Espetáculos como “Z.É. Zenas Emprovisadas” e “220 Volts” trazem o riso para BH em novembro
Por Camila de Ávila jornalista Sou BH
O ser humano é o único animal
capaz de rir e de ver graça nas coisas boas ou ruins. Entendemos as situações e
apresentamos a capacidade de ver nelas um motivo para gargalhar. E, no mês de
novembro, BH recebe peças que tem como mote o riso frouxo, a graça e o “tirar
sarro” da cara do outro. “Z.É. Zenas Emprovisadas”, “Eri Pinta Johnson Borda” e
“220 Volts”. O Sou BH conversou com o
ator Marcelo Adnet, um dos expoentes da nova fase do humor brasileiro sobre
esse jeito de fazer rir.
Atualmente, o humor é feito de um
jeito mais leve e mais livre, sem se prender a textos. Isso começou com o stand up, teatro de humor no qual o
artista fica sozinho no palco fazendo piadas. Essa forma teatral chegou ao
Brasil na década de 1960, mas se popularizou mesmo no início dos anos 2000, com
artistas como Rafinha Bastos, Danilo Gentilli, Bruno Motta e alguns grupos,
como o Comédia em Pé, Comédia ao Vivo e ImproRiso. Marcelo Adnet afirma que a inovação se deu
por causa da internet. “O humor não ficou diferente, o que mudou foi a relação
dele com as pessoas e a internet ajudou nessa
mudança. Ficou mais acessível”,
afirma.
Por estar na internet e ser de fácil
acesso a todos, o limite do humor vem sendo muito debatido. “As pessoas não são
obrigadas a aceitar qualquer piada, e a discussão é saudável girando em torno
de quem faz, quem cria e quem assiste”, explica Adnet. Para ele, há um limite
em fazer comédia. “Acho que não é legal fazer piada sobre o oprimido que está
naquela situação por motivo de força maior e não por uma escolha”, diz. Adnet é
um dos artistas de comédia que nunca sofreram críticas por suas piadas serem de
mau gosto.
O humorista estará em BH no dia
16 de novembro com o espetáculo “Z.É. Zenas Emprovisadas”, acompanhado de
Gregório Duvivier, Fernando Caruso e Rafael Queiroga. Para completar o time do
riso, os artistas ainda convidam o diretor Fernando do Val. “Primeiramente o
Z.É. é uma espetáculo de improvisação, a liberdade da interpretação é o que
comanda”, conta Adnet. O ator explica
que a graça está também no formato. “O legal é que no improviso você vê a
construção da piada. O cara tá nu no palco criando na frente do público. Quando
dá certo é um milagre! Esse tipo de trabalho é para pessoas muito corajosas
porque é um risco muito grande”, explica.
O humorista destaca que este tipo
de humor, o do improviso, necessita de horário para ser realizado. “O humor só
acorda às três da tarde. A partir daí dá para reagir com normalidade. Acredito
que as sete da manhã ainda estamos meio dormindo e não reagimos com a rapidez
que o improviso exige”, diz em meio a risos. Outra importante observação de
Adnet é sobre a bagagem. “O mecanismo para criar improvisações é estar sempre
com o cérebro aquecido. É uma coisa muito espontânea e o estado de espírito influencia.
Mas é necessário ter uma bagagem. Por exemplo, o cara que vai na favela sabe
fazer muito melhor o morador do local do que quem nunca foi lá”, afirma.
Não há como falar com este
artista de humor sem falar de política, em especial pelo momento atual de fim
de eleição. “A política dá muita comédia”, ressalta. O artista lembrou o seu
personagem Marco Graco que surgiu nas eleições de 2010 e voltou a ser viral
agora em 2014. “Quando brincamos com a política é sempre relevante. O humor é
político e nem todo mundo percebe isso”, afirma. “As pessoas precisam ver o
humor como uma arma poderosa que ele é”, conclui.