Gastronomia

Festival Fartura é sucesso em seu primeiro dia

Variedade e organização é o que chama atenção no evento


Créditos da imagem: Camila de Ávila
Festival Fartura enche a Praça José Mendes Junior de sabor

Redação - SouBH

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21/01/15 às 19:28 - Atualizado em 06/02/26 às 16:51
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Por Camila de Ávila, jornalista Sou BH

“E se fartar!”. Essa é ideia da
primeira edição do Festival Fartura BH, que acontece hoje (27) e amanhã (28), de 12h às 20h, na Praça José Mendes Junior, no Circuito Cultural Praça da Liberdade. Sábado de sol,
um local arborizado, com música e comida de todos os cantos do país, em
especial de Belo Horizonte e Minas estão à disposição para
degustação.

O público pode experimentar o famoso fígado acebolado
com jiló do Mercado Central em um dos estandes mais concorridos do festival. Ilmar
Antônio de Jesus, chef do Casa Cheia, restaurante do mercado que faz a mais
antiga receita do prato, diz que “o dia em que você comer o nosso fígado
acebolado com jiló, você vai gostar”.

Em
meados da década de 1950, os carregadores do Mercado Central (que na época era a
Ceasa da capital) comiam pé de porco. Um dia, um dos carregadores teve a ideia
de colocar jiló cozinhando junto com o pé de porco. “Cozinhou junto e deu certo”,
afirma Ilmar que acredita que a carne mudou para o fígado por ser mais
acessível.  A cebola foi incorporada à receita apenas para dar mais sabor. Tem
um jeito certo de comer, de acordo com o chef, “tem que espetar o fígado, junto
com o jiló e com a cebola, aí sim dá certo”, explica.

Há 38 anos no Mercado Central, o
Casa Cheia atende, de acordo com o chef, de 800 a mil pessoas por dia. “Todo
mundo vai atrás do fígado acebolado com jiló que é uma receita nossa, de Belo
Horizonte”, afirma. Em março desse ano, o Casa Cheia abriu uma filial na Savassi
mantendo o carro chefe do estabelecimento o fígado acebolado com jiló.

A faturista Alessandra Nogueira
Marra, que estava no Fartura acompanhada de sua amiga Miriam Silva Porfírio,
personal stylist, disse que adora o prato. “Sou botequeira né? E não tem botequeiro
que não coma fígado acebolado com jiló. Minha mãe tenta fazer, mas não dá certo”,
conta. Miriam não é tão botequeira assim. “Eu vim para experimentar de tudo,
comecei com pão-de-queijo com linguiça, passei pelo fígado acebolado com
jiló, e agora estou na coxinha do Léo”, relata.

A Coxinha do Léo é outra delícia típica de BH. A coxinha com catupiry surgiu no bairro da Graça, região Leste da capital mineira, João Mendes Ribeiro, sócio-proprietário da marca, conta
que Léo saia de porta e porta vendendo a iguaria. “Depois de começar a fazer
sucesso ele abriu na porta da garagem para vender. A fama foi crescendo por
meio do boca a boca e aí ele abriu um barzinho”, conta.

O diferencial da receita é que o requeijão
utilizado por eles não derrete, se mistura aos outros ingredientes.
Outra característica é que é feito de forma artesanal, ou seja,
nenhuma coxinha é igual a outra, pois são moldadas manualmente.O estabelecimento conta com uma
carta de vinhos com chilenos, argentinos e nacionais. “De uns tempos para cá as pessoas passaram a pedir vinho para acompanhar
a coxinha”, conta.

Outra delícia que pode ser degustada
no Festival Fartura BH é o pastel de angu com carne de sol. Há sete anos, Márcia
Nunes abriu em frente ao restaurante Dona Lucinha, o Armazém Dona Lucinha. “Trouxe o pastel de angu que não é o da região do Serro, nem de Conceição do
Mato Dentro, é a união das receitas com o incremento da carne de sol do norte
de Minas”, explica. Márcia diz que o que é mais interessante neste pastel de
angu é que ele vem carregado de história e tradição. “Quando você come o nosso
pastel de angu logo se lembra da sua infância, das receitas de sua avó, da
simplicidade do mineiro. Nosso pastel tem sabor de história”, afirma. “É uma
receita, mesmo que misturada, muito tradicional. Não criamos novas receitas,
mas oferecemos um caldeirão de cultura”, ressalta.

Para sobremesa o Festival Fartura
oferece o legítimo rocambole de Lagoa Dourada. Uma receita de família que
ganhou a região do Campo das Vertentes e muitas outras. “Todo mundo que vai passear
por São João del Rei e Tiradentes, passa pela loja e leva um rocambole”, conta
Marise Coimbra Carazza do Líbano, proprietária da marca. 

Talvez o rocambole faça tanto
sucesso por ser uma prova de amor entre irmãos. O primeiro foi feito pelo descendente de libanês Miguel Youssef, que fazia o doce uma vez por semana para ser vendido
em seu bar.  Depois de uns anos, os filhos
assumiram o estabelecimento, mas os negócios não iam bem. Paulo Miguel, um dos
filhos que morava em São Paulo, decidiu largar tudo na capital paulista e
investir no bar e ajudar os irmãos que passavam por dificuldade. Ele criou o Bar
e Hotel Glória que tinha uma embalagem especial que permitia ao cliente levar o
rocambole e a demanda aumentou. Paulo morreu subitamente de ataque cardíaco e
depois disso os negócios desandaram novamente. Depois de muitos anos, um de
seus filhos, Ricardo Youssef do Líbano, assumiu os negócios e espalhou placas
pela região com os dizeres “O Legítimo Rocambole de Lagoa Dourada” foi um sucesso.
O negócio voltou a ser bem sucedido. Ricardo morreu aos 33 anos vítima de uma
descarga elétrica e Marise, sua esposa desde então está adiante dos negócios e
do rocambole que é um sucesso.

A comilança

O arquiteto Luiz Henrique e o
advogado Luciano Pacheco chegaram ao festival dispostos a experimentar. “Gosto
de comida e tudo me interessa. Mas não saio daqui sem comer o costelão de
Tiradentes”, afirmou Luciano. “A comida junta as pessoas, é uma oportunidade de
reunir os amigos”, constatou Luiz.

O casal de comerciantes Marlene
Molinário e Roberto Siqueira estavam dispostos a experimentar muita coisa. “Quero
comer o pastel de São Paulo, tão famoso, né?”, disse Marlene. Já Roberto começou
pelo fígado acebolado com jiló. “Cheguei aqui com fome e adoro essa receita”,
contou.

Para as crianças

A pequena Larissa Gomes Ferreira
de um ano e nove meses estava fazendo a festa com seus pais Régis Ferreira
Lúcio e Roberta Santos Gomes, ambos administradores. Eles disseram sobre a importância
da criança nesses festivais. “Hoje em dia as crianças comem muito mal. A
Larissa não, ela come de tudo. Isso é uma experiência para ela. Conhecer a
comida”, afirmou o pai. Roberta ressaltou a organização. “Aqui está uma
delícia, o festival está muito bem organizado, sem filas, um ambiente agradável
para quem tem filhos pequenos”.