Muito além dos restaurantes famosos; conheça outros estabelecimentos que resistem ao tempo e guardam as memórias e os sabores da capital mineira
A icônica entrada do Mercado Central de Belo Horizonte, ponto tradicional de encontro e gastronomia na capital mineira, como destacado na matéria.
Caminhar pelo centro de Belo Horizonte é como folhear um livro de histórias, e alguns dos melhores capítulos são contados em mesas de botecos e balcões de cafés. Em meio à agitação da capital mineira, estabelecimentos resistem ao tempo e se tornam verdadeiros portais para o passado, oferecendo sabores que marcam a memória da cidade.
Para quem busca essa experiência, que vai muito além de uma simples refeição, um roteiro por esses espaços é um convite a se conectar com a alma belo-horizontina. São locais que preservam não apenas receitas, mas também a atmosfera de outras épocas, frequentados por gerações de moradores e agora descobertos por novos públicos.
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Um ponto de partida clássico é o Café Nice, na movimentada Avenida Afonso Pena, próximo à Praça Sete. Desde 1939, o local é uma vitrine para o ritmo do hipercentro. Sentar em uma de suas mesas é a oportunidade perfeita para observar o movimento enquanto se aprecia um café coado na hora acompanhado de um pão de queijo ou um dos tradicionais salgados da casa.
A poucos metros dali, o Café Palhares é outra instituição. Famoso por ter criado o prato “Kaol“, uma sigla para cachaça, arroz, ovo e linguiça, o estabelecimento fundado em 1938 é um símbolo da gastronomia democrática. No balcão ou nas poucas mesas, pessoas de todos os tipos se reúnem para saborear a iguaria que alimenta a cidade há décadas.
Nenhum roteiro pelo centro estaria completo sem uma visita ao Mercado Central. Lá dentro, o Bar da Lora se destaca como um dos pontos mais icônicos e disputados. A fama do seu fígado acebolado com jiló atravessa gerações e atrai uma multidão, que se acotovela no balcão para provar o tira-gosto servido com cerveja gelada, em meio ao barulho e à energia contagiante do mercado.
Saindo da agitação do mercado, a poucos quarteirões, a tradição continua no icônico Edifício Maletta. Ali funciona a Cantina do Lucas, um restaurante que é patrimônio cultural da cidade desde 1962. Com seus garçons de gravata borboleta e um ambiente que parece ter parado no tempo, o local é famoso pelo filé à parmegiana e por ter sido ponto de encontro de gerações de artistas e intelectuais, mantendo viva a alma boêmia de BH.