Entre tradição, espontaneidade e recordes de público, a história que explica por que a cidade virou referência nacional no carnaval de rua
Carnaval de BH é considerado um dos mais seguros do Brasil
Muito antes de se firmar como um dos maiores carnavais do Brasil, a festa em Belo Horizonte já indicava que o batuque sempre falou mais alto do que o estereótipo do “mineiro quieto”. A história da folia na capital tem improviso, ocupação das ruas, disputas, personagens inusitados e números que impressionam. Confira algumas curiosidades que ajudam a entender por que o Carnaval de BH é único.
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A primeira manifestação carnavalesca em Belo Horizonte aconteceu em janeiro de 1897, meses antes da inauguração oficial da então Cidade de Minas. Operários que trabalhavam na construção da nova capital organizaram um desfile de carros e carroças entre a Praça da Liberdade e a avenida Afonso Pena, com confete, serpentina e muita improvisação.
Criado em 1947, o Leão da Lagoinha foi o primeiro bloco de rua da cidade e segue ativo até hoje. O grupo nasceu na região da Lagoinha, que concentrou o principal movimento carnavalesco da primeira metade do século passado.
Considerada o evento mais emblemático do pré-carnaval de BH, a Banda Mole estreou em 1975, após uma divisão interna do próprio Leão da Lagoinha. Desde então, ocupa a avenida Afonso Pena com trios elétricos e milhares de foliões, marcada pela criatividade e pela diversidade.
No início do século XX, o carnaval belo-horizontino também teve corso — desfiles de carros decorados organizados por famílias — e batalhas de confete. Os bailes populares aconteciam tanto nas ruas quanto em clubes tradicionais. Até mesmo alguns cinemas abriam espaço para a folia.
A Pedreira Unida, criada em 1938 por moradores da Pedreira Prado Lopes, foi a primeira escola de samba da cidade. As comunidades populares tiveram papel importante na construção do carnaval local.
Ao longo das décadas, os desfiles passaram por diferentes endereços, como a avenida Afonso Pena, a avenida do Contorno e a Via 240, na região Norte. Houve também períodos sem competição formal. Em alguns anos, arquibancadas e camarotes foram montados; em outros, a festa voltou a ser mais espontânea.
Em 1980, o Carnaval de Belo Horizonte foi oficialmente instituído por meio de decreto municipal. No mesmo período, o tradicional pirulito, um dos símbolos urbanos ligados à festa, voltou à Praça Sete.
Durante o carnaval, quem “governa” simbolicamente Belo Horizonte é a Corte Momesca, formada por rei, rainha e princesa eleitos em concurso. Eles recebem do prefeito a chave da cidade e representam o espírito da folia ao longo da programação.
Em 2015, mais de 1 milhão de pessoas ocuparam as ruas da capital. Em 2017, o número saltou para 3 milhões. Já em 2018, foram 3,8 milhões de foliões.
O crescimento do Carnaval de Belo Horizonte tem chamado atenção pelo número de foliões e pela estrutura da festa. Em 2019, por exemplo, cerca de 4,3 milhões de pessoas participaram da folia ao longo de 23 dias, com mais de 400 blocos responsáveis por 447 cortejos em diferentes regiões da capital. Além disso, oito palcos oficiais receberam cerca de 65 atrações musicais, enquanto os desfiles de escolas de samba e blocos caricatos mantiveram viva a tradição da avenida.