Instalação Jolly Chimp, de Nuno Ramos, mistura referências ao cinema de Glauber Rocha e uma orquestra de brinquedos em mostra até janeiro
Um dos macaquinhos mecânicos de Nuno Ramos exibe a ironia de 'Jolly Chimp' ao lado de cena de filme de Glauber Rocha
Na exposição Jolly Chimp, Nuno Ramos aproxima o cinema brasileiro das artes visuais por meio de objetos populares e imagens exibidas em repetição. A instalação cria um diálogo entre a obra de Glauber Rocha e uma composição mecânica que provoca reflexões sobre a história e a realidade do país.
A obra reúne 18 prateleiras simétricas com macaquinhos mecânicos que batem pratos ao centro. Ao lado deles, monitores exibem, em repetição contínua, cenas dos filmes Deus e o Diabo na Terra do Sol, de 1964, e Terra em Transe, de 1967.
O pesquisador Victor da Rosa aponta que Nuno Ramos subverte referências ao incorporar e ironizar o cineasta baiano de forma sarcástica. Segundo o pesquisador, o uso de mercadorias populares cria uma antifábula kitsch que rebaixa o peso dramático das produções cinematográficas.
O próprio Nuno Ramos define a instalação como um reflexo tenso e cínico sobre o país, sem apresentar respostas simplistas. O artista sintetiza a atmosfera ao afirmar que “o macaquinho, rindo e batendo seus pratinhos, é quem vai reger esse inferno”.
Mais informações podem ser consultadas no site oficial do Minas Tênis Clube.