saúde

UFMG testa vacina brasileira contra a malária em humanos

Desenvolvido pela UFMG, imunizante inédito no mundo mira o parasita predominante no país e inicia fase de testes clínicos em voluntários


Créditos da imagem: Reprodução/CTVacinas
Vacina brasileira contra a malária desenvolvida pela UFMG A Vivaxin, vacina brasileira contra a malária desenvolvida pela UFMG e parceiros, terá testes em humanos autorizados pela Anvisa

Ana Clara Parreiras

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09/10/26 às 14:33 - Atualizado em 09/10/26 às 14:39
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta quarta-feira (7/10), os testes em humanos de uma vacina brasileira contra a malária. Desenvolvido pelo CTVacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália, o imunizante é voltado ao combate ao Plasmodium vivax, espécie de parasita predominante no Brasil.

Os estudos clínicos serão conduzidos pelo Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte. Atualmente, não existe vacina contra o P. vivax disponível para uso na população.



A espécie também tem presença expressiva em outras regiões fora da África, especialmente nas Américas e na Ásia. As duas vacinas contra a malária recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M, foram desenvolvidas para combater outra espécie do parasita, a P. falciparum.

Vacina contra a malária pode ajudar a eliminar a doença até 2035

O Plano Nacional de Eliminação da Malária estabelece como meta acabar com a transmissão local da infecção até 2035. A vacina brasileira contra o P. vivax poderá integrar as estratégias de diagnóstico, tratamento e controle do mosquito transmissor.

O coordenador do CTVacinas e professor da UFMG, Ricardo Gazzinelli, destacou o potencial do imunizante para o país e para outras regiões do continente. Segundo ele, a vacina pode contribuir para eliminar a malária do território brasileiro e da América Latina, além de ter potencial de mercado na Ásia.

Testes da Vivaxin terão três dosagens

A autorização foi concedida por meio da Resolução-RE 3.956, de 6 de outubro de 2026. A decisão deferiu duas petições do CTVacinas relacionadas à Vivaxin: o processo de pesquisa clínica e o dossiê de desenvolvimento clínico do medicamento.

A primeira fase do estudo vai produzir evidências sobre a segurança e o comportamento da vacina em humanos. Os resultados ajudarão a orientar as próximas etapas do desenvolvimento.

O diretor científico do CTVacinas, professor da UFMG e coordenador dos testes clínicos da Vivaxin e da SpiN-TEC, Helton Santiago, explicou que a pesquisa será realizada com pessoas que não tiveram infecção prévia por malária. O estudo avaliará três dosagens da candidata, com participantes distribuídos em grupos que receberão a Vivaxin ou placebo.

O protocolo prevê três aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas. A pesquisa deverá contar com 48 voluntários, com idades entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção por malária.