Projeto Estação percorre a Estrada de Ferro Vitória a Minas até 2028 e transforma memórias ferroviárias em arte, fotografia e audiovisual com protagonismo jovem
Jovens participantes do Projeto Estação registram histórias e memórias das comunidades ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas por meio da fotografia e do audiovisual
Centenária e fundamental para a história do país, a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) ganha um novo significado ao se tornar eixo de um projeto que vai além do transporte de cargas e passageiros. Até 2028, o Projeto Estação percorrerá 905 quilômetros da ferrovia visando resgatar, registrar e eternizar as memórias de 30 comunidades, utilizando a fotografia e o audiovisual como ferramentas de transformação social.
Leia também:
Realizada pela HORUS Planejamento e Gestão, com apoio da Vale e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a iniciativa aposta na democratização do acesso à arte e na valorização do patrimônio imaterial das cidades cortadas pelos trilhos. Desde o primeiro ano, o projeto já mobilizou 80 jovens mineiros, que passaram a registrar o cotidiano ferroviário por meio das lentes de seus próprios celulares.
Ao longo da primeira etapa, jovens entre 16 e 25 anos, vindos de cidades como Belo Horizonte, Itabira e João Monlevade, produziram 240 fotografias. O resultado desse processo criativo deu origem a sete instalações artísticas, montadas em escolas, praças e estações ferroviárias.
Dessa forma, espaços do cotidiano foram ressignificados e transformados em galerias a céu aberto, como nos muros de Barão de Cocais e no interior da Estação Ferroviária, no centro de Belo Horizonte. Mais do que expor imagens, o projeto cria encontros entre arte, território e memória coletiva.
Segundo a coordenação do Projeto Estação, a proposta é incentivar o olhar sensível da juventude e ampliar as vozes das comunidades que vivem no entorno da ferrovia, reconhecendo a EFVM como um espaço de vivência, afeto e identidade cultural.
Diferente de produções ficcionais, o Projeto Estação se ancora na chamada “poética do real”, reunindo narrativas construídas a partir das experiências de quem vive ou viveu a ferrovia. Entre elas estão trajetórias de trabalhadores e moradores que mantêm vínculos profundos com os trilhos.
Histórias como a de ferroviários que dedicaram décadas à EFVM ajudam a revelar a dimensão afetiva da estrada, responsável por transportar mais de 8 milhões de passageiros por década. Essas memórias, agora registradas em imagens e vídeos, passam a integrar um acervo coletivo que preserva experiências muitas vezes invisibilizadas pelo tempo.
Além do impacto artístico e cultural, o Projeto Estação também se destaca pelos indicadores de inclusão. Do total de inscritos nas atividades, 69% são mulheres e 67% se autodeclaram pessoas negras, números que reforçam o compromisso com a diversidade e com a ampliação do acesso às políticas culturais.
Esse recorte se reflete tanto na participação dos jovens quanto nas histórias narradas, contribuindo para uma representação mais plural das comunidades ferroviárias.
Após a circulação de exposições no Circuito Liberdade e o lançamento de uma galeria virtual, o projeto segue com um plano de expansão estruturado até 2028. Entre os próximos objetivos estão:
Ao longo de 2026 e 2027, novas cidades mineiras entrarão no percurso do projeto. Já em 2028, a iniciativa chegará ao Espírito Santo, completando o trajeto da Estrada de Ferro Vitória a Minas.
Com quatro anos de execução, o Projeto Estação se consolida como uma ação que integra educação, arte e memória, conectando fotografia, audiovisual, instalações urbanas e exposições de artes visuais. Ao transformar a ferrovia em um território vivo, a iniciativa propõe que desenvolvimento econômico e valorização das identidades locais caminhem juntos.