Cultura

Necroturismo em BH: cemitério do Bonfim terá visita guiada sobre imigrantes

Necroturismo em BH: Cemitério do Bonfim promove visita guiada sobre imigrantes; veja como participar gratuitamente


Créditos da imagem: Reprodução/Instagram @visitas_bonfim
Visita guiada no Cemitério do Bonfim Visita guiada no Cemitério do Bonfim transforma espaço histórico em roteiro de necroturismo e memória cultural

Maria Clara Landim

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25/04/26 às 07:00
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O Cemitério do Bonfim, na Região Leste de Belo Horizonte, recebe mais uma edição das visitas guiadas que transformam o espaço em um ponto de necroturismo educativo na capital. A atividade acontece neste domingo (26), a partir das 9h, e desta vez coloca em evidência a trajetória das pessoas imigrantes, revelando como diferentes povos ajudaram a moldar a cidade, inclusive a partir de memórias preservadas entre túmulos e esculturas.



A proposta, portanto, vai além da curiosidade. Ao mesmo tempo, convida o público a enxergar o cemitério como um lugar de memória, arte e identidade cultural.

Necroturismo como experiência cultural

Embora ainda cause estranhamento para parte do público, o necroturismo é uma prática consolidada em grandes cidades do mundo. Em BH, no entanto, a iniciativa ganha contornos educativos e acessíveis.

Nesse sentido, o projeto de visitas guiadas ao Bonfim, criado em 2012, aposta na combinação entre história, patrimônio e reflexão social. A condução é da historiadora Marcelina das Graças de Almeida, professora da UEMG, que transformou uma atividade acadêmica em um evento aberto ao público.

Além disso, cada edição propõe um recorte temático diferente. Desta vez, o olhar se volta para os imigrantes que chegaram ao Brasil no fim do século XIX e início do XX, muitos deles responsáveis por influenciar diretamente a arquitetura, a arte e até os costumes locais.

Imigrantes que ajudaram a construir BH

Durante o percurso, os participantes têm acesso a histórias pouco conhecidas que ajudam a entender a formação da capital mineira. Isso porque o Cemitério do Bonfim reúne túmulos e obras assinadas por artistas estrangeiros, especialmente italianos.

Consequentemente, o espaço revela marcas da presença imigrante não apenas nas lápides, mas também nos estilos artísticos que vão da Belle Époque ao Art Déco.

Ao mesmo tempo, o roteiro evidencia como essas trajetórias individuais se conectam à construção coletiva da cidade, ampliando o olhar sobre quem ajudou a erguer BH.

Um museu a céu aberto

Fundado em 1897, antes da inauguração oficial da capital, o Bonfim é considerado o cemitério mais antigo da cidade. Além disso, seu traçado segue o mesmo planejamento urbano da capital, com alamedas organizadas e quadras bem definidas.

Com o passar dos anos, o local se consolidou como um verdadeiro museu a céu aberto. Por lá, estão sepultadas personalidades que marcaram a história de Minas Gerais, ao lado de cidadãos anônimos que também compõem a memória coletiva.

Como participar da visita guiada

A visita é gratuita e aberta ao público, mas exige inscrição prévia devido ao número limitado de vagas.

  • Quando: último domingo de cada mês (edição de abril com tema sobre imigrantes)
  • Vagas: 40 participantes
  • Onde: Rua Bonfim, 1.120 – Bairro Bonfim

As inscrições podem ser feitas pelo Portal de Serviços da Prefeitura de Belo Horizonte, além de e-mail e telefone disponibilizados pela organização.

Dica para aproveitar melhor

Para garantir uma boa experiência, recomenda-se o uso de roupas confortáveis, além de levar água e proteção contra o sol. Afinal, o trajeto percorre diferentes áreas do cemitério.

Datas e próximos temas

  • 26/04   A trajetória das pessoas imigrantes no Bonfim
  • 31/05   As pessoas profissionais da saúde: memória e história
  • 28/06   Signos e símbolos no Bonfim
  • 26/07   Esporte e esportistas no Bonfim
  • 30/08   Religião e religiosidade no Bonfim
  • 27/09   Paisagem e a leituras e interpretações do espaço cemiterial
  • 18/10   Personalidades políticas no Bonfim
  • 29/11   Arte e artistas no espaço cemiterial