Cultura

Inhotim abre calendário de 20 anos com três novas exposições e obras inéditas de artistas

Inhotim inicia celebração de 20 anos com três exposições inéditas de arte contemporânea e programação especial com artistas e curadores\


Créditos da imagem: Divulgação
Inhotim inaugura calendário comemorativo de 20 anos com três novas exposições e obras inéditas de artistas contemporâneos, em programação que inclui visitas guiadas, performance e atividades abertas ao público Inhotim inaugura calendário comemorativo de 20 anos com três novas exposições e obras inéditas de artistas contemporâneos, em programação que inclui visitas guiadas, performance e atividades abertas ao público

Maria Clara Landim

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17/04/26 às 08:36
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O Instituto Inhotim inicia, neste mês, a programação especial de celebração de seus 20 anos com a abertura de três exposições que reforçam sua vocação para a arte contemporânea e a experimentação em diálogo com a paisagem.

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A estreia do calendário comemorativo acontece com uma agenda de inaugurações que reúne a exposição panorâmica Dupla Cura, de Dalton Paula, a individual Tororoma, de davi de jesus do nascimento, e a obra inédita Contraplano (2026), da artista Lais Myrrha.

As aberturas ocorrem em 25 de abril e contam com uma programação expandida ao longo do dia, incluindo visitas acompanhadas por curadores e artistas, performance musical e coquetel aberto ao público. Os próprios artistas participam das atividades, aproximando o público dos processos criativos e das pesquisas que estruturam cada obra.

Arte, memória e território em destaque

Em Dupla Cura, com curadoria de Beatriz Lemos, Dalton Paula reúne obras de diferentes fases de sua carreira, além de trabalhos inéditos comissionados pelo museu. A mostra articula pintura, instalação, fotografia e vídeo para investigar a presença de corpos negros na história brasileira e na diáspora africana.

Ao mesmo tempo, a exposição se organiza em torno de eixos como corpo, território, sagrado e cura, propondo uma leitura crítica da história a partir de referências afro-brasileiras, quilombolas e de tradições ancestrais. Além disso, parte das obras dialoga diretamente com o jardim botânico e com comunidades da região de Brumadinho, ampliando a experiência para além do espaço expositivo.

Na sequência, Tororoma, de davi de jesus do nascimento, ocupa a Galeria Nascente com uma instalação que reúne pinturas, vídeo e elementos escultóricos. A obra foi desenvolvida a partir de pesquisas em territórios do sertão mineiro e do Nordeste, incluindo registros nas Cavernas do Peruaçu e referências ao Rio São Francisco.

A instalação incorpora ainda carrancas produzidas pelo Mestre Expedito, conectando tradição popular e práticas contemporâneas. Com isso, a mostra cria um ambiente imersivo em que imagem, som e objeto se organizam em torno das ideias de fluxo, transformação e memória das águas.

Escultura em diálogo com arquitetura e paisagem

Já a obra Contraplano, de Lais Myrrha, apresenta uma escultura de grande escala instalada em área externa do Inhotim. A peça parte de referências à arquitetura moderna brasileira, especialmente a projetos de Oscar Niemeyer, para propor um deslocamento simbólico entre cidade, paisagem e território.

Ao ser inserida no espaço do museu, a obra estabelece uma leitura crítica sobre os materiais de construção, como concreto e aço, e suas relações com a exploração mineral na região. Dessa forma, a artista conecta arquitetura, indústria e meio ambiente em uma mesma reflexão visual.

Programação de abertura e calendário comemorativo

A abertura inclui uma sequência de atividades ao longo do dia: a inauguração da escultura de Lais Myrrha, visita mediada à exposição de davi de jesus do nascimento, apresentação do Coral do Sertão em diálogo com a mostra de Dalton Paula e, por fim, um coquetel de encerramento.

Segundo a direção artística do Inhotim, o conjunto de inaugurações marca o início de um calendário que prevê seis novas exposições ao longo do ano, além de uma mostra dedicada aos 20 anos da instituição.

Com isso, o museu reforça sua proposta de criação colaborativa entre artistas e curadoria, ampliando escalas, linguagens e experiências que conectam arte contemporânea, natureza e território.