Circuito gastronômico terá opções de até R$ 30 e oito endereços estreiam na programação; Sou BH participou de tour especial por alguns dos estabelecimentos selecionados
Bolinho de costela com maionese é uma das opções que podem ser encontradas no Pop Kid durante o Viradão Gastronômico
Em 2026, durante as 24 horas da Virada Cultural de Belo Horizonte, o público poderá conhecer a cidade por meio da gastronomia. O Viradão Gastronômico reúne, nesta edição, 30 estabelecimentos do hipercentro, com pratos e opções de até R$ 30. Entre os participantes, oito endereços integram o circuito pela primeira vez.
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À frente da seleção estão os jornalistas gastronômicos Lorena Martins e Nenel Neto, que unem diferentes olhares sobre a gastronomia do Centro de Belo Horizonte. A proposta é transformar o percurso pelos bares, restaurantes, padarias, lanchonetes e outros estabelecimentos em mais uma forma de vivenciar a cidade durante a Virada.
O Sou BH foi convidado a participar de um tour especial por alguns dos estabelecimentos que integram o circuito, em uma experiência que permitiu conhecer de perto os espaços, os pratos escolhidos e as histórias que fazem parte da seleção. Mais do que montar uma lista de lugares para comer, os curadores buscaram estabelecimentos que tenham relação com a história e com o cotidiano da capital. O trabalho envolve caminhar pelo Centro, observar o movimento, conversar com comerciantes e frequentadores e conhecer de perto os espaços que ajudam a construir a identidade gastronômica da região.
“Quando a gente fala do Viradão Gastronômico, nada mais é do que colocar a comida no mesmo patamar de outras manifestações culturais e artísticas, como a Virada Cultural”, explica Lorena. Segundo ela, a curadoria parte de um recorte geográfico definido pelo mapa de atrações do evento e procura entender quais são os agentes que fazem do Centro um território gastronômico.
“Para fazer essa curadoria, a gente caminha pelo Centro várias vezes, vê uma portinha, entra, come, pergunta, entende, observa, conversa, e é assim que a gente faz uma curadoria”, completa a curadora.
A seleção valoriza comidas presentes na memória afetiva dos belo-horizontinos e mineiros, além de pratos que ganharam características próprias na cidade. Entre eles estão o feijão tropeiro, pão com linguiça, almôndega recheada, macarrão na chapa e mexido.
Cada endereço escolhido carrega uma história, seja pela tradição, pela relação com os moradores do Centro ou pela maneira particular de preparar e apresentar a comida. A intenção é apresentar ao público não apenas pratos, mas também histórias e endereços que fazem parte da dinâmica do Centro.
“Além de destacar a gastronomia de Minas Gerais, a ideia é valorizar os hábitos, sabores e pequenos clássicos do dia a dia que ajudam a contar a história gastronômica de Belo Horizonte”, afirma Lorena.
A escolha dos estabelecimentos também considera o próprio trajeto da Virada Cultural. A ideia é que o público possa sair de uma atração artística e, no caminho, descobrir um restaurante, uma padaria, um boteco ou uma lanchonete participante do circuito.
Esta edição também marca a união das experiências de Lorena e Nenel na seleção. Nenel Neto, que participou das primeiras edições do Viradão, tem uma trajetória ligada à chamada “baixa gastronomia” e ao resgate da importância dos bares e botecos e das histórias por trás de seus pratos.
Lorena, que está à frente da curadoria há cinco anos, como moradora do centro, agrega seu olhar sobre o protagonismo feminino da região e acrescenta à seleção o olhar sobre outras vertentes da gastronomia local, como restaurantes e cafeterias.
A parceria reúne diferentes experiências de quem acompanha a gastronomia de Belo Horizonte de perto e ajuda a ampliar o circuito. Dos 30 participantes, oito aparecem pela primeira vez no Viradão, renovando a seleção sem deixar de lado estabelecimentos que já fazem parte da relação afetiva dos frequentadores do Centro.
Se a proposta é conhecer a gastronomia de perto, o trabalho dos curadores também envolve tempo para experimentar os lugares. E, segundo Lorena, esse acabou sendo um dos maiores desafios da edição. “O nosso maior desafio da curadoria juntos é porque a gente para para beber no lugar e não sai mais de lá. Porque a gente é isso. O problema é gostar muito”, brinca.
A relação com os estabelecimentos não termina na primeira visita. Muitas vezes, é preciso voltar para conferir informações, experimentar novamente um prato ou simplesmente continuar a conversa iniciada anteriormente.
“É um trabalho que a gente gosta, que é prazeroso. Aí a gente tem que voltar. A gente fica muito tempo, fala: ‘Não deu para ir ontem’. Aí a gente desce de novo para o Centro e começa tudo de novo”, relata Neneu.
Para Lorena, essa dinâmica é justamente o que diferencia uma curadoria de uma simples lista de indicações. “Curadoria não é uma lista de lugares, não é uma lista de indicações. É uma lista do que a gente vive, do que a gente acredita e das histórias que estão por trás”, afirma.
A expectativa é que a experiência não fique restrita às 24 horas do evento. Ao apresentar os estabelecimentos ao público, o Viradão também pretende estimular a circulação pelo Centro durante o restante do ano.
“Todos os endereços que integram o circuito continuam à disposição para serem conhecidos e frequentados ao longo do ano. A proposta é valorizar iniciativas locais, fortalecer o comércio do Centro e incentivar que essas histórias continuem sendo revisitadas depois da festa”, afirma Nenel Neto.
Em 2025, cerca de 25 estabelecimentos participaram do Viradão Gastronômico. Neste ano, o circuito chega a 30 endereços e mantém a proposta de aproximar gastronomia, cultura e ocupação urbana. A iniciativa já recebeu reconhecimento internacional e foi indicada pela Condé Nast Traveler como uma das experiências para quem deseja conhecer a gastronomia de Belo Horizonte.
A lista completa dos participantes, endereços e pratos pode ser consultada no aplicativo oficial da Virada Cultural e no site do evento.