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Exposição Recosturando Portinari na Casa Fiat de Cultura

Com curadoria do estilista Ronaldo Fraga, exposição fará releituras da obra Civilização Mineira



Créditos da imagem: Bruno Gonzaga
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Ronaldo Fraga convida você a "recosturar" Portinari
Redação Sou BH
20/01/15 às 17:40
Atualizado em 01/02/19 às 17:58

Por Débora Gomes jornalista Sou BH

No dia 26 de agosto, terça-feira, a Casa Fiat de Cultura (Praça da Liberdade, 10 – Funcionários) dá início a mais uma exposição. Dessa vez, a obra de Candido Portinari, “Civilização Mineira”, exibida na entrada da nova casa, o antigo Palácio dos Despachos, será o ponto de partida para a mostra “Recosturando Portinari”, com curadoria do estilista mineiro Ronaldo Fraga.

“Esta exposição retrata bem o que queremos com a mudança de endereço. O Ronaldo (Fraga) traz este ar fresco da cidade para a Casa Fiat de Cultura. Nossa intenção é tornar público este quadro que nunca foi visto pelo belo-horizontino por estar em um ambiente institucional, burocrata. Trata-se de um ilustre desconhecido para o povo mineiro”, conta o presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo de Lima Pereira.

Conhecido por utilizar literatura e arte como inspiração para suas coleções, Ronaldo Fraga admite que conheceu Candido Portinari através das histórias de outras personalidades, como Athos Bulcão, Mário de Andrade, Drummond. “Um dos meus objetivos era fazer com que as pessoas conhecessem melhor Portinari”, reflete. Atualmente, Portinari, natural de Brodowski em São Paulo, é mais conhecido por ser o responsável pelo painel da Igrejinha da Pampulha, um dos maiores orgulhos do belo-horizontino.

Segundo Fraga, a importância de Portinari e a urgência de se apresenta-lo às novas gerações se deve ao fato de ele ser um dos formadores da identidade do Brasil. “Há que se ter respeito por figuras, como ele, que fizeram o Brasil, que ajudaram na formação da identidade do brasileiro. Ele era uma pessoa desconcertantemente simples. Inclusive, disse, em Paris, que sua alma era de um lavrador”, conta.

Programa educativo

Um dos eixos do Programa Educativo de “Recosturando Portinari” será exatamente a formação da identidade individual e a da identidade da nação. Com a concepção da educadora Rachel Vianna e a coordenação da educadora Manuela Tolentino, o programa educativo irá envolver os visitantes com oficinas em que a obra de Portinari servirá de inspiração, além da vida e obra do artista.

A equipe de 14 educadores multidisciplinares está à disposição para atender todos os públicos: crianças, jovens e adultos. Mas é a criança que existe dentro de cada um o principal público de Ronaldo Fraga. “Se você conquista o brilho no olhar de uma criança e de um ancião, você conquistou tudo”, reflete. Para ele, é isso que a obra de Portinari representa e é o que ele pretende com a exposição. “Hoje, há um excesso de tecnologia em eventos voltados para as crianças. O que eu quero é bem simples. Que a criança saia daqui com um brilho nos olhos e vontade de desenhar”, conta.

A convergência entre arte e moda é outro item a ser discutido no programa educativo. “Desde o começo da minha carreira, eu sou um defensor fervoroso da moda como vetor cultural, assim como a gastronomia. Mas trata-se de um vetor novo. E como tal, ainda sofre com muitos ruídos. Portinari é para se ver, se ler, comer e se vestir”, afirma Ronaldo Fraga.

Sobre a exposição

Quatro salas compõem a mostra, que utiliza as mais diversas linguagens, possibilitando que o público se envolva de forma interativa com o quadro “Civilização Mineira” e com o mundo de Portinari. Na primeira delas, inconfidentes mineiros dão as boas-vindas aos visitantes, numa instalação com os elementos do quadro. Na sequência, espantalhos – figuras tão recorrentes na obra do pintor - relembram momentos marcantes da vida de Portinari e destaques de sua obra, enquanto ao lado, serão revelados os bastidores do ateliê de restauro do quadro Civilização Mineira.

Em outro ambiente, os aromas da infância de Portinari ganham vida, proporcionando uma experiência multissensorial. Com chão coberto de grãos de café e sob balões de São João, Ronaldo Fraga leva para o mundo da moda cores, formas e visões desse importante nome do modernismo brasileiro.

“Civilização Mineira”

Pintado em 1959, sob encomenda, a obra é o maior quadro de Cândido Portinari em Minas Gerais, com a medida de 2,34m x 8,14m, composto por 12 chapas de madeira compensada, que se encontra instalado no hall de entrada da Casa Fiat de Cultura. Ela representa a mudança da capital mineira, de Ouro Preto para Belo Horizonte.

Antes da mudança do Belvedere para a Praça da Liberdade, a Casa Fiat de Cultura liderou o projeto de recuperação da obra de Portinari, em parceria com Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes (APPA), Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) e Ministério da Cultura, com patrocínio da Fiat Automóveis, e marcou a primeira atividade da Casa Fiat de Cultura no Circuito Cultural Praça da Liberdade.