Especialistas explicam os sinais de alerta da doença, como funciona o diagnóstico precoce e os tratamentos avançados disponíveis na saúde
Entenda como o câncer, como o linfoma, afeta o sistema linfático do corpo humano
O cantor baiano Netinho morreu nesta terça-feira, em Salvador, aos 60 anos, em decorrência de complicações de um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que atinge o sistema linfático. Conhecido nacionalmente como uma das grandes vozes do axé nos anos 1990 e intérprete do clássico “Milla”, o artista enfrentava a enfermidade nos últimos meses. O quadro clínico trouxe à tona dúvidas sobre o funcionamento dessa parte vital do corpo humano e os perigos ligados ao desenvolvimento de tumores na região.
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O sistema linfático integra a rede de defesas do organismo e atua no combate a infecções. Ele reúne vasos, tecidos e pequenos órgãos chamados linfonodos ou gânglios, espalhados por áreas como pescoço, axilas, virilha e tórax. Quando as células de defesa sofrem mutações genéticas e passam a se multiplicar sem controle, surge o tumor conhecido clinicamente como linfoma.
Existem dezenas de subtipos dessa condição, divididos principalmente entre linfomas de Hodgkin e linfomas não Hodgkin. Cada classificação exige abordagens terapêuticas distintas, porque o ritmo de avanço celular varia de formas indolentes, de crescimento lento, até variações agressivas que pedem intervenção imediata.
O principal indicativo físico costuma ser o surgimento de ínguas indolores na pele. O aumento de volume nos gânglios pode surgir no pescoço, na região da clavícula ou nas axilas sem apresentar dor ao toque. Esse inchaço persiste por semanas e não regride com o uso de medicamentos comuns para infecções rotineiras.
Outras manifestações merecem atenção imediata quando aparecem combinadas:
febre diária sem causa aparente, geralmente no final da tarde;
suor noturno intenso que chega a molhar as roupas de cama;
perda involuntária de mais de dez por cento do peso corporal;
cansaço extremo e fraqueza contínua nas atividades diárias;
coceira persistente pelo corpo sem lesões visíveis na pele.
A confirmação do quadro exige a retirada de uma pequena amostra do gânglio alterado para análise em laboratório. A biópsia define o tipo exato das células doentes. Exames de imagem como tomografia computadorizada e tomografia por emissão de pósitrons avaliam a extensão do tumor por outros órgãos do corpo.
A medicina disponibiliza diferentes recursos para conter o avanço das células anormais. O tratamento pode envolver quimioterapia convencional para destruir as células cancerosas e imunoterapia, recurso que capacita o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater a doença.
Em determinadas situações, a radioterapia atua localmente para reduzir lesões específicas. Casos mais complexos ou recidivas podem demandar transplante de células-tronco para restaurar a medula óssea. O acesso rápido aos exames e o início tempestivo dos protocolos ampliam as possibilidades de remissão completa da enfermidade.