Gastronomia

Café Palhares: o que saber antes de visitar um dos locais mais tradicionais de Belo Horizonte

Fundado na década de 30, o Café Palhares se tornou um dos pontos mais icônicos de Belo Horizonte, acompanhando sua história de crescimento e modernização


Créditos da imagem: Arquivo
Kaol Kaol tradicional do Café Palhares
Raquel Molica

Raquel Molica

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04/10/26 às 12:00 - Atualizado em 04/10/26 às 13:55
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Que belo-horizontino nunca ouviu falar no Café Palhares? O local é parte inseparável da história da capital mineira, tendo presenciado as mudanças e modernizações do centro da cidade desde 1938, quando foi fundado por Seu Neném. Bem no início era uma simples lanchonete na Rua dos Tupinambás, 638, e seu carro chefe era o cachorro quente com linguiça no lugar de salsicha.

O espaço ganhou fama entre jornalistas, artistas, escritores e políticos de uma capital mineira que se encontrava em processo de efervescência culutral. E por falar em cultura, o Café Palhares era ponto de encontro de personalidades como Fernando Sabino, Roberto Drummond, Tancredo Neves e Rômulo Paes, que inclusive está por trás da criação do Kaol.


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Um cuidado de décadas

Desde o início, o local é administrado pela mesma família. Atualmente a terceira geração dos Palhares está à frente da casa, combinando a tradição de décadas com mudanças necessárias devido à modernização. André Palhares, neto do fundador, conta que o sucesso da casa se deu pela localização central e por funcionar 24 horas na época, atraindo boêmios que prezavam por uma vida noturna ativa na capital mineira.

Café Palhares - (foto: Arquivo )
Café palhares antigamente(foto: Arquivo )

Do cachorro quente ao Kaol

Como o Café Palhares passou do cachorro quente como especialidade para o famoso Kaol, uma combinação de cachaça, arroz, ovo e linguiça? André nos conta essa história. “A gente servia um cachorro quente com linguiça no molho vermelho. No fim de noite, após o expediente, os funcionários pegavam essa linguiça com molho e misturavam com arroz e ovo para jantar. Um dia o Rômulo Paes pediu esse prato para experimentar, tomou uma cachaça e assim nasceu o Kaol”.

A emblemática combinação foi ganhando novos integrantes ao longo do tempo. Entrou a farofa, a couve e o torresmo, deixando a criação ainda mais mineira. A nomeação K, para cachaça, A, para arroz, O, para o ovo e L, para a linguiça também foi invenção do radialista, compositor e poeta Rômulo Paes, que decidiu trocar o C de cachaça por K para “trazer mais pompa ao prato”, segundo André Palhares.

Muito além do Kaol

Para André, a receita para o sucesso contínuo do Café Palhares é devido à reinvenção constante do local. “Sempre tivemos que ser pioneiros para resistir aos 88 anos de história. Já fomos quartel general de venda de ingressos de jogos no Mineirão, fomos o primeiro lugar a ter TV pública em BH, se tornando também um espaço procurado por fãs de esporte”, afirma o proprietário.

Atualmente, André conta que a proposta do local, é ser um pedaço da história de Belo Horizonte, podendo ser visitado por turistas e mineiros que desejam conhecer melhor a história da capital. “Queremos mostrar a cultura e a culinária mineira, e ser história viva”.

Para quem for à casa, André afirma que o Kaol, obviamente, é imperdível, mas também aconselha a provar pratos que participaram de diversas edições do Comida Di Buteco, uma competição que premia comidas de bares. Isso porque, devido ao sucesso das criações, que ficam a cargo da mãe de André, os petiscos foram mantidos no cardápio e são revezados constantemente para que todos consigam provar, mesmo fora da competição.

Atualmente, no cardápio estão presentes a bochecha de porco ao vinho com vatapá de banana da terra e beterraba, acompanhada de chips de banana, que venceu o Comida Di Buteco em 2021. Também está disponível o Cambito, que leva panturrilha de porco, acompanhada de mandioca cozida, farofa crocante e manteiga de garrafa temperada, ganhador da competição em 2022. De opção vegetariana, a casa oferece a polpeta de berinjela, que consiste em bolinhos de beringela recheados com parmesão e acompanhados de tehine de grão de bico com gergelim branco.

A casa também adaptou o Kaol para outras versões, com carne cozida, dobradinha, língua de boi e pernil. A versão com linguiça continua sendo o destaque, vendendo cerca de 400 pratos por dia, de acordo com André. Para acompanhar, é claro, a casa serve chope e gelado e a tradicional cachaça mineira.

 - (foto: Arquivo)
Adaptações do Kaol com língua, pernil, dobradinha(foto: Arquivo)

Instruções

O Kaol fica localizado no centro, portanto, a recomendação é não ir de carro, já que é difícil encontrar vagas no local. Vá de ônibus (muitas linhas passam nessa região), ou de carros de aplicativo. É recomendado chehgar cedo, pois a casa fica cheia todos os dias.

Serviço

Café Palhares
Endereço: Rua dos Tupinambás, 638 – Centro
Horário de funcionamento:
Segunda a quinta: das 8h às 17h
Sexta: das 8h às 19h
Sábado: das 8h às 16h
Mais informações: Instagram e site