Cultura

Cerrado ganha expedição para mapear tradições culturais em nove estados

Expedição vai percorrer nove estados para registrar tradições e histórias do Cerrado. Norte de Minas está entre os primeiros destinos do projeto


Créditos da imagem: Divulgação
Expedição “Cerrado: a raiz do Brasil” vai registrar comunidades, tradições e manifestações culturais do bioma em nove estados brasileiros Expedição “Cerrado: a raiz do Brasil” vai registrar comunidades, tradições e manifestações culturais do bioma em nove estados brasileiros

Maria Clara Landim

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10/09/26 às 09:03
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O Cerrado brasileiro vai ganhar um registro cultural em escala nacional. Até outubro de 2026, uma equipe de documentaristas, fotógrafos e escritores vai percorrer mais de 5 mil quilômetros por nove estados para documentar tradições, histórias e modos de vida ligados ao bioma.

A iniciativa, chamada “Cerrado: a raiz do Brasil”, vai passar por Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Piauí e Maranhão. Ao final da expedição, o material reunido dará origem a um livro e a um filme, com lançamento previsto para dezembro deste ano.

Realizado pela NITRO Histórias Visuais, com realização do Ministério da Cultura e patrocínio da Inpasa, o projeto pretende construir um mapa cultural do Cerrado a partir das comunidades que vivem no território.

Norte de Minas abre expedição

A viagem começou pelo Norte de Minas Gerais, em localidades próximas ao Grande Sertão Veredas, além das regiões de Pirapora e Januária. A partir desses primeiros registros, a equipe seguirá para outros oito estados até outubro.

Durante o percurso, os profissionais vão visitar cidades, povoados e comunidades tradicionais, além de áreas rurais, parques nacionais e territórios marcados pela relação entre população e natureza.

Segundo o coordenador do projeto, o fotógrafo Leo Drumond, a proposta é registrar não apenas as paisagens do Cerrado, mas principalmente as pessoas e as manifestações culturais que ajudam a construir a identidade das regiões.

Entre os elementos que devem aparecer no levantamento estão festas populares, manifestações religiosas, tradições culinárias e costumes transmitidos entre gerações.

Cultura do Cerrado vai além da paisagem

O Cerrado ocupa cerca de um quarto do território brasileiro e costuma ser associado a árvores retorcidas, veredas, vegetação rasteira e campos de sempre-vivas. No entanto, a expedição pretende ampliar esse imaginário e mostrar também a diversidade humana presente no bioma.

Em diferentes regiões, as tradições carregam influências indígenas, africanas e europeias. Por isso, manifestações religiosas, festas populares e práticas culinárias revelam parte da história de comunidades que mantêm costumes centenários.

A equipe também vai observar como essas manifestações se relacionam com os territórios. Dessa forma, o projeto pretende registrar tanto as particularidades de cada comunidade quanto os elementos culturais que atravessam diferentes áreas do Cerrado.

Livro e filme serão produzidos a partir da viagem

Todo o conteúdo produzido durante a expedição será organizado para a criação de duas obras: um livro e um filme. A previsão é que os trabalhos sejam lançados em dezembro de 2026.

De acordo com Leo Drumond, embora o Cerrado seja tema frequente de pesquisas acadêmicas, ainda existem lacunas na produção nacional de livros, fotografias e filmes dedicados à diversidade cultural do bioma como um todo.

Assim, a iniciativa busca reunir diferentes histórias em uma mesma produção e apresentar o Cerrado a partir das relações construídas por seus moradores.

Projeto destaca relação entre comunidades e território

Além de registrar manifestações culturais, o projeto também pretende valorizar os saberes e as histórias das comunidades visitadas.

Para Renato Teixeira, diretor de Comunicação Corporativa, Marketing e Impacto Social da Inpasa, preservar essas relações também significa reconhecer a importância das pessoas que vivem nos territórios onde o bioma está presente.

A expedição segue até outubro de 2026. Depois disso, os registros serão utilizados na produção do livro e do filme “Cerrado: a raiz do Brasil”, previstos para chegar ao público em dezembro.