Exposição reúne aquarelas feitas por artista para retratar cotidiano da capital
Por Débora Gomes jornalista Sou BH
Espaço Cultural Otto Cirne na Associação Médica de Minas Gerais
(Av. João Pinheiro, 161, Centro), até o dia 29 de outubro. A mostra, chamada
“Le Rêve brésilien d’Héloïse”, ou “O sonho brasileiro de Heloïse”, reúne
algumas cenas do cotidiano belo-horizontino sob um olhar francês.
Heloïse
vem de uma família em que a pintura é tradição. “Os desenhos sempre me
acompanharam, me lembro de rabiscar nas margens dos meus caderninhos de escola,
de desenhar nos parques com minha mãe”, conta. Médica psiquiátrica, a artista
mudou-se para o Brasil após se casar com um mineiro, que conheceu na França.
Aqui,
realizou um curso livre de aquarela e começou a participar do Urban Sketchers,
grupo belo-horizontino criado com o propósito do encontro em um espaço público,
e de desenhar a partir da observação. “Tudo é motivo para um desenho”, afirma.
Foi então que Heloïse criou uma página no Facebook e um blog, chamados
“Desenhos de uma francesa no Brasil”, em que compartilha ilustrações do seu cotidiano.
“Passei a desenhar mais, mesmo trabalhando com psiquiatria”, explica.
Segundo
Heloïse, sua intenção com os desenhos é passar um sentimento de encanto da vida
cotidiana. “O que se destaque como engraçado ou lindo e como tudo isso leva a
pessoa a sonhar”, completa. A exposição retrata justamente esses detalhes, sob
o olhar de uma estrangeira. Alguns quadros ilustram também a influência mineira
na França, como as construções de Niemeyer em Paris e na Normandia. “Eu gosto
de desenhar nas ruas para captar o instante, como faria um fotógrafo”, explica
a artista, que produz desenhos também eu seu ateliê.
Outra
parte da exposição sai um pouco do meio urbano e retrata outro lado do
cotidiano da artista: o da psiquiatria. “Essa parte é inspirada nos pensadores
do século passado, que homenageio em desenhos”, explica.
Mesmo
sem conhecer outros estados brasileiros, Heloïse se diz apaixonada por BH.
“Acho o clima bom, fresco à noite, ando de bicicleta nas trilhas durante os
fins de semana”, afirma. E é nesses momentos que a artista encontra a
inspiração para os desenhos. “A arte é algo precioso em nossas vidas e graças a
isso consegui me adaptar melhor as situações cotidianas da imigração”,
completa.
“Espero
que os visitantes da exposição se deixem tocar pelas belezas de Minas Gerais
retratadas e, quem sabe, com essa experiência, encontrem uma ajuda para uma
melhor adaptação ao cotidiano”, convida Heloïse. A mostra fica em cartaz até
dia 29 de outubro. A entrada é franca e as visitações acontecem de segunda a
sexta-feira, das 8h às 22h, e aos sábados, das 8 às 15h.