Cultura

A história por trás dos trilhos do famoso Trem Vitória-Minas

Conheça a importância histórica e cultural da ferrovia que conecta Minas Gerais ao mar, moldando cidades e transportando mais do que passageiros


Créditos da imagem: Divulgação
Locomotiva 1290 cinza e amarela puxa vagões verdes em trilhos, com pessoas e casas ao fundo. A Estrada de Ferro Vitória a Minas, uma das poucas rotas de passageiros de longa distância no país, segue conectando comunidades e paisagens.

Júlia Rhaine Diniz Silva

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08/04/26 às 15:49 - Atualizado em 08/04/26 às 15:51
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Uma viagem que conecta as montanhas de Minas Gerais ao litoral do Espírito Santo sobre trilhos. Essa é a proposta do Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), uma das duas únicas linhas ferroviárias de longa distância no Brasil, junto com a Estrada de Ferro Carajás, que ainda transporta passageiros diariamente. O percurso de 664 quilômetros, que parte de Belo Horizonte e chega a Cariacica, na Grande Vitória, é mais do que um simples deslocamento: é uma imersão na história e na cultura de uma região moldada pela ferrovia.

A história dos trilhos começou no início do século 20 com o objetivo de escoar a produção de café e outras mercadorias do Vale do Rio Doce até o porto. O transporte de minério de ferro só se tornaria sua principal vocação econômica décadas depois, a partir de 1943. Inaugurada em 1904 com seu primeiro trecho, ligando Vitória a municípios capixabas próximos, a EFVM foi fundamental para o desenvolvimento da região, e sua conexão completa até Belo Horizonte só foi concluída décadas mais tarde. O que era uma rota comercial transformou-se em um elo vital para dezenas de comunidades, operada até hoje pela Vale.

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Muitas cidades ao longo do trajeto nasceram e cresceram ao redor das estações de trem. Para diversas localidades, os trilhos eram a principal, e às vezes única, via de acesso ao resto do país. O trem trazia mercadorias, notícias, progresso e, claro, pessoas. Essa conexão profunda entre a ferrovia e a vida local deixou marcas na arquitetura, na economia e nos costumes da população.

Atualmente, a viagem completa dura cerca de 13,5 horas e se consolidou como uma experiência turística única, transportando cerca de 740 mil passageiros em 2023. A composição atravessa paisagens que se transformam a cada quilômetro, revelando a beleza da Mata Atlântica e as curvas do Rio Doce. Para os passageiros, é uma oportunidade de desacelerar e apreciar a jornada, algo cada vez mais raro nos dias de hoje.

Paradas que contam histórias

O trajeto é pontuado por cerca de 30 paradas, algumas em grandes centros urbanos e outras em pequenos vilarejos cheios de charme. Conhecer essas cidades é uma forma de mergulhar ainda mais fundo na cultura regional. Entre as paradas mais notáveis, destacam-se:

  • Governador Valadares: conhecida como a capital mundial do voo livre, a cidade é o principal polo urbano do Vale do Rio Doce. Além da rampa de voo no Pico da Ibituruna, oferece uma boa estrutura de comércio e serviços.
  • Conselheiro Pena: uma cidade tranquila, ideal para quem busca contato com a natureza. A região é cercada por montanhas e belezas naturais, proporcionando um ambiente perfeito para o descanso.
  • Aimorés: localizada na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, a cidade é marcada pela presença do Rio Doce. É conhecida pela Usina Hidrelétrica de Aimorés e por suas paisagens ribeirinhas.

Tags:

bh, trem, Vitória