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Cirurgia robótica em criança reúne médicos de três estados em Minas Gerais

Cirurgia robótica pediátrica da Rede Mater Dei reuniu médicos de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná em decisões clínicas em tempo real


Créditos da imagem: Divulgação
Cirurgia robótica realizada pela Rede Mater Dei contou com a participação, por telepresença, de especialistas de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná Cirurgia robótica realizada pela Rede Mater Dei contou com a participação, por telepresença, de especialistas de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná

Maria Clara Landim

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31/08/26 às 10:47
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A tecnologia permitiu que médicos de três estados participassem, em tempo real, das decisões de uma cirurgia robótica realizada em Minas Gerais. O procedimento, conduzido pela Rede Mater Dei de Saúde, marcou a primeira experiência no Estado com um modelo de decisão clínica compartilhada à distância durante uma cirurgia robótica.

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A equipe realizou uma timectomia robótica em uma criança de nove anos diagnosticada com miastenia gravis. Por meio de uma tecnologia de telepresença integrada à plataforma robótica, especialistas que estavam no Rio de Janeiro e no Paraná acompanharam o procedimento e contribuíram diretamente para as decisões tomadas durante a operação.

Assim, a experiência foi além do modelo tradicional de segunda opinião médica. Em vez de consultar outros profissionais antes ou depois da cirurgia, a equipe conseguiu discutir condutas e estratégias enquanto o procedimento acontecia.

Especialistas participaram da cirurgia mesmo à distância

O cirurgião torácico da Rede Mater Dei, Dr. Daniel Bonomi, comandou o procedimento em Minas Gerais. Também participaram presencialmente os cirurgiões pediátricos Dr. Marco Antônio Gomes e Dr. Andrey Pimenta.

Ao mesmo tempo, os especialistas Dr. Paulo Boscardim, de Curitiba (PR), e Dr. Márcio Oliveira Lucas, do Rio de Janeiro (RJ), participaram das discussões clínicas por meio da telepresença.

Dessa maneira, profissionais que estavam fisicamente distantes puderam atuar de forma integrada à equipe presente no centro cirúrgico.

“A telepresença nos permitiu observar o procedimento em tempo real, discutir condutas e compartilhar estratégias como se estivéssemos no mesmo ambiente cirúrgico”, explica o cirurgião torácico Dr. Paulo Boscardim.

Segundo o especialista, a tecnologia também pode ampliar as possibilidades de ensino e de troca de conhecimento entre equipes médicas. Além disso, a ferramenta favorece a discussão de casos considerados complexos e permite que profissionais de diferentes centros compartilhem experiências durante os procedimentos.

Cirurgia robótica foi realizada em paciente pediátrico

A criança passou por uma timectomia, cirurgia que remove o timo, glândula localizada na parte anterior do tórax. O órgão tem papel importante no desenvolvimento do sistema imunológico durante a infância.

No caso de pacientes com miastenia gravis, doença autoimune que provoca fraqueza muscular, a retirada do timo pode contribuir para a melhora do quadro em determinados casos.

A equipe escolheu a abordagem robótica como alternativa menos invasiva à cirurgia aberta. Para isso, utilizou a plataforma da Vinci, que permite ao cirurgião controlar instrumentos articulados a partir de um console.

A técnica também proporciona visão tridimensional ampliada da área operada e exige apenas pequenas incisões. Em pacientes pediátricos, esses recursos podem ser especialmente relevantes, já que o espaço reduzido da cavidade torácica exige movimentos precisos.

“A cirurgia robótica já representa um avanço importante por proporcionar menor trauma cirúrgico e recuperação mais rápida. Em crianças, esses benefícios ganham ainda mais relevância porque trabalhamos em um espaço muito reduzido, o que exige extrema delicadeza dos movimentos”, afirma o Dr. Daniel Bonomi.

Telepresença aproxima especialistas de diferentes regiões

A experiência realizada em Minas Gerais mostra uma possibilidade de ampliar a colaboração entre equipes médicas que estão em diferentes localidades. Com a conexão em tempo real, especialistas podem contribuir com conhecimento específico mesmo sem estar fisicamente no hospital.

Esse modelo pode ser especialmente útil em procedimentos de alta complexidade ou em casos que exigem conhecimentos especializados. Além disso, a tecnologia pode aproximar centros médicos e facilitar a troca de experiências entre profissionais.

No caso da criança operada pela Rede Mater Dei, a indicação da cirurgia ocorreu após a avaliação da especialista responsável pelo acompanhamento da doença. A família buscou uma alternativa menos invasiva e optou pelo procedimento robótico.

“Evitar uma cirurgia aberta em uma criança tão pequena nos trouxe mais tranquilidade. Tivemos o receio natural de qualquer cirurgia, mas confiamos plenamente na equipe e na tecnologia utilizada”, relata Priscilla Avelar, mãe do paciente.

Tecnologia pode mudar colaboração entre equipes médicas

A combinação entre cirurgia robótica e telepresença abre espaço para um novo modelo de atuação na medicina. Nesse formato, profissionais de diferentes localidades conseguem discutir decisões clínicas durante o próprio procedimento.

Além de ampliar o acesso a especialistas, a tecnologia pode contribuir para a formação médica e para a disseminação de técnicas entre instituições.

A experiência da Rede Mater Dei, portanto, representa um passo na utilização de recursos digitais para integrar equipes e conhecimento médico. A expectativa é que soluções semelhantes ganhem espaço em hospitais que realizam procedimentos de alta complexidade.