Balé Teatro Guaíra e Cia de Dança do Palácio das Artes fazem apresentação única no Sesc Palladium
Por Camila de Ávila jornalista Sou BH
O
Balé Teatro Guaíra, BTG, de Curitiba vem à capital mineira, nos dias 23 e 24 de
outubro, fazer uma visita para a Cia de Dança do Palácio das Artes. E como toda
visita educada, o Balé Guaíra traz de presente, a coreografia “A Sagração da
Primavera” de Vaslav Nijinsky com música de Igor Stravinsky e uma performance. Como
agradecimento a Cia do Palácio das Artes apresenta a coreografia “Entre o Céu e
as Serras” de 2000. A visita se chama BTG & Cias.
Segundo
a diretora da Cia de Dança Palácio das Artes, Cristina Machado, esta visita é
um projeto que já acontece há alguns anos. “O projeto BTG e Cias é filho de um
movimento que as companhias de dança públicas fazem convidando pessoas da
gestão pública para discutir questões da dança tanto para sua gestão como para
seu formato e fomento”, explica.
O
primeiro desses encontros entre as cias públicas de dança aconteceu em
Salvador. Belo Horizonte promoveu as reuniões em 2008 e, na ocasião, a Fundação
Clóvis Salgado, como gestora do grupo, recebeu importantes dirigentes,
gestores, curadores e críticos de dança. O projeto do BTG & Cias, além de
promover as reuniões e encontros, em Curitiba, no mês de novembro, apresenta
também essa excursão na qual a trupe visita as cidades que enviarão seus grupos
de dança.
A
presença do Guaíra em BH promove uma performance muito singela, de acordo com
Cristina. “Na quinta-feira, dia 23 de outubro, no foyer do Palácio das Artes,
vamos compartilhar com o público uma ação muito delicada. Cerca de seis
bailarinos do BTG vão oferecer uma dança para quem estiver no local”, conta. A
Cia de Dança do Palácio das Artes fará uma performance inspirada em uma das danças
de seu repertório, “Coreografia de Cordel”. “Na parte que cabe a Cia do Palácio
das Artes, vamos inserir o público na dança com abraços”, diz.
No
dia seguinte, 24 de outubro, no Sesc Palladium o BGT apresentará a clássica coreografia
de Vaslav Nijinsky sob a música de Igor Stravinsky. Essa peça foi produzida
pela primeira vez em 1913 e teve grande polêmica, pois a música era
extremamente moderna para a época e a coreografia continha passos de dança
muito diferentes. Além disso, em sua estreia, Nijisnky, tomado pela paixão pela
dança e prazer que esta lhe proporcionava, não se controlou e se masturbou no
palco num êxtase. “A apresentação da Sagração da Primavera pela BTG é
lindíssima, uma produção muito bem feita com direito a chuva no palco”,
ressalta.
No
mesmo dia, será apresentada a peça “Entre o Céu e as Serras”, da Cia de Dança
do Palácio das Artes. “A direção do teatro pediu no início deste ano que
remontássemos uma coreografia, para mim foi mais coerente lembrar esta peça,
pois trabalhei nela na época de sua produção”, conta. Cristina também ressalta
que “Entre o Céu e as Serras” foi a primeira coreografia na qual os bailarinos
trabalharam na montagem efetivamente. ”Este balé foi o primeiro espetáculo em
que os bailarinos da companhia trabalharam como pesquisadores e colaboradores
na criação dos movimentos”, explica.
Cristina
diz que as apresentações serão no Sesc Palladium e não no Palácio das Artes
apenas por uma questão de agenda. “Não será no Palácio das Artes por causa da
data da turnê do BGT. Neste dia, que a companhia vem aqui não temos agenda com
o teatro. Porém, temos uma parceria bem bacana com o Palladium e eles cederam o
teatro pra gente”, conta.
O Clássico
A
Cia de Dança do Palácio das Artes, segundo Cristina, não produzirá mais balés
de repertório. “Não comportamos 40 bailarinos para produção de balés de
repertórios”, explica. O grupo do Palácio das Artes é mais voltado para a dança
moderna. “Manter um repertório de dança clássica é muito pesado, ainda mais
para uma companhia pública como é o nosso caso. A nossa estrutura não é essa e
é importante para a companhia este trabalho de pesquisa e exploração de novos
movimentos, e isso é possível com a dança moderna”, explica.
Para
Cristina, a dança clássica no Brasil é mais difícil mesmo. “Aqui no Brasil são
poucas as companhias que produzem este tipo de balé. O Guaíra ainda faz essas
montagens, temos a São Paulo Cia de Dança e o Cisne Negro, sem contra a Cia do
Teatro Municipal do Rio de Janeiro que já nasceu com este objetivo”, conta. Mas
a dança clássica é a base de todas. “Até os bailarinos do Corpo, para executar
aquela dança do Rodrigo Pederneiras precisam da técnica da dança clássica, mas,
o que sobressai é a originalidade da dança brasileira”, ressalta.
“A
Sagração da Primavera” e “Entre o Céu e as Serras” serão apresentados no Sesc Palladium, no dia 24 de outubro, às 20h.