Rosaly Senra revisita a história do Santa Efigênia no 41º volume da coleção ‘BH. A cidade de cada um’; lançamento acontece neste sábado (8)
No coração da região Leste, o Santa Efigênia é símbolo de efervescência cultural e resistência social
A coleção “BH. A cidade de cada um” acaba de ganhar um novo volume: “Santa Efigênia” será lançado neste sábado (8) pela autora Rosaly Senra. O livro revisita a formação de um dos bairros mais famosos da região Leste da capital mineira, onde a escritora viveu parte de sua juventude e por onde passaram nomes como Agnaldo Timóteo e Affonso Romano de Sant’Anna. O evento acontecerá das 10h às 14h, na loja Made in Beagá, no Santa Efigênia.
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Recém-chegada de Congonhas, Rosaly era uma garota quando começou sua história com o bairro, no final da década de 1970. Ela se dividia entre as casas dos tios e das tias para estudar em Belo Horizonte.
Ficaram na memória da autora e de outros moradores, anônimos e famosos, as residências de muros baixos, os quintais floridos e as conversas na calçada. A partir das lembranças e de registros históricos, Rosaly pôde recriar a trajetória do local conhecido como reduto de militares, músicos e escritores.
O bairro foi fundado no fim do século XIX para receber os militares que vieram morar e trabalhar na nova capital. Ao longo das 160 páginas do livro, ganham destaque o Quartel do Primeiro Batalhão, a Igreja de Santa Efigênia e a Praça Floriano Peixoto, além de espaços de arte e educação, a exemplo do Grupo Escolar Pedro II e do Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango. Para Rosaly, o Santa Efigênia sempre se sobressaiu pela efervescência cultural e pela resistência social.
Seu Amadeu, dono do primeiro sebo da capital; Sebastião Viana, maestro colaborador de Heitor Villa-Lobos e pai do compositor Marcus Viana; e Célio Balona, músico que, ao lado de Milton Nascimento, Wagner Tiso e Nivaldo Ornelas, lançou as sementes do que viria a ser o Clube da Esquina, também compõem o álbum de retratos do bairro.
O Santa Efigênia pulsa ainda nos “causos” de pessoas comuns, como os amigos da Turma do Siliba, que por mais de seis décadas se reuniram para celebrar a vida no bar do Hélio Berberick, e o lendário Conde Belamorte, barbeiro, músico e poeta conhecido por seus hábitos excêntricos e sua figura enigmática.
Essas e outras memórias integram a coleção publicada pela Conceito Editorial desde 2004. A iniciativa reúne textos de escritores de várias gerações — de Fernando Brant a Heloísa Murgel Starling, passando por Ana Elisa Ribeiro, Adriane Garcia e Ricardo Aleixo — sobre os bairros, lugares e personagens que formam o mosaico humano de Belo Horizonte.
Lançamento do livro ‘Santa Efigênia‘