Exposição Asa de Papel, de Marcelo Xavier, transforma livros em experiências imersivas com arte, inclusão e memória no universo do artista
Obra “Festas”, de Marcelo Xavier, integra a exposição “Asa de Papel” no CCBB BH e revela o universo lúdico do artista, em que livros ganham forma, cor e movimento
O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) abre as portas para uma experiência imersiva que transforma livros em ambientes vivos. A partir de 1º de julho, a exposição “Asa de Papel – Marcelo Xavier” convida o público a mergulhar no universo poético e sensorial do multiartista mineiro, reconhecido por reinventar a literatura infantojuvenil brasileira ao unir escultura, fotografia e narrativa visual.
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Com curadoria de Marconi Drummond, a mostra reúne mais de quatro décadas de produção artística e propõe um percurso em que o visitante não apenas observa, mas participa das obras. Assim, leitura, arte e brincadeira se misturam em uma mesma experiência.
Logo na entrada, personagens criados por Marcelo Xavier anunciam o tom lúdico da visita. Em seguida, o público atravessa a instalação “Asa da Palavra”, um túnel de espelhos, letras suspensas e paisagens sonoras que funciona como porta de entrada para o universo do artista.
A partir desse ponto, a exposição se desdobra em ambientes temáticos inspirados em livros como “Mitos”, “Festas”, “Truques Coloridos” e “Se Criança Governasse o Mundo”. Em cada espaço, instalações, esculturas, vídeos e experiências interativas ampliam a relação entre imaginação e realidade.
Entre os destaques está o núcleo dedicado à obra “Asa de Papel”, considerada uma das mais importantes da carreira do artista. O ambiente reúne projeções, objetos e o chamado Gabinete MX, um espaço afetivo com memórias, fotografias e elementos do processo criativo de Marcelo.
Ao longo do percurso, a exposição reforça temas centrais da produção do artista: a infância como espaço de invenção, a valorização da cultura popular e a imaginação como ferramenta de transformação social.
Segundo o curador Marconi Drummond, a proposta amplia o conceito tradicional de exposição. “Marcelo Xavier criou uma linguagem única no Brasil. A mostra transforma o livro em um território de encontro entre arte, literatura e experiência sensorial”, afirma.
Além disso, o projeto aposta na participação ativa do público, que deixa de ser espectador para se tornar parte das narrativas construídas em cada ambiente.
A trajetória de Marcelo Xavier também atravessa a exposição de forma sensível e central. Cadeirante e convivendo com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), o artista incorpora sua vivência à própria criação, refletindo sobre autonomia, pertencimento e diversidade.
Nesse contexto, a acessibilidade não aparece como complemento, mas como estrutura do projeto. Recursos como audiodescrição, Libras, Braille, experiências táteis, audioguias e percursos adaptados foram pensados desde a concepção da mostra.
De acordo com a especialista Luciana Miglio, responsável pelo projeto de acessibilidade, a proposta parte do conceito de “perceber em plural”, ampliando as formas de interação com a arte.
Assim, a exposição reforça a ideia de que a experiência cultural deve ser acessível, múltipla e compartilhada.
Ao reunir literatura, escultura, fotografia, educação e cultura popular, “Asa de Papel – Marcelo Xavier” propõe mais do que uma visita expositiva. A mostra se apresenta como um espaço de convivência, onde imaginar, tocar, ler e criar fazem parte do mesmo gesto.
Dessa forma, o CCBB BH se torna palco de uma experiência que ultrapassa os limites tradicionais da arte e reafirma a potência da imaginação como forma de existência coletiva.