Mostra "MEME: no Br@sil da memeficação" reúne 800 itens e investiga como o deboche digital virou ferramenta de crítica política e memória social no país
Com entrada gratuita até 22 de junho, exposição na Praça da Liberdade mistura arte contemporânea e ícones da internet para narrar cotidiano brasileiro
O meme saiu da tela do celular para ocupar as galerias do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB BH). A mostra “MEME: no Br@sil da memeficação” fica em cartaz na Praça da Liberdade até o dia 22 de junho, transformando o prédio histórico em um grande feed interativo.
A exposição chega em um momento estratégico: dados do IBGE apontam que quase 90% dos brasileiros acima de 10 anos estão conectados. Esse exército digital transformou o país em uma fábrica mundial de criatividade virtual, fornecendo a matéria-prima para os 800 itens expostos.
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Quem entra no pátio do CCBB encontra logo o espaço “Alisa Meu Pelo”. A instalação resgata a onça carente da nota de R$ 50 — hit de 2017 — e convida o público a tocar em esculturas de artistas como Jorge Gomes e Vinicius Vaitsmann. É o primeiro passo para entender que, no Brasil, a piada também é documento.
A curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli quebra o muro entre o “erudito” e o “pop”. Artistas clássicos como Nelson Leirner e Anna Maria Maiolino dividem as paredes com ícones da rede, como Blogueirinha, Porta dos Fundos e Greengo Dictionary. O percurso é sensorial: inclui neons, vídeos, experiências sonoras, roupas e pinturas.
O tom da mostra não é apenas recreativo. No núcleo “Combater ficção com ficção”, o foco é a política. A exposição analisa como o brasileiro utiliza o humor para enfrentar a polarização, criar memória coletiva e até denunciar desinformação.
O encerramento da visita conta com a parceria do Museu de Memes da UFF. Vídeos de criadores brasileiros tentam responder à pergunta que define a era atual: afinal, o que é um meme? A resposta está espalhada pelo terceiro andar do centro cultural.
A visitação é gratuita e os ingressos podem ser garantidos no site oficial ou na bilheteria física do local.
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