Cultura

Pelas lentes de Sebastião Salgado

Em cartaz no Palácio das Artes, exposição Genesis reúne 245 fotografias do fotógrafo mineiro


Créditos da imagem: Divulgação
Sebastião Salgado

Redação - SouBH

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20/01/15 às 19:31 - Atualizado em 06/02/26 às 16:51
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Por Débora Gomes jornalista Sou BH

Até
o dia 24 de agosto, a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard e o Espaço
Mari’Stella Tristão, no Palácio das Artes, apresentam a exposição Genesis de
Sebastião Salgado com entrada franca.

“Fotografar
é colocar na mesma linha: cabeça, olhos e coração”. Ao dizer essa frase, o
fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson não imaginava o quanto ela ecoaria por
diversos cantos. Assim como ao ter seu encontro definitivo com a fotografia, na
década de 1970, Sebastião Salgado também não imaginava o quanto seu trabalho
inspiraria e conquistaria tantos por essa arte.

“Acho
que a primeira vez que eu ouvi o nome do Sebastião Salgado foi em uma aula de
fotografia”, lembra o fotógrafo Paulo César. De lá para cá, o interesse de
Paulo por Salgado cresceu ainda mais depois de adquirir “Terra”, livro que
reúne fotografias tiradas entre 1980 e 1996, retratando a condição de vida de
trabalhadores rurais sem-terra, mendigos, crianças de rua e outros grupos
excluídos no Brasil. “Aí foi amor à primeira vista. Depois disso comecei a
pesquisar mais sobre ele e conhecer um pouco melhor a sua obra, até finalmente
poder ver uma das suas exposições”, conta o fotógrafo, que fez questão de
visitar a exposição em BH.

A
relação de Paulo César com a fotografia, no entanto, é coisa antiga e foi por
meio dela que o fotógrafo descobriu um novo jeito de se expressar. “Um dia na
minha casa me veio um desejo incontrolável de simplesmente sair com a câmera
por aí e registrar algo. Eu não sabia o quê, mas tinha de fazê-lo. E o fiz.
Acho que a partir desse dia a fotografia me acompanha, não só como profissão,
mas como uma necessidade”, conta. 

A
história de Paulo quase se repete com a da estudante de arquitetura Maria Clara
Antunes. A diferença é que a jovem não fotografa profissionalmente, mas já
conhecia alguns trabalhos de Salgado, como “Serra Pelada” e “Êxodos”. “Um amigo
me mostrou o trabalho dele uma vez e comecei a pesquisar porque achei bem
interessante a profundidade das imagens e a verdade que elas passam para quem
tem contato com elas”, explica Maria Clara.

Essa
admiração cresceu ainda mais quando a estudante visitou “Genesis”, exposição
que reúne 245 imagens do fotógrafo mineiro no Palácio das Artes. “É
impressionante como ele consegue capturar tanta beleza e mais impressionante
ainda é poder ter contato com isso tão de perto”, afirma Maria Clara.

Genesis: um outro
olhar sobre o mundo

Sebastião
Salgado tem como marca as fotos em P&B e, em “Genesis”, sua mais recente
exposição (e talvez último grande trabalho do fotógrafo) não é diferente. Em
cartaz até o fim de agosto nas galerias do Palácio das Artes, a série
fotográfica é um registro de uma pesquisa – que começou em 2004 e só teve fim
em 2012 – realizada em cerca de 30 regiões, entre elas o Alasca, a Patagônia, a
Etiópia e a Amazônia.

“As
fotos trazem um tipo de reflexão que não estávamos acostumados a ver em suas
obras”, analisa o fotógrafo Paulo César. Isso porque, um pouco diferente dos
outros trabalhos de Salgado, Genesis explora paisagens, lugares e suas
peculiaridades, mas sem deixar de lado o povo que pertence a alguns deles.

“Os
belíssimos registros da fauna e flora nos dão a sensação de que aqueles ambientes
estão intocados. Que o ser humano nunca passou por ali. Aí que acontece a
grande mágica”, considera Paulo. “Genesis poderia se limitar somente a
registros de paisagens, mas é impossível pensar em um trabalho de Sebastião
Salgado em que não vá existir uma reflexão sobre o ser humano”, completa.

A
exposição fica em cartaz até o dia 24 de agosto, com visitações gratuitas de
terça-feira a sábado, das 9h30 às 21h; e domingo, das 16h às 21h.