Carnaval de BH 2026 terá programação entre 31 de janeiro e 22 de fevereiro, com blocos, cobertura e expectativa de milhões de foliões
Foliões ocupam as ruas de Belo Horizonte durante o Carnaval de rua, que mobiliza milhões de pessoas e conta com operação integrada de segurança, transporte e saúde organizada pela Prefeitura
A contagem regressiva já começou para o Carnaval da capital mineira. Faltam menos de 40 dias para a maior festa popular de Belo Horizonte, que mais uma vez promete ocupar ruas, avenidas e praças com blocos de rua, desfiles, shows e manifestações culturais espalhadas por todas as regiões da cidade.
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Reconhecido como um dos maiores carnavais de rua do Brasil, o Carnaval de BH reúne milhões de foliões todos os anos e se destaca pela essência democrática, plural e participativa. Mais do que festa, a folia movimenta a economia, fortalece o turismo e reafirma a identidade cultural belo-horizontina.
O coração do Carnaval de Belo Horizonte bate nas ruas. A programação em 2026 acontece oficialmente de 31 de janeiro a 22 de fevereiro, período que inclui o pré-carnaval, os dias oficiais de folia e as atividades do pós-carnaval. Ao longo dessas semanas, blocos de rua, festas e eventos culturais ocupam diferentes regiões da capital mineira.
Entre os destaques estão blocos tradicionais que ajudam a construir a identidade do carnaval da cidade. O Então, Brilha!, que costuma abrir o sábado de carnaval ainda ao amanhecer, reúne multidões no Centro e se tornou símbolo da retomada do carnaval de rua em BH. Outro nome histórico é o Baianas Ozadas, que leva referências do samba e da cultura afro-brasileira para as avenidas. Também figuram entre os mais esperados o Havayanas Usadas, conhecido pelo clima irreverente, e o Bloco da Calixto, que arrasta foliões com repertório popular e forte presença nas ruas.
Além dos blocos de rua, o Carnaval de Belo Horizonte conta com festas privadas, eventos culturais, palcos oficiais, desfiles de escolas de samba e blocos caricatos. A programação se espalha por toda a cidade, reforçando o caráter democrático da festa e oferecendo opções para diferentes públicos durante todo o período carnavalesco.
A cidade, também, mantém a tradição dos desfiles de escolas de samba e blocos caricatos, que transformam a Avenida Afonso Pena em uma grande passarela do samba. A abertura oficial da festa também conta com o Kandandu, encontro de blocos afro que celebra ancestralidade, resistência e cultura negra.
A Belotur escolheu a TV Globo Minas como emissora oficial do Carnaval de Belo Horizonte de 2026, por meio de um processo seletivo simplificado. O acordo foi publicado no Diário Oficial do Município e define a responsável pela cobertura. A parceria prevê transmissões ao vivo dos principais momentos da folia, além da produção de conteúdos especiais voltados ao período carnavalesco.
A Prefeitura de Belo Horizonte enfrenta dificuldades para captar patrocínios para o Carnaval de 2026. A Belotur declarou “deserto” o edital de chamamento público após não receber propostas de empresas interessadas, mesmo com prorrogações de prazo. A expectativa era arrecadar R$ 21 milhões para ações de estrutura, marketing e promoção da festa, com cotas que variavam de R$ 500 mil a R$ 10 milhões. Até o momento, apenas a CDL-BH firmou contrato, no valor de R$ 500 mil.
Apesar do cenário, a Belotur informou que segue em negociação com a iniciativa privada por meio dos instrumentos legais disponíveis. O prefeito Álvaro Damião garantiu que o Carnaval de Belo Horizonte em 2026 está confirmado, mesmo sem patrocínio empresarial. Segundo ele, a prefeitura manterá os investimentos necessários para realizar a festa, que reúne cerca de 6 milhões de foliões e movimenta a economia da capital.
Os recursos captados são destinados à montagem de palcos, contratação de serviços, infraestrutura, segurança e apoio logístico. A operação do carnaval envolve dezenas de órgãos e instituições, garantindo mobilidade, limpeza urbana, atendimento em saúde e organização dos espaços públicos durante o período de folia.
A história do Carnaval de Belo Horizonte começou antes da inauguração oficial da capital. Em janeiro de 1897, operários que construíam a nova cidade organizaram um desfile improvisado de carros e carroças, saindo da Praça da Liberdade em direção à Avenida Afonso Pena. Confete, serpentina e criatividade marcaram o início da folia na capital mineira.
Esse movimento espontâneo deu origem aos blocos caricatos, que se tornaram protagonistas do carnaval nos primeiros anos da cidade e seguem presentes até hoje na programação oficial.
Na primeira metade do século passado, a região da Lagoinha se consolidou como o principal polo carnavalesco de Belo Horizonte. Foi ali que surgiu, em 1947, o Leão da Lagoinha, considerado o primeiro bloco de rua da cidade e ainda em atividade.
Próximo dali, moradores da Pedreira Prado Lopes fundaram a Agremiação Pedreira Unida, responsável pelo primeiro desfile de escola de samba da capital. Esses movimentos fortaleceram o samba e consolidaram o carnaval como espaço de expressão cultural e pertencimento.
A partir da década de 1970, o Carnaval de BH ganhou escala. Em 1975, a Banda Mole passou a ocupar a Avenida Afonso Pena e rapidamente se tornou um dos eventos mais tradicionais do pré-carnaval. Com desfiles de trios elétricos, criatividade e irreverência, a festa ajudou a consolidar a ideia de carnaval de rua como manifestação coletiva e diversa.
Desde a década de 1980, os desfiles competitivos de escolas de samba e blocos caricatos integram o calendário oficial do carnaval. Durante o evento, a Avenida Afonso Pena se transforma em palco para apresentações que unem música, fantasia, enredo e disputa por notas.
O crescimento do Carnaval de Belo Horizonte se reflete nos números. Em 2018, cerca de 3,8 milhões de pessoas participaram da festa, que contou com mais de 400 blocos de rua, palcos oficiais e dezenas de eventos paralelos. No ano seguinte, o público chegou a aproximadamente 4,3 milhões de foliões ao longo do período oficial.
Além do impacto cultural, o carnaval se consolidou como um dos principais produtos turísticos da cidade, gerando emprego e renda em setores como cultura, comércio, hotelaria, alimentação e serviços.
O Carnaval de BH segue em constante construção, baseado no diálogo com os moradores e na ocupação dos espaços públicos. Manifestações populares impulsionaram o surgimento de novos blocos e eventos, ampliando a diversidade da festa e fortalecendo seu caráter democrático.
Com menos de 40 dias para a próxima edição, a cidade já vive o clima de expectativa. A pergunta segue no ar: a folia já está liberada? Em Belo Horizonte, a resposta costuma vir antes mesmo do primeiro tambor tocar.