Blocos criativos de BH: conheça a história do Chama o Síndico, Bloco Fúnebre, Havayanas Usadas e outros destaques do Carnaval
Foliões acompanham cortejo do bloco Chama O Síndico no Carnaval de Belo Horizonte, que mistura música, identidade e ocupação das ruas
O carnaval de Belo Horizonte se consolidou como um dos mais inventivos do país. Parte dessa força está nos blocos que, além de arrastar multidões, apostam em nomes criativos e propostas culturais bem definidas. Por trás dos blocos, há projetos que dialogam com identidade negra, cultura pop, ocupação urbana, inclusão social e memória musical.
Conheça a trajetória de cinco dos blocos mais criativos da capital mineira!
Leia também:
Inspirado na canção “W/Brasil (Chama o Síndico)”, eternizada por Tim Maia, o bloco nasceu em 2010, no contexto da retomada do Carnaval de rua em BH, a partir do desejo de músicos da cidade de homenagear Tim e Jorge Ben Jor.
A estreia oficial nas ruas ocorreu em 2012, em um cortejo que saiu da Praça da Liberdade até o Viaduto Santa Tereza. Desde então, o bloco passou a ocupar simbolicamente a quarta-feira que antecede o Carnaval, sendo considerado por muitos o anúncio não oficial de que a folia começou.
A proposta musical vai além do tributo: mistura funk soul, samba, maracatu, ijexá, reggae e marchinhas, criando uma sonoridade própria que celebra ancestralidade e identidade negra nas ruas. O sucesso do cortejo deu origem à banda Chama o Síndico, que hoje mantém agenda ativa durante todo o ano, levando a mesma energia dos desfiles para palcos e festivais.
Ao longo de mais de uma década, o bloco se consolidou como um dos símbolos da renovação do Carnaval belo-horizontino.
Fundado em 2013 pelos artistas Leo Lima e Flávia Ribeiro, o Bloco Fúnebre transformou o luto em linguagem carnavalesca. Com o lema “Enterrar as tristezas e ressuscitar as alegrias”, o cortejo se tornou um ritual coletivo de ressignificação.
Desfilando tradicionalmente à meia-noite de sexta para sábado, o bloco abre oficialmente o período da folia na cidade. Em 2026, celebra 13 anos com o tema “Sexta-feira 13 – Ô Sorte!!”, invertendo o imaginário do azar e transformando superstição em festa, humor e crítica cultural.
O repertório é uma das marcas registradas: o grupo se define pelo gesto de “desenterrar” músicas que atravessam gerações, costurando referências improváveis, de Sepultura a Cartola, de Chiquinha Gonzaga a Frank Sinatra, sempre com uma estética que mistura o sombrio e o afeto.
Reconhecido como Ponto de Cultura em 2025, o bloco consolidou uma identidade própria dentro do Carnaval de BH.
Criado em 2015 pelo fã-clube Conselho Jedi Minas Gerais, formado por admiradores da saga Star Wars, o Unidos da Estrela da Morte levou a cultura geek para o Carnaval de rua.
Conhecido como Bloco Nerd, o cortejo nasceu com uma missão clara: atrair o público que nunca se identificou com o Carnaval tradicional, mas ama fantasia, cosplay e trilhas sonoras épicas. O repertório inclui composições de John Williams, além de paródias e marchinhas próprias em ritmos como samba-reggae e pop rock.
O trajeto foi pensado estrategicamente: ruas largas, percurso curto e poucos morros. “Sair de casa já é uma vitória para nosso público”, brincam os organizadores.
O bloco também investe na formação de novos foliões com o “Unidos da Estrelinha”, voltado para crianças, com oficinas de instrumentos recicláveis e participação ativa no desfile. Inclusivo e pet friendly, o grupo transformou a Força em energia carnavalesca.
Fundado em 2016 e estreando oficialmente em 2017, o Havayanas Usadas nasceu de uma cisão com outro bloco e rapidamente se transformou em um dos megablocos da capital.
O nome, inspirado no chinelo popular, simboliza algo simples e democrático, “todo mundo tem”. A proposta foi idealizada por um coletivo de artistas e produtores culturais que queriam um bloco popular e acessível.
O conceito “Axé da Montanha” define a identidade do grupo: conectar a tradição do axé baiano com a energia mineira. O repertório revisita clássicos dos anos 80 e 90, com forte influência percussiva de blocos como Olodum e Ilê Aiyê.
Em 2026, ao completar dez anos de trajetória, o bloco celebra o tema “Brasil de Pé”, reforçando o Carnaval como espaço de resistência, encontro e valorização da cultura afro-brasileira, além de ampliar ações de responsabilidade ambiental.
Fundado por Erica Maia, o Não Acredito Que Te Beijei estreou em 2018 com um objetivo claro: fortalecer o Carnaval no Barreiro e evitar que moradores precisassem se deslocar até o Centro para aproveitar a festa.
A estreia reuniu cerca de 5 mil foliões. Em 2025, o público já chegava a 15 mil. A bateria cresceu para mais de 100 integrantes, misturando instrumentos tradicionais com banda completa.
Com foco em famílias, inclusão social e público LGBTQIA+, o bloco mantém intérprete de Libras no trio elétrico e aposta em repertório eclético, axé, MPB, pagode e marchinhas, para dialogar com diferentes gerações.
O nome irreverente traduz o espírito leve e bem-humorado que ajudou a transformar o bloco em referência na região.
Seja celebrando a cultura negra, ressignificando o “azar”, transformando ficção científica em samba ou fortalecendo territórios periféricos, esses blocos mostram que o Carnaval de BH é mais do que festa: é ocupação urbana, memória coletiva e expressão cultural. E, pelo visto, a criatividade segue sendo o principal combustível da folia na capital mineira.