Exposição inédita de Renoir chega à Casa Fiat de Cultura com 11 pinturas e uma escultura do acervo do MASP. Entrada gratuita até maio
Obra do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir integra exposição inédita na Casa Fiat de Cultura com peças do acervo do MASP
Entre os grandes nomes da história da arte, poucos artistas transformaram cenas cotidianas em imagens tão sensíveis quanto Pierre-Auguste Renoir. Agora, o público brasileiro terá a oportunidade de ver parte dessa produção de perto. A Casa Fiat de Cultura inaugura, nesta terça-feira (10), a exposição “Renoir na Casa Fiat de Cultura”, que reúne 11 pinturas e uma escultura do artista francês.
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As obras pertencem ao acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e, pela primeira vez, deixam a capital paulista para serem exibidas em outra cidade. A mostra segue aberta até 10 de maio de 2026 e tem entrada gratuita.
Além de apresentar diferentes momentos da carreira do pintor, a exposição também marca as comemorações dos 20 anos da Casa Fiat de Cultura, um dos principais espaços do Circuito Liberdade.
A seleção de obras permite acompanhar a evolução artística de Renoir ao longo de mais de quatro décadas de produção. Inicialmente influenciado pela pintura acadêmica, o artista se tornou um dos nomes centrais do Impressionismo, movimento que revolucionou a pintura no século XIX.
Durante esse período, Renoir passou a priorizar pinceladas soltas, cores vibrantes e o uso da luz natural, características que marcaram a estética impressionista. Ao mesmo tempo, diferentemente de alguns colegas, o artista manteve forte interesse na representação da figura humana, especialmente em retratos e cenas cotidianas.
Nesse contexto, a exposição reúne obras que vão desde a fase inicial do pintor até produções de seus últimos anos. Entre os destaques está “A banhista e o cão griffon – Lise à beira do Sena” (1870), que revela um momento de transição em sua carreira, quando o artista começava a se afastar das regras tradicionais da pintura.
Por outro lado, trabalhos como “Banhista enxugando a perna direita” (c.1910) e “Banhista enxugando o braço direito” (1912) mostram uma fase mais madura da produção de Renoir. Nessas obras, as figuras ganham volumes amplos, cores quentes e contornos mais suaves, resultado da pesquisa do artista sobre o corpo humano e a textura da pele.
Além das obras originais, a exposição também apresenta uma experiência imersiva dedicada à pintura “Rosa e Azul” (1881), considerada um dos retratos mais famosos de Renoir.
A obra retrata as irmãs Alice e Elisabeth Cahen d’Anvers e pertence ao acervo do MASP. No entanto, por questões de conservação, ela permanece em São Paulo. Para aproximar o público da pintura, a Casa Fiat criou um ambiente audiovisual que amplia detalhes da obra, permitindo observar pinceladas, cores e texturas em escala ampliada.
Assim, a instalação propõe uma nova forma de contato com o trabalho do artista. Por meio de recursos visuais e explicativos, o visitante consegue compreender melhor o processo criativo e as escolhas estéticas de Renoir.
Outro ponto de destaque da exposição é a escultura “Vênus vitoriosa” (1916). Nos últimos anos de vida, Renoir passou a se dedicar também à escultura, mesmo enfrentando limitações físicas causadas pela artrite reumatoide.
A peça foi produzida em parceria com o escultor Richard Guino e representa a deusa Vênus segurando a maçã de ouro da mitologia grega. Assim como em suas pinturas, Renoir explora formas suaves e volumes sensuais, reforçando seu interesse pela representação do corpo humano.
A exposição também abre as comemorações de duas décadas da Casa Fiat de Cultura. Desde sua criação, em 2006, o espaço se consolidou como um dos principais centros de exposições internacionais no Brasil.
Ao longo desses anos, o local já recebeu mostras dedicadas a artistas como Marc Chagall, Auguste Rodin, Rembrandt, Tarsila do Amaral e Candido Portinari.
Segundo a instituição, mais de 5 milhões de visitantes já passaram pelas exposições realizadas no espaço, que também promove atividades educativas e ações voltadas à acessibilidade cultural.