Vários artistas recorrem a este recurso para colocar em prática seus projetos
Por Camila de Ávila, jornalista do Sou BH
Atualmente muitos artistas da cena independente estão
optando por uma nova forma de conseguir dinheiro para produzir seus trabalhos,
seja na gravação de discos, produção de shows, de peças e vernissages. O crowdfunding,
conhecido como financiamento coletivo, ou a famosa vaquinha, tem sido muito
utilizado como uma alternativa às leis de incentivo à cultura.
Segundo o pesquisador da história da música, professor
universitário e músico, Ricardo Frei, os financiamentos coletivos começaram a
ser desenvolvidas e popularizadas a partir da década de 1990. “As ações
naquele momento estiveram voltadas, sobretudo, para finalidades artísticas e
filantrópicas”, explica. O baixista Matheus Rodrigues que lançou o disco “Do
Baião a Piazzolla” em outubro de 2014, por meio do financiamento coletivo,
optou por essa forma de conseguir o dinheiro depois de ter a certeza de que
funcionava. “Projetos pequenos, de até 10 mil reais, são realizados mais
rapidamente”, diz.
Para Fernando Monteiro, baterista da banda A Fase Rosa, o
financiamento coletivo ajudou o grupo a alçar voos maiores. “Já havíamos
gravado o CD e queríamos prensar mais para que o disco circulasse por mais
lugares. O financiamento coletivo foi a solução”, conta. A Fase Rosa lança, no
dia 5 de dezembro, o disco “Leveza”, por meio do financiamento coletivo.
A vantagem deste tipo de ação é a ausência de burocracia. “O
músico não terá que desbravar este mundo difícil de penetrar que é o dos
apoiadores contumazes de projetos de lei”, conta Ricardo Frei, que está
finalizando seu projeto de CD e show “Fora da Asa”. Durante a campanha de
arrecadação, é possível divulgar e trazer a atenção para o projeto. “Mesmo que
alguém não o apoie, estará ciente da ação. Gera e desperta interesse. Trata-se
de uma estratégia de divulgação e marketing. Claro, como toda ação estratégica,
tudo dependerá de seu planejamento”, analisa Frei. Matheus Rodrigues concorda. “Para projetos
menores, o financiamento coletivo pode ser uma opção mais rápida e tranquila”,
afirma.
Frei afirma que “aprovar uma lei de incentivo não é uma
tarefa tão difícil. Existem empresas especializadas. Alguém que tenha a
paciência e disciplina para ler editais, além de um bom texto, conseguirá com
certa facilidade. O grande gargalo de tudo isso é a captação de recursos”, ressalta. Como alternativa às leis de incentivo à
cultura municipal, estadual e federal, Matheus diz que o financiamento coletivo
“é uma forma de arrecadar fundos para um projeto. Ao contrário de projetos por
lei de incentivo, onde é possível receber um valor justo por uma turnê,
lançamento de disco, etc, o financiamento ajuda nos custos, mas não visa
conseguir lucro, muito pelo contrário, na maioria das vezes acaba ficando mais
caro do que o arrecadado”, explica.
Há projetos que possuem uma maior facilidade na arrecadação
pelo financiamento coletivo. “Pelo que tenho percebido, projetos de games são
muito bem recebidos. Projetos que tenham apelo social também estão em alta”,
analisa Frei. Os que envolvem música e arte dependem muito da rede de contato
do idealizador do projeto e da sua “fama” no meio. Matheus diz que “no Brasil
usamos mais para projetos culturais, nos EUA usam muito pra invenções, jogos,
tecnologia”, constata. Projetos que possuem um público fiel têm mais chance de
conseguir dinheiro mais rápido. “Percebo que projetos como os dos games, além
de outros que trabalham com seguimentos ativos, guetos fiéis têm maior
facilidade de serem bem sucedidos. Acho que aí está a razão destes projetos com
seguimento específico, público restrito e fiel estarem entre aqueles que
deram/dão certo: ter um público comprometido e interessado”, conclui Frei.