Cultura

Projeto Estação transforma a Estrada de Ferro Vitória a Minas em território de memória

Projeto Estação percorre a Estrada de Ferro Vitória a Minas até 2028 e transforma memórias ferroviárias em arte, fotografia e audiovisual com protagonismo jovem


Créditos da imagem: Reprodução / Estação Art
Jovens participantes do Projeto Estação registram histórias e memórias das comunidades ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas por meio da fotografia e do audiovisual Jovens participantes do Projeto Estação registram histórias e memórias das comunidades ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas por meio da fotografia e do audiovisual

Maria Clara Landim

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14/01/26 às 11:13 - Atualizado em 15/01/26 às 12:38
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Centenária e fundamental para a história do país, a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) ganha um novo significado ao se tornar eixo de um projeto que vai além do transporte de cargas e passageiros. Até 2028, o Projeto Estação percorrerá 905 quilômetros da ferrovia visando resgatar, registrar e eternizar as memórias de 30 comunidades, utilizando a fotografia e o audiovisual como ferramentas de transformação social.


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Realizada pela HORUS Planejamento e Gestão, com apoio da Vale e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a iniciativa aposta na democratização do acesso à arte e na valorização do patrimônio imaterial das cidades cortadas pelos trilhos. Desde o primeiro ano, o projeto já mobilizou 80 jovens mineiros, que passaram a registrar o cotidiano ferroviário por meio das lentes de seus próprios celulares.

Arte, juventude e pertencimento

Ao longo da primeira etapa, jovens entre 16 e 25 anos, vindos de cidades como Belo Horizonte, Itabira e João Monlevade, produziram 240 fotografias. O resultado desse processo criativo deu origem a sete instalações artísticas, montadas em escolas, praças e estações ferroviárias.

Dessa forma, espaços do cotidiano foram ressignificados e transformados em galerias a céu aberto, como nos muros de Barão de Cocais e no interior da Estação Ferroviária, no centro de Belo Horizonte. Mais do que expor imagens, o projeto cria encontros entre arte, território e memória coletiva.

Segundo a coordenação do Projeto Estação, a proposta é incentivar o olhar sensível da juventude e ampliar as vozes das comunidades que vivem no entorno da ferrovia, reconhecendo a EFVM como um espaço de vivência, afeto e identidade cultural.

Histórias reais que seguem pelos trilhos

Diferente de produções ficcionais, o Projeto Estação se ancora na chamada “poética do real”, reunindo narrativas construídas a partir das experiências de quem vive ou viveu a ferrovia. Entre elas estão trajetórias de trabalhadores e moradores que mantêm vínculos profundos com os trilhos.



Histórias como a de ferroviários que dedicaram décadas à EFVM ajudam a revelar a dimensão afetiva da estrada, responsável por transportar mais de 8 milhões de passageiros por década. Essas memórias, agora registradas em imagens e vídeos, passam a integrar um acervo coletivo que preserva experiências muitas vezes invisibilizadas pelo tempo.

Diversidade como eixo do projeto

Além do impacto artístico e cultural, o Projeto Estação também se destaca pelos indicadores de inclusão. Do total de inscritos nas atividades, 69% são mulheres e 67% se autodeclaram pessoas negras, números que reforçam o compromisso com a diversidade e com a ampliação do acesso às políticas culturais.

Esse recorte se reflete tanto na participação dos jovens quanto nas histórias narradas, contribuindo para uma representação mais plural das comunidades ferroviárias.

Próximos passos até 2028

Após a circulação de exposições no Circuito Liberdade e o lançamento de uma galeria virtual, o projeto segue com um plano de expansão estruturado até 2028. Entre os próximos objetivos estão:

  • Expansão territorial: visita a outras 23 comunidades ao longo do eixo Vitória–Minas;
  • Formação continuada: manutenção das oficinas teóricas e práticas voltadas a jovens locais;
  • Acesso democrático: fortalecimento da plataforma digital como acervo da memória ferroviária nacional.

Ao longo de 2026 e 2027, novas cidades mineiras entrarão no percurso do projeto. Já em 2028, a iniciativa chegará ao Espírito Santo, completando o trajeto da Estrada de Ferro Vitória a Minas.



Um território vivo de memória e futuro

Com quatro anos de execução, o Projeto Estação se consolida como uma ação que integra educação, arte e memória, conectando fotografia, audiovisual, instalações urbanas e exposições de artes visuais. Ao transformar a ferrovia em um território vivo, a iniciativa propõe que desenvolvimento econômico e valorização das identidades locais caminhem juntos.