Cultura

Os segredos dos lugares históricos de BH que poucos conhecem

Do Palácio da Liberdade ao Parque Municipal, descubra curiosidades e fatos inusitados sobre os pontos turísticos mais famosos da nossa capital


Créditos da imagem: Paulo SP/ Wikimedia | Wikimedia Commons
Entrada do Mercado Central de Belo Horizonte com placa "MERCADO CENTRAL DESDE 1929", palmeiras e pessoas. O Mercado Central de Belo Horizonte, um dos polos gastronômicos e culturais da capital, com tradição desde 1929.

Júlia Rhaine Diniz Silva

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07/07/26 às 14:15
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Belo Horizonte guarda histórias que vão muito além do que os olhos veem em um primeiro passeio. Por trás das fachadas de lugares históricos de BH existem curiosidades que ajudam a compreender a formação da capital mineira e revelam detalhes pouco conhecidos de sua história. Conhecer esses fatos transforma a experiência de moradores e visitantes, oferecendo um novo olhar sobre a cidade.


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De construções inspiradas na arquitetura europeia a episódios que marcaram a criação de alguns dos principais espaços públicos da capital, cada lugar preserva histórias que ajudam a contar a trajetória de Belo Horizonte.

Lugares históricos:

Palácio da Liberdade: inspiração europeia e jardins simbólicos

Inaugurado em 1898, um ano após a fundação de Belo Horizonte, o Palácio da Liberdade foi sede do Governo de Minas Gerais por mais de um século, até a transferência da administração estadual para a Cidade Administrativa, na década de 2010.

Sua arquitetura reúne influências do neoclassicismo e do art nouveau, inspirada nos palácios europeus para representar a modernidade da nova capital planejada.

Outro destaque são os jardins, projetados pelo paisagista francês Paul Villon. Inspirados no paisagismo inglês e na estética da Belle Époque, eles combinam lago, quiosque, esculturas, árvores centenárias e um orquidário, tornando o espaço um dos mais emblemáticos da cidade.

Parque Municipal: um dos primeiros lugares históricos da capital

O Parque Municipal Américo Renné Giannetti é um dos espaços públicos mais tradicionais de Belo Horizonte e antecede a própria inauguração da cidade. O parque foi inaugurado em 26 de setembro de 1897, cerca de três meses antes da fundação oficial da capital mineira, e, em 2026, completa 129 anos.

Projetado para ser a principal área verde da nova capital, o parque ocupava originalmente uma extensão muito maior do que a atual. Ao longo do século XX, parte de sua área foi destinada à abertura de vias e à construção de equipamentos públicos, como o Palácio das Artes.

Inspirado nos parques franceses da Belle Époque, o projeto original incluía lagos, coreto e jardins ornamentais. Nas primeiras décadas de funcionamento, o espaço chegou a abrigar um zoológico e um velódromo, consolidando-se como um importante ponto de lazer para os moradores da cidade.

Igreja da Pampulha: a obra que a fé demorou a aceitar

Hoje um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte e integrante do conjunto arquitetônico da Pampulha reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 2016, a Igreja de São Francisco de Assis enfrentou resistência quando foi concluída, em 1943.

As linhas curvas projetadas por Oscar Niemeyer e os painéis de Cândido Portinari foram considerados modernos demais pela Arquidiocese de Belo Horizonte. O então arcebispo Dom Antônio dos Santos Cabral recusou a consagração do templo, que permaneceu fechado para celebrações religiosas por 16 anos.

Somente em 1959 a igreja foi oficialmente consagrada, tornando-se, posteriormente, um dos maiores símbolos da arquitetura moderna brasileira.

Mercado Central: tradição no mesmo endereço desde 1929

O Mercado Central, um dos lugares históricos de BH, integra a história da cidade desde 1929, quando foi inaugurado no terreno onde permanece até hoje, adquirido pela Prefeitura durante a gestão de Cristiano Machado.

Criado para concentrar o comércio de alimentos e produtos da cidade, o mercado se consolidou como um dos principais polos gastronômicos e culturais da capital, reunindo comerciantes de diferentes regiões de Minas Gerais.

Embora seja frequentemente associado à antiga Feira de Amostras, os dois espaços tiveram trajetórias distintas. A Feira de Amostras foi inaugurada apenas em 1935, na Praça da Estação, onde décadas depois seria construída a Rodoviária de Belo Horizonte, na década de 1970.

Atualmente, o Mercado Central reúne centenas de lojas e é um dos principais pontos turísticos da capital, conhecido pela gastronomia, pelo artesanato e pelos produtos típicos mineiros.