Cultura

Juçara Marçal apresenta Encarnado no Festival Eletronika

Em seu primeiro disco solo, Juçara Marçal faz um show para ouvidos atentos


Créditos da imagem: Jose de Holanda
Juçara Marçal apresenta no Festival Eletronika, Encarnado, seu mais recente disco

Redação - SouBH

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20/01/15 às 18:28 - Atualizado em 06/02/26 às 16:51
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Por Camila de Ávila jornalista Sou BH

A cantora paulista
Juçara Marçal é a atração da sexta-feira (12), às 21h30, do Festival Eletronika.
O evento acontece no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna (Av. Afonso Pena, 4.001 –
Mangabeiras) até domingo (14). Na ocasião, Juçara apresentará o repertório do
seu primeiro disco solo, “Encarnado”.

Juçara Marçal é uma
cantora que já possui mais de 20 anos de carreira. E apesar de nunca ter tido grande
popularidade, sempre apresentou um trabalho consistente e de qualidade para um
público seleto. Juçara, que é mestra em Literatura com dissertação sobre o
mineiro Pedro Nava e jornalista, apresenta o que ela define como “música
brasileira, canção, autoral e livre”, explica. Ela começou a cantar no CoralUSP,
onde fez suas graduações.

Sua carreira musical se iniciou por meio do grupo
vocal A Barca, em seguida ela passou pelo Vésper Vocal. Com este último gravou
os discos “Flor D’Elis” (1998), produzido por André Magalhães, “180 anos de
samba cantando Adoniran e Noel” (2002) e “Ser tão paulista” (2004), produzido
por Magro Waghabi, do MPB4. O canto à capela está muito presente na carreira de
Juçara, segundo ela, consequências de afinidades. “Tem a ver com esse trajeto,
a partir do canto em coro. Foi consequência das afinidades que fui criando na
busca por me expressar pelo canto. Do CoralUSP, para o Vésper foram as amizades
que fiz que me conduziram e, obviamente as escolhas musicais que acompanhavam a
gente nesses trabalhos”, conta. Juçara ainda fez parte da banda Metá Metá.

Juçara possui voz suave, firme e cheia de vigor. Em
seu primeiro disco solo, “Encarnado”, a tessitura de sua voz é algo que dá o
tempero ao disco. Apesar de ser o primeiro álbum em que está cantando sozinha e
se apresenta assim como artista, ela diz que não sente como se fosse um início
de carreira. “Encarnado é o início de uma nova fase, em que canto e me coloco
diante do trabalho de uma outra maneira: como aquele que propõe a brincadeira
pra turma. Se a turma topa, então a brincadeira vira de todos”, brinca.

O tema central do álbum é a morte e Juçara a
apresenta muito viva. Segundo a cantora, o tema não foi escolhido, mas foi se
apresentando para ela. “Ele (o tema morte) foi se desenhando à medida que o
repertório ia sendo construído. Como se cada canção fosse chamando a seguinte e
a seguinte e, quando vimos, esse tema estava explicitamente comandando o
disco”, explica. Mesmo tratando de um mote tão pesado e tão delicado, o disco
não tem uma pegada mórbida. Juçara aponta a sonoridade do álbum como a
explicação para essa característica do CD. “Talvez não seja pesado por causa da
sonoridade, ou talvez porque antes de falar da morte, falo do estar vivo e dos
tremores que nos movem e comovem”, ressalta.

Quando Juçara veio a BH, no Teatro Bradesco com o
show Metal Metal, da banda Metá Metá, apresentou um show muito intenso e
dançante. O show “Encarnado” é também intenso, porém é para ser ouvido e não
dançado. De acordo com a cantora, cada música é uma cerimônia e é preciso um
jeito específico para apresentar cada uma. Por se tratar de um tema tão
especial, é necessário estar atento. “Encarnado também tem uma intensidade, mas
vai por outro caminho, não é dançante como o Metal Metal é a maior parte do
tempo. As canções do Encarnado pedem olhar e ouvido abertos, provocam por vezes
desconforto. São o corte, a ferida aberta, mas também o bálsamo, o suspiro. São
canções fortes e cada uma é um pequeno rito”, conta.

Festival
Eletronika

Juçara afirma que seu trabalho combina com o
Festival Eletronika devido à experimentalidade das obras expostas no evento. “O
meu trabalho tem essa veia, de certa forma experimental, que lida com a
invenção, com a possibilidade de trespassar os gêneros musicais, apontando para
novas possibilidades. Num festival como o Eletronika, em que as novas
tendências musicais são o foco, creio que a proposta do Encarnado cai como uma
luva. Uma luva encarnada!”.