Conheça a importância histórica e cultural da ferrovia que conecta Minas Gerais ao mar, moldando cidades e transportando mais do que passageiros
A Estrada de Ferro Vitória a Minas, uma das poucas rotas de passageiros de longa distância no país, segue conectando comunidades e paisagens.
Uma viagem que conecta as montanhas de Minas Gerais ao litoral do Espírito Santo sobre trilhos. Essa é a proposta do Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), uma das duas únicas linhas ferroviárias de longa distância no Brasil, junto com a Estrada de Ferro Carajás, que ainda transporta passageiros diariamente. O percurso de 664 quilômetros, que parte de Belo Horizonte e chega a Cariacica, na Grande Vitória, é mais do que um simples deslocamento: é uma imersão na história e na cultura de uma região moldada pela ferrovia.
A história dos trilhos começou no início do século 20 com o objetivo de escoar a produção de café e outras mercadorias do Vale do Rio Doce até o porto. O transporte de minério de ferro só se tornaria sua principal vocação econômica décadas depois, a partir de 1943. Inaugurada em 1904 com seu primeiro trecho, ligando Vitória a municípios capixabas próximos, a EFVM foi fundamental para o desenvolvimento da região, e sua conexão completa até Belo Horizonte só foi concluída décadas mais tarde. O que era uma rota comercial transformou-se em um elo vital para dezenas de comunidades, operada até hoje pela Vale.
Muitas cidades ao longo do trajeto nasceram e cresceram ao redor das estações de trem. Para diversas localidades, os trilhos eram a principal, e às vezes única, via de acesso ao resto do país. O trem trazia mercadorias, notícias, progresso e, claro, pessoas. Essa conexão profunda entre a ferrovia e a vida local deixou marcas na arquitetura, na economia e nos costumes da população.
Atualmente, a viagem completa dura cerca de 13,5 horas e se consolidou como uma experiência turística única, transportando cerca de 740 mil passageiros em 2023. A composição atravessa paisagens que se transformam a cada quilômetro, revelando a beleza da Mata Atlântica e as curvas do Rio Doce. Para os passageiros, é uma oportunidade de desacelerar e apreciar a jornada, algo cada vez mais raro nos dias de hoje.
O trajeto é pontuado por cerca de 30 paradas, algumas em grandes centros urbanos e outras em pequenos vilarejos cheios de charme. Conhecer essas cidades é uma forma de mergulhar ainda mais fundo na cultura regional. Entre as paradas mais notáveis, destacam-se: