Prefeitura recebeu 579 inscrições de blocos de rua, queda de 5,4% em relação a 2026. Prazo para empresas apresentarem propostas de patrocínio foi prorrogado até 10 de novembro
Totem de quatro metros instalado na Praça Rui Barbosa marca a contagem regressiva para o Carnaval de Belo Horizonte 2027, previsto para começar em 23 de janeiro
Os preparativos para o Carnaval BH de 2027 avançam com a redução no número de blocos inscritos e a falta de patrocinadores definidos. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) recebeu o cadastro de 579 grupos interessados em desfilar, número 5,4% inferior ao registrado em 2026, quando 612 blocos participaram do processo de inscrição.
Leia mais:
A programação oficial para Carnaval BH de 2027 está prevista para ocorrer entre 23 de janeiro e 14 de fevereiro, com a estimativa de 632 cortejos distribuídos pelas dez regionais da capital mineira. O número de apresentações, entretanto, ainda pode mudar até o início da festa. De acordo com o histórico da prefeitura, cerca de 15% dos desfiles pré-cadastrados costumam ser cancelados.
A quantidade de grupos estreantes também diminuiu. Para 2027, 150 blocos se inscreveram para desfilar pela primeira vez, contra 178 no ano anterior. Apesar da queda em relação a 2026, o total de inscrições supera o registrado em 2025, quando 568 grupos se cadastraram.
A captação de recursos da iniciativa privada é um dos principais desafios para a organização do Carnaval de 2027. A prefeitura prorrogou até 10 de novembro o prazo para apresentação de propostas de patrocínio, após não conseguir definir um investidor dentro do período inicial.
A administração municipal aposta em um novo modelo de parceria comercial, válido para as edições de 2027, 2028 e 2029. O edital prevê uma cota única de patrocínio, com investimento mínimo de R$ 6 milhões por ano, totalizando R$ 18 milhões ao longo dos três anos.
A empresa vencedora poderá divulgar até dez marcas durante a festa e terá direito à exposição publicitária em espaços públicos destinados aos eventos oficiais, além de participação nas ações de comunicação e divulgação do Carnaval. A seleção será feita com base no maior valor de investimento apresentado, desde que sejam cumpridas as exigências estabelecidas no edital.
O modelo foi desenvolvido pela Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) a partir de pesquisas de mercado e análises de formatos adotados em grandes carnavais do país, como os de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.
A demora para definir os patrocinadores não é inédita. Em 2026, a capital mineira também enfrentou dificuldades para garantir o investimento privado antes do início da programação oficial.
Naquele ano, novos apoios foram anunciados em 29 de janeiro, dois dias antes da abertura da folia. Os recursos vieram da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), dos Supermercados BH e do Sesc Minas, com R$ 500 mil cada, além da Caixa Econômica Federal, que destinou R$ 800 mil.
Durante a festa, em 14 de fevereiro, o Governo de Minas confirmou um aporte adicional de R$ 500 mil. Com isso, o total de recursos anunciados chegou a R$ 2,8 milhões. Em 2025, a Ambev havia investido R$ 5,9 milhões como patrocinadora master do evento.
Além da busca por patrocinadores, a prefeitura avalia as inscrições para o edital de auxílio financeiro destinado aos blocos de rua. Ao todo, 228 grupos se candidataram ao benefício, que prevê a seleção de até 115 blocos.
Os recursos serão distribuídos em três faixas: 55 grupos poderão receber R$ 43.460 cada; outros 40 terão direito a R$ 25.240; e 20 poderão receber R$ 15.290. Os valores representam um aumento de 15,4% em relação aos pagos em 2026.
As inscrições foram encerradas em 13 de outubro, e a documentação dos candidatos segue em análise por uma comissão julgadora.
O cadastramento dos vendedores ambulantes para o Carnaval de 2027 também aguarda definições. Segundo a Belotur, a empresa mantém diálogo com a Associação dos Ambulantes de BH para estabelecer o modelo de inscrição, o cronograma, o número de vagas e os procedimentos para a retirada das credenciais.
Até o momento, não há uma data prevista para o início do cadastro.
A edição de 2026 registrou números recordes, com 6,6 milhões de foliões nas ruas de Belo Horizonte, incluindo 349 mil turistas. A festa movimentou aproximadamente R$ 1,4 bilhão na economia da cidade, reforçando a importância do evento para os setores de turismo, comércio e serviços.