Presente no dia a dia de todos os brasileiros, o nome do queijo famoso gera dúvidas; veja a forma correta recomendada pela Academia de Letras
O popular queijo que divide opiniões sobre ortografia é ingrediente-chave em diversas receitas da culinária brasileira
Pizzarias, padarias e restaurantes de todo o Brasil estampam diariamente uma das maiores dúvidas ortográficas da culinária nacional. Presente no topo de pizzas, recheios de salgados e lanches rápidos, o queijo mais consumido no país divide clientes e comerciantes: afinal, a grafia correta é muçarela ou mussarela?
A resposta oficial da Academia Brasileira de Letras contraria o hábito da maioria dos estabelecimentos comerciais. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), instrumento de referência mantido pela instituição, registra como forma padrão muçarela, grafada com cedilha. O órgão e os principais dicionários também reconhecem as variantes mozarela – grafia mais próxima do italiano e comum em Portugal – e muzarela como opções válidas no país.
A razão da grafia com cedilha envolve a história linguística da palavra. O derivado lácteo surgiu na Itália sob o nome original de mozzarella. No processo de aportuguesamento de termos italianos que contêm as letras z duplas, o sistema ortográfico da língua portuguesa recomenda a substituição pelo c cedilhado.
Esse fenômeno fonético ocorreu com diversos outros vocábulos incorporados ao vocabulário de língua portuguesa ao longo dos séculos. Exemplos clássicos mostram essa adaptação direta na estrutura das palavras:
A palavra italiana piazza originou o termo praça.
O vocábulo italiano carrozza converteu-se em carroça.
O termo italiano palazzo deu origem a palácio na língua portuguesa.
Mesmo com a regra bem delimitada pelos gramáticos, a escrita com dois esses domina vitrines, anúncios e embalagens industriais em todo o país. A versão com ss surgiu pela simples associação auditiva, já que o som das duas letras corresponde fielmente à pronúncia falada no cotidiano.
Dicionários modernos e portais educativos destacam que a versão com dois esses não possui respaldo oficial nas normas ortográficas vigentes. Apesar disso, a força do uso diário faz com que o termo seja amplamente tolerado em conversas informais, cardápios de bares e redes sociais.
Para quem escreve redações escolares, relatórios corporativos ou provas de concursos públicos, o rigor ortográfico continua indispensável. Avaliadores consideram apenas as formas oficiais como acertos gramaticais, tratando a grafia com dois esses como desvio da norma-padrão do idioma.
A preferência pelo ingrediente segue incontestável nas cozinhas brasileiras, combinando tradição e sabor em receitas que vão de lanches rápidos a massas artesanais. Saber a escrita exata garante precisão tanto no momento de produzir um material de divulgação quanto na hora de redigir textos formais.