Cultura

Artista transforma cidade de Minas em galeria de arte a céu aberto

Exposição “Rio Que Grita” ocupa ruas, parques e espaços públicos de São Gonçalo do Sapucaí com obras inspiradas em memórias, causos e histórias locais


Créditos da imagem: Markokobal
Vista elevada de São Gonçalo do Sapucaí, com edifícios, igrejas, chaminé industrial e morros São Gonçalo do Sapucaí, palco da exposição 'Rio Que Grita', celebra suas origens e memórias locais

Vanessa Alves

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14/07/26 às 14:34 - Atualizado em 14/07/26 às 14:40
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A cidade de São Gonçalo do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais, vai se transformar em uma galeria de arte a céu aberto a partir deste sábado (11). A exposição “Rio Que Grita”, da artista, educadora e historiadora Joyce Ribeiro, espalha obras por diferentes pontos do município e convida moradores e visitantes a conhecerem novas formas de olhar para as histórias da região.

A mostra reúne fotografias, vídeos, cerâmicas, escritos, ações urbanas e contações de histórias inspiradas em objetos do cotidiano, causos caipiras e referências da cidade natal da artista. A exposição fica aberta até 9 de agosto e tem programação gratuita com oficinas, rodas de conversa, mediações culturais e percursos guiados.

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Esta é a primeira exposição individual de Joyce Ribeiro em São Gonçalo do Sapucaí. O projeto é resultado da pesquisa “Bageira”, desenvolvida pela artista durante seis anos para investigar formas de convivência, memória e produção artística no interior de Minas.

A proposta também questiona a concentração do circuito de arte contemporânea nos grandes centros urbanos. Segundo Joyce, o objetivo não é levar arte para o interior, mas mostrar que ela já existe nesses territórios.

“Bageira não é sobre levar arte para o interior, mas afirmar que a arte já está lá”, destaca a artista.

A árvore que virou canoa

A inspiração do projeto vem da Bageira, uma árvore que existia na região central de São Gonçalo do Sapucaí e que foi retirada em 1956. Mesmo desaparecida fisicamente, ela continuou presente nas histórias e lembranças dos moradores.

Na narrativa criada por Joyce, a árvore ganhou um novo destino: depois de morrer, teria se transformado em uma canoa para navegar pelo rio Sapucaí.

O nome da exposição também faz referência ao território. De origem tupi-guarani, Sapucaí pode ser traduzido como “rio que grita” ou “rio que canta”, em referência aos sons produzidos pelas sementes da árvore sapucaia ao caírem na água.

Obras construídas com a cidade

Parte das obras nasceu a partir da interação da artista com a comunidade. Na ação “Profundo”, realizada no Lago Piscina, antigo espaço de mineração transformado em parque, Joyce colocou uma boia de mergulho na água e contou com a ajuda de moradores para realizar o trabalho.

Em outro momento, o caminhoneiro Reinaldo Massei, conhecido como Sr. Branco, emprestou o para-barro do caminhão para que a artista pintasse a frase “Rio Que Grita”. Ele também assumiu o compromisso de divulgar pelas estradas do país o significado do nome Sapucaí.

Para o curador Nilton Campos, a exposição faz com que a própria cidade participe da construção artística ao estimular os moradores a refletirem sobre suas origens e referências.

“A cidade participa”, resume o artista Enrico Rocha no texto de apresentação da mostra.

Serviço

Exposição: Rio Que Grita
Abertura: sábado (11 de julho de 2026), das 10h às 13h
Período: 11 de julho a 9 de agosto de 2026
Local: São Gonçalo do Sapucaí (MG)
Classificação: livre
Entrada: gratuita