Cultura

BH ganha exposições sobre moda e fotojornalismo com acervos que contam histórias de Minas

BH recebe exposições sobre Markito e Mana Coelho em setembro, com moda, fotografia e acervos históricos; programação é gratuita


Créditos da imagem: Reprodução
Exposição no Museu da Moda de Belo Horizonte reúne peças, fotografias e documentos da trajetória do estilista mineiro Markito Exposição no Museu da Moda de Belo Horizonte reúne peças, fotografias e documentos da trajetória do estilista mineiro Markito

Maria Clara Landim

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11/09/26 às 11:18
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Belo Horizonte recebe, a partir do fim de setembro, duas exposições que resgatam personagens importantes da moda e da fotografia em Minas Gerais. As mostras serão realizadas no Museu da Moda de Belo Horizonte (Mumo) e no Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), com entrada gratuita.

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No Mumo, a exposição “Markito: Cintilações da Noite” será aberta em 25 de setembro e marca também os 10 anos de criação do museu. A mostra recupera a trajetória do estilista mineiro Markito, que ganhou destaque no Brasil e no exterior entre as décadas de 1970 e 1980.

Já no MHAB, o público poderá conhecer “Mana Coelho: Fotopioneira”, que estreia em 26 de setembro. A exposição apresenta parte da trajetória da fotógrafa responsável por registrar transformações políticas, sociais, urbanas e culturais de Belo Horizonte e de Minas Gerais.

As duas iniciativas fazem parte da programação da 20ª Primavera dos Museus, promovida nacionalmente pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Além disso, integram o projeto “Museus Centro – O Percurso da Memória de Belo Horizonte”, realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte em parceria com o Viaduto das Artes.

Markito levou o glamour da noite para a moda

Nascido em Uberaba, em 1952, Marcos Vinícius Resende Gonçalves, conhecido como Markito, construiu sua carreira em meio às transformações culturais que marcaram o fim dos anos 1970 e o início dos anos 1980.

Paetês, franjas, bordados, fendas, decotes e tecidos fluidos estavam entre as características de suas criações. Na época, a noite se tornou um espaço de experimentação e liberdade, e o estilista aproximou a moda de outros segmentos, como música, cinema e artes cênicas.

Antes de alcançar projeção nacional e internacional, Markito produziu camisetas artesanalmente, trabalhou como freelancer e figurinista e passou uma temporada em Nova York. Depois, voltou ao Brasil, abriu o próprio ateliê e passou a atuar com prêt-à-porter feminino e moda festa.

O acervo apresentado pelo Mumo reúne roupas, fotografias, documentos, objetos e registros publicados pela imprensa. Entre os destaques estão imagens de Antônio Guerreiro com artistas como Betty Faria, Christiane Torloni e Gal Costa.

A exposição também apresenta um vestido de franjas inspirado em “O Grande Gatsby”, peças da coleção “The Party Must Go On”, de 1980, e dois figurinos criados para Ney Matogrosso em 1982.

Além da produção mais conhecida, a mostra recupera aspectos menos explorados da carreira do estilista. Markito valorizava o trabalho das bordadeiras de Uberaba e chegou a manter um ateliê com cerca de 150 funcionários, responsável pela produção de aproximadamente 300 vestidos por mês.

Outro destaque é a Markito Lipstick, marca criada em 1975 voltada para a moda jovem. A proposta apresentava formas de vestir menos limitadas pelas distinções tradicionais de gênero.

Exposição mostra o trabalho de Mana Coelho

No MHAB, a fotografia ganha espaço com a exposição dedicada a Mana Coelho. A fotógrafa nasceu em Recife, em 1957, mas se mudou ainda criança para Belo Horizonte.

Na adolescência, começou a se aproximar da fotografia. Aos 19 anos, enquanto ingressava no curso de Ciências Sociais da UFMG, passou a integrar o Jornal dos Bairros, publicação voltada principalmente às classes trabalhadoras de Belo Horizonte e Contagem.

Mais tarde, Mana Coelho trabalhou como fotógrafa independente para veículos como a revista IstoÉ e o Jornal do Brasil. Posteriormente, foi contratada pelo jornal O Globo.

A mostra destaca não apenas os acontecimentos registrados por suas câmeras, mas também a atuação de uma mulher em um mercado de fotojornalismo predominantemente masculino durante as décadas de 1970 e 1980.

O público também poderá conhecer aspectos do processo analógico de produção das imagens. A exposição aborda etapas como preparação dos equipamentos, revelação dos negativos, produção das provas de contato, seleção das fotografias e envio das imagens às redações.

Acervo reúne quase 19 mil itens

A coleção de Mana Coelho foi adquirida pelo Museu Histórico Abílio Barreto em 2005. O conjunto reúne 18.690 itens, entre negativos, fotografias e provas de contato produzidos entre 1976 e 1986.

O material está organizado em temas como política, manifestações, trabalhadores, condições urbanas, arte e cotidiano. Dessa forma, o acervo também funciona como registro das transformações vividas por Belo Horizonte e pela sociedade brasileira naquele período.

A abertura da exposição, em 26 de setembro, terá uma roda de conversa com os curadores Mana Coelho, Álvaro Sales e Ana Paula Portugal, das 14h30 às 16h30.

Programação tem oficinas e seminário

Além das exposições, o Mumo terá uma programação especial nos dias 25 e 26 de setembro.

No dia 25, a agenda começa às 10h, com a abertura para visitação. Às 14h, a oficina “Do Vestido à Coleção” propõe experiências com elementos como silhueta, proporção, contraste, volume e detalhes a partir de uma criação de Markito.

Às 15h, haverá uma visita mediada pela exposição. Já às 19h, o seminário “Moda para todas as pessoas: museus, corpos e memória” discutirá temas como memória, apagamentos, ofícios, saberes, corpos, acessibilidade e inclusão.

No dia seguinte, às 10h, a oficina “Desatando a Gravata” propõe novas possibilidades para a peça tradicionalmente associada ao vestuário masculino formal. Às 14h, será realizada uma oficina de bordado em meia-calça com os designers de moda e bordadores Ana Andrade e Guilherme Avelino.

A programação do dia termina às 16h, com outra visita mediada.

Por fim, no dia 29 de setembro, às 18h, o Mumo promove a oficina “Memórias e Registros: Álbuns Fotográficos Artesanais”. A atividade propõe a criação de álbuns físicos a partir de fotografias, textos e colagens.

Serviço

Markito: Cintilações da Noite
Local: Museu da Moda de Belo Horizonte (Mumo) — Rua da Bahia, 1.149
Visitação: quarta a domingo, das 10h às 18h
Entrada: gratuita

25 de setembro

10h — abertura para visitação
14h — oficina “Do Vestido à Coleção”
15h — visita mediada
19h — seminário “Moda para todas as pessoas: museus, corpos e memória”

26 de setembro

10h — oficina “Desatando a Gravata”
14h — oficina de Bordado em Meia-Calça
16h — visita mediada

29 de setembro

18h — oficina “Memórias e Registros: Álbuns Fotográficos Artesanais”

Mana Coelho: Fotopioneira
Local: Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) — Avenida Prudente de Morais, 202, Cidade Jardim
Visitação: quarta a domingo, das 10h às 18h
Entrada: gratuita
Classificação: livre

26 de setembro

14h30 — abertura da exposição
14h30 às 16h30 — roda de conversa com Mana Coelho, Álvaro Sales e Ana Paula Portugal