Cultura

Com 30 endereços, Viradão Gastronômico valoriza sabores e histórias do Centro de BH

Circuito gastronômico terá opções de até R$ 30 e oito endereços estreiam na programação; Sou BH participou de tour especial por alguns dos estabelecimentos selecionados


Créditos da imagem: Júlia Rhaine | SouBH
Bolinho de costela com maionese é uma das opções que podem ser encontradas no Pop Kid durante o Viradão Gastronômico Bolinho de costela com maionese é uma das opções que podem ser encontradas no Pop Kid durante o Viradão Gastronômico

Júlia Rhaine Diniz Silva

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24/08/26 às 11:23
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Em 2026, durante as 24 horas da Virada Cultural de Belo Horizonte, o público poderá conhecer a cidade por meio da gastronomia. O Viradão Gastronômico reúne, nesta edição, 30 estabelecimentos do hipercentro, com pratos e opções de até R$ 30. Entre os participantes, oito endereços integram o circuito pela primeira vez.


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À frente da seleção estão os jornalistas gastronômicos Lorena Martins e Nenel Neto, que unem diferentes olhares sobre a gastronomia do Centro de Belo Horizonte. A proposta é transformar o percurso pelos bares, restaurantes, padarias, lanchonetes e outros estabelecimentos em mais uma forma de vivenciar a cidade durante a Virada.

O Sou BH foi convidado a participar de um tour especial por alguns dos estabelecimentos que integram o circuito, em uma experiência que permitiu conhecer de perto os espaços, os pratos escolhidos e as histórias que fazem parte da seleção. Mais do que montar uma lista de lugares para comer, os curadores buscaram estabelecimentos que tenham relação com a história e com o cotidiano da capital. O trabalho envolve caminhar pelo Centro, observar o movimento, conversar com comerciantes e frequentadores e conhecer de perto os espaços que ajudam a construir a identidade gastronômica da região.

“Quando a gente fala do Viradão Gastronômico, nada mais é do que colocar a comida no mesmo patamar de outras manifestações culturais e artísticas, como a Virada Cultural”, explica Lorena. Segundo ela, a curadoria parte de um recorte geográfico definido pelo mapa de atrações do evento e procura entender quais são os agentes que fazem do Centro um território gastronômico.

“Para fazer essa curadoria, a gente caminha pelo Centro várias vezes, vê uma portinha, entra, come, pergunta, entende, observa, conversa, e é assim que a gente faz uma curadoria”, completa a curadora.

Sabores que contam a história de BH

A seleção valoriza comidas presentes na memória afetiva dos belo-horizontinos e mineiros, além de pratos que ganharam características próprias na cidade. Entre eles estão o feijão tropeiro, pão com linguiça, almôndega recheada, macarrão na chapa e mexido.

Cada endereço escolhido carrega uma história, seja pela tradição, pela relação com os moradores do Centro ou pela maneira particular de preparar e apresentar a comida. A intenção é apresentar ao público não apenas pratos, mas também histórias e endereços que fazem parte da dinâmica do Centro.

“Além de destacar a gastronomia de Minas Gerais, a ideia é valorizar os hábitos, sabores e pequenos clássicos do dia a dia que ajudam a contar a história gastronômica de Belo Horizonte”, afirma Lorena.

A escolha dos estabelecimentos também considera o próprio trajeto da Virada Cultural. A ideia é que o público possa sair de uma atração artística e, no caminho, descobrir um restaurante, uma padaria, um boteco ou uma lanchonete participante do circuito.

Duas trajetórias em uma mesma curadoria

Esta edição também marca a união das experiências de Lorena e Nenel na seleção. Nenel Neto, que participou das primeiras edições do Viradão, tem uma trajetória ligada à chamada “baixa gastronomia” e ao resgate da importância dos bares e botecos e das histórias por trás de seus pratos.

Lorena, que está à frente da curadoria há cinco anos, como moradora do centro, agrega seu olhar sobre o protagonismo feminino da região e acrescenta à seleção o olhar sobre outras vertentes da gastronomia local, como restaurantes e cafeterias.

A parceria reúne diferentes experiências de quem acompanha a gastronomia de Belo Horizonte de perto e ajuda a ampliar o circuito. Dos 30 participantes, oito aparecem pela primeira vez no Viradão, renovando a seleção sem deixar de lado estabelecimentos que já fazem parte da relação afetiva dos frequentadores do Centro.

Curadoria também é sentar, conversar e voltar

Se a proposta é conhecer a gastronomia de perto, o trabalho dos curadores também envolve tempo para experimentar os lugares. E, segundo Lorena, esse acabou sendo um dos maiores desafios da edição. “O nosso maior desafio da curadoria juntos é porque a gente para para beber no lugar e não sai mais de lá. Porque a gente é isso. O problema é gostar muito”, brinca.

A relação com os estabelecimentos não termina na primeira visita. Muitas vezes, é preciso voltar para conferir informações, experimentar novamente um prato ou simplesmente continuar a conversa iniciada anteriormente.

“É um trabalho que a gente gosta, que é prazeroso. Aí a gente tem que voltar. A gente fica muito tempo, fala: ‘Não deu para ir ontem’. Aí a gente desce de novo para o Centro e começa tudo de novo”, relata Neneu.

Para Lorena, essa dinâmica é justamente o que diferencia uma curadoria de uma simples lista de indicações. “Curadoria não é uma lista de lugares, não é uma lista de indicações. É uma lista do que a gente vive, do que a gente acredita e das histórias que estão por trás”, afirma.

Circuito pretende ir além da Virada

A expectativa é que a experiência não fique restrita às 24 horas do evento. Ao apresentar os estabelecimentos ao público, o Viradão também pretende estimular a circulação pelo Centro durante o restante do ano.

“Todos os endereços que integram o circuito continuam à disposição para serem conhecidos e frequentados ao longo do ano. A proposta é valorizar iniciativas locais, fortalecer o comércio do Centro e incentivar que essas histórias continuem sendo revisitadas depois da festa”, afirma Nenel Neto.

Em 2025, cerca de 25 estabelecimentos participaram do Viradão Gastronômico. Neste ano, o circuito chega a 30 endereços e mantém a proposta de aproximar gastronomia, cultura e ocupação urbana. A iniciativa já recebeu reconhecimento internacional e foi indicada pela Condé Nast Traveler como uma das experiências para quem deseja conhecer a gastronomia de Belo Horizonte.

A lista completa dos participantes, endereços e pratos pode ser consultada no aplicativo oficial da Virada Cultural e no site do evento.

Confira os 30 estabelecimentos do Viradão Gastronômico 2026

  • Bar Banzai – Rua Padre Belchior, 550 Pão com linguiça: R$ 13
  • Bar Del Ruim — Avenida Augusto de Lima, 635 — Almôndega recheada de jiló: R$ 16
  • Guariba’s Lanches — Rua Guaicurus, 695 — Porção de filé de peito de frango na chapa: R$ 10
  • Restaurante Mineirinho — Rua Espírito Santo, 310 — Mexidão: R$ 27
  • Mr. Joseph Gastrobar — Avenida Bias Fortes, 1122 — Caldo de costela com mandioca: R$ 15
  • Renato Burguer — Avenida Olegário Maciel, 854 — BRB Burguer: R$ 28,90
  • Cafeteria Bendito Grão — Avenida dos Andradas, 367 — Pão de queijo com pernil e queijo maçaricado + café coado: R$ 25
  • Tim Bilhares — Rua dos Carijós, 109 — Coxinha de frango com requeijão: R$ 12
  • Nonô – O Rei do Caldo de Mocotó — Avenida Amazonas, 840 — Bacon frito com limão: R$ 20
  • Tropeiro do Beri — Feira Hippie — Feijão tropeiro com torresmo, couve, ovo e pernil: R$ 30
  • Território Kitutu de Aquilombamento — Rua Araão Reis, 496 — Xinxim de frango: R$ 30
  • O Boêmio — Avenida dos Andradas, 367 — Suã ao molho de tomate com pão de sal: R$ 26
  • UAI Lanches — Rua dos Tupis, 5 — Macarrão na chapa: R$ 21
  • Pop Kid — Rua Rio de Janeiro, 661 — Croquete de porquim ao molho de limão: R$ 30
  • Cachorro-quente do Valdir — Feira Hippie — Cachorro-quente com parmesão e bacon: R$ 15
  • Duplex — Galeria São Vicente — Enrolado de salsicha com catupiry + pingado: R$ 27
  • Acarajé da Dodô — Feira Hippie — Acarajé com camarão: R$ 27
  • Parque 752 — Rua da Bahia, 752 — Parmegiana de frango com purê e salada: R$ 28,90
  • Tonel da Pinga — Rua Sergipe, 129 — Frango frito: R$ 10
  • Doces da Alice — Feira Hippie — Bala delícia recheada de pequi: R$ 15
  • Tom Cozinha — Galeria São Vicente — Peperini com abobrinha, cebola caramelizada e limão-siciliano: R$ 30
  • Bar da Rose — Rua dos Tamoios, 19 — Prexeca ou versão vegana de grão-de-bico: R$ 8
  • O Absurdista — Edifício Central — Sanduíche de frango desfiado: R$ 18
  • Flor de Jambu — Edifício Central — Bolinho de piracuí e mandioca ou jambu: R$ 30
  • Feijão Maletta — Edifício Arcângelo Maletta — Batata frita com tempero da casa: R$ 30
  • 2Black Beer — Avenida Assis Chateaubriand, 1002 — Massa + cerveja: R$ 30
  • Tropical Gastrobar — Edifício Arcângelo Maletta — Panceta crocante: R$ 30
  • Xok Xok — Edifício Arcângelo Maletta — Pé de porco da estufa: R$ 18
  • Vagão 230 — Edifício Central — Fatia de pizza de carne de panela na cerveja preta: R$ 12
  • Padaria Diplomata — Avenida Augusto de Lima, 150 — Pastel assado de frango com queijo minas: R$ 8,49.