chegou o tempo em que o público pode interagir com os trabalhos dos artistas em
uma via de mão dupla – ajudando, financiando e recebendo mimos em troca.

Os
números demostram que o público está cada vez mais inclinado a se engajar. Desde
o ano passado e por intermédio da Variável 5, plataforma que realiza financiamentos
coletivos na capital mineira, foram financiados cerca de oito projetos, sendo
cinco de shows (Constantina, A Fase Rosa, Jair Naves, Apanhador Só e Bárbara
Eugênia) e três envolvendo literatura, fotografia e música (o livro Para-me
[Gritocão], a exposição Elas, Madalenas). O mais recente projeto aprovado foi o
show de lançamento do álbum Minimalista, trabalho solo do músico mineiro Thales
Silva.

Ele
diz que viu no financiamento coletivo uma oportunidade para expandir seu
trabalho, com muito mais força do que teria, caso utilizasse apenas seus
próprios recursos. “Eu sabia que havia pessoas interessadas no meu trabalho. Era
apenas uma questão de pensar como reunir esses interessados num lugar e mostrar
pra eles que com a mobilização eu conseguiria lançar algo muito bonito e bem
feito”, comenta. Silva concorda que o método é eficiente para artistas
independentes, mas acrescenta que exige muito planejamento, principalmente de
marketing e divulgação.

O
financiamento coletivo também foi muito importante na trajetória do músico João
Batera. Ele, que anima vários shows e rodas de samba da capital mineira, enxerga
nas formas colaborativas uma maneira de se trabalhar no cenário musical atual. Esse
ano, Batera encerrou uma campanha de financiamento com sucesso e a iniciativa não
foi sustentada apenas por amigos ou conhecidos. “Oferecemos várias recompensas
e mesmo assim conseguimos contribuições anônimas no projeto. As recompensas
foram desde CD autografados até o show completo da banda”, explica Leonardo
Apparício, produtor do músico.

Quando
um artista escolhe por financiar seu trabalho, ele deve fazer todos os cálculos
de despesas e elaborar um projeto de acordo com o formulário da plataforma de crowdfunding.
Na Variável 5, por exemplo, do valor arrecadado,  11% ficam retidos — 8% para cobrir impostos
de transações financeiras e os outros 3% vão para a plataforma. Se a campanha
não der certo não há cobrança de taxas e acontece o reembolso para aqueles que
apoiaram.