Atividades no antigo prédio do Dops, que hoje abriga o Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, serão realizadas no sábado (31), domingo (1º) e segunda-feira (2), com inscrições gratuitas.
Memorial dos Direitos Humanos em Belo Horizonte
O Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, instalado no antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em Belo Horizonte, promove visitas guiadas gratuitas neste fim de semana. A programação inclui horários no sábado (31), às 10h e às 14h; no domingo (1º), às 10h; e na segunda-feira (2), às 14h. Os interessados devem realizar inscrição prévia por meio de formulário disponível no perfil do Memorial nas redes sociais.
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Localizado na Avenida Afonso Pena, 2.351, o edifício foi utilizado durante a Ditadura Militar como espaço de investigação, repressão e tortura de pessoas consideradas opositoras ao regime. Atualmente, por meio da atuação de movimentos sociais, o local passa por um processo de ressignificação e se tornou um espaço de preservação da memória, defesa dos direitos humanos e realização de atividades culturais.
Com arquitetura modernista, o prédio foi destinado ao funcionamento do Dops, órgão de polícia política responsável por monitorar, investigar e reprimir movimentos de oposição ao governo. Durante a Ditadura Militar, o espaço também foi utilizado para interrogatórios, prisões ilegais e práticas de tortura.
Em 1970, durante o governo do general Emílio Médici, foi criado o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), estrutura que reunia representantes das Forças Armadas e das polícias para centralizar as ações de repressão política. Em Belo Horizonte, o órgão começou a funcionar em 1971, no terceiro andar do edifício do Dops, na Avenida Afonso Pena.
Enquanto o CODI coordenava as operações, o DOI executava as ações repressivas. O Dops, por sua vez, continuava atuando em investigações, prisões e interrogatórios.
Com o fim da Ditadura Militar, o edifício permaneceu sob controle das forças de segurança de Minas Gerais. Ao longo dos anos, recebeu outros órgãos, como o Departamento de Operações Especiais (DOESP), o Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc) e uma carceragem feminina.
A desocupação pela Polícia Civil ocorreu somente em 2016, mesmo ano em que o imóvel foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), com o objetivo de preservar sua importância histórica e a memória das violações de direitos humanos cometidas no local.
Em 2018, o governo estadual apresentou o projeto do Memorial dos Direitos Humanos Casa Liberdade. A proposta, entretanto, não avançou, e o prédio permaneceu sem a revitalização prevista.
Diante da falta de intervenções do poder público, movimentos sociais deram início, em 2025, à mobilização Ocupe o Memorial. A iniciativa promoveu a recuperação independente do espaço e sua transformação em um local de atividades culturais, educativas e de preservação da memória. Neste ano, também foi criada a Associação do Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, formada por integrantes dos movimentos envolvidos na ocupação.
As visitas guiadas integram esse processo de reaproximação da população com o edifício, permitindo conhecer sua história e refletir sobre as violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura.
Visitas guiadas ao Memorial dos Direitos Humanos Ocupado