Variedades

O romance infantil de Jorge Amado

Baseado em texto do escritor baiano, “O gato malhado e a andorinha Sinhá” está em cartaz até dia 19


Créditos da imagem: Divulgação
Peça inspirada no texto de Jorge Amado é encenada no Teatro da Assembleia

Redação - SouBH

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21/01/15 às 19:52 - Atualizado em 06/02/26 às 16:51
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Por Camila de Ávila, jornalista Sou BH

Todo mundo conhece Jorge Amado por
conta de suas mulheres sedutoras, sensuais e com um tempero que só a Bahia
consegue inebriar em alguém. Mas o autor de clássicos como Tieta, Gabriela e
Tereza Batista também escreveu para os pequenos. A peça inspirada no texto do
baiano, “O gato malhado e a andorinha Sinhá”, fica em cartaz até o dia 19 de
outubro no Teatro da Assembleia (Rua Rodrigues Caldas, 30 – Santo Agostinho),
sempre às 16h nos fins de semana.

O texto foi escrito por Amado em
Paris, em 1948, quando o escritor morava lá com sua esposa, Zélia Gatai, e seu
filho, que contava apenas um ano, João Jorge. O texto foi um presente. A
história ficou sumida até 1976, quando João, já com seus 29 anos, encontrou o
escrito e colocou à baila.

Depois de ver ilustrada, a pedido de
João Jorge, pelo artista plástico Hector Júlio Páride Bernabó, o Carybé, as
folhas datilografadas de 1948, Jorge Amado achou que seria interessante publicar
a história feita para seu filho. No prefácio da pequena obra (entende-se como
pequena obra por ser dedicada aos pequenos leitores), Amado faz a humilde
recomendação: “se o texto não paga a pena, em troca não tem preço que possa
pagar as aquarelas de Carybé”.

O texto foi publicado pela primeira
vez pela editora Record em 1976, da mesma forma como foi escrito em 1948, ou
seja, Jorge não mexeu em nenhuma vírgula, como alertou no prefácio da
publicação. “O texto é editado como o escrevi em Paris, há quase trinta anos.
Se fosse bulir nele, teria de reestruturá-lo por completo, fazendo-o perder sua
única qualidade: a de ter sido escrito simplesmente pelo prazer de escrevê-lo,
sem nenhuma obrigação de público e de editor.”

A história de Amado para as crianças é
uma epopeia de amor. O livro e o espetáculo mostram o romance entre um gato
malhado mal humorado e uma adorável andorinha que, apesar de compartilharem o
mesmo ambiente, veem sua história de amor fadada ao fracasso devido às
diferenças de espécie.

Jorge Amado sempre foi um pensador da
sociedade e percebe-se no texto de O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá uma
observação sobre as questões das relações sociais no que se refere não somente
a sociedade baiana, mas também mundial. Pode-se chegar a essa conclusão devido
a moral da história que afirma que o mundo só vai ser melhor quando as
diferenças forem aceitas. Nas palavras da história: “O mundo só vai prestar
para nele se viver no dia em que a gente vir um gato maltês casar com uma
alegre andorinha, saindo os dois a voar, o noivo e sua noivinha, dom Gato e
dona Andorinha”.

A peça “O Gato Malhado e a Andorinha
Sinhá” fica em cartaz no Teatro da Assembleia (Rua Rodrigues Caldas, 30 – Santo
Agostinho), até o dia 19 de outubro, às 16h nos fins de semana.