Entenda os critérios rigorosos usados pelos inspetores anônimos do Guia Michelin para premiar a excelência gastronômica; da qualidade dos ingredientes à criatividade
O emblema do Guia Michelin, símbolo de excelência, reflete o marco histórico da gastronomia brasileira.
Em um marco histórico para a gastronomia da América Latina, o Brasil conquistou em abril de 2026 seus primeiros restaurantes três estrelas no Guia Michelin, com o Evvai e o Tuju, em São Paulo, alcançando a cotação máxima. Com a cena gastronômica do eixo Rio-São Paulo em evidência, surge a pergunta: o que, de fato, faz um restaurante entrar para o seleto grupo de melhores do mundo?
O processo é anônimo e rigoroso, focado exclusivamente no que está no prato. Uma equipe internacional de inspetores do guia visita os estabelecimentos como clientes comuns e paga suas próprias contas. Eles seguem cinco critérios universais, aplicados da mesma forma em Tóquio, Paris ou São Paulo, garantindo um padrão global de excelência.
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Esqueça o luxo do salão, a formalidade do serviço ou o preço dos pratos. Embora esses fatores sejam avaliados com símbolos de talheres, eles não influenciam a conquista das estrelas. A avaliação é puramente gastronômica e se baseia na comida servida.
Para um chef e sua equipe receberem o reconhecimento, precisam se destacar em cinco pontos fundamentais. A consistência é chave, pois a qualidade precisa ser a mesma em todas as visitas dos inspetores.
Qualidade dos ingredientes: a base de tudo. A avaliação considera a frescura, a origem e a excelência da matéria-prima utilizada.
Domínio da técnica e do cozimento: não basta ter um bom produto, é preciso saber prepará-lo com perfeição, respeitando texturas e pontos de cocção.
Harmonia e equilíbrio dos sabores: a combinação dos elementos no prato deve criar uma experiência coesa, surpreendente e memorável.
Personalidade do chef: o prato deve refletir a visão, a criatividade e a identidade do cozinheiro, apresentando uma assinatura única.
Regularidade e consistência: a experiência precisa ser impecável sempre, seja em uma terça-feira ou em um sábado, ao longo de todo o ano.
A classificação por estrelas representa o veredito dos inspetores sobre a qualidade da cozinha de um restaurante. Cada nível tem um significado específico para os viajantes e amantes da boa comida. Além das estrelas, o guia também oferece outras distinções, como o Bib Gourmand (ótima comida a preços moderados) e a Estrela Verde (sustentabilidade).
Uma estrela: uma cozinha requintada e que vale conhecer.
Duas estrelas: uma cozinha excelente, que vale mudar de rota.
Três estrelas: uma cozinha única, que justifica a viagem.
Na edição de 2026, o Brasil conta com 2 restaurantes de três estrelas, 3 de duas estrelas e 19 com uma estrela, consolidando o país como um destino gastronômico de relevância mundial.