Ney Matogrosso e Marisa Monte foram os mais esperados dos shows
Por Camila de Ávila jornalista Sou BH
No dia ensolarado
de 14 de setembro, Belo Horizonte se tornou palco do Festival Natura Musical. As
praças da Estação, da Liberdade e JK receberam mais de 15 atrações que
entreteram 50 mil pessoas, numa verdadeira ode a música brasileira, um dos mais
importantes patrimônios do país. O Sou BH esteve na Praça da Estação e conta
como foram os shows.
Antes de a baiana
Marcela Bellas subir ao palco a psicóloga Flávia Camargos e o editor de textos
Felipe Magalhães Francisco falaram sobre a importância desses festivais na
cidade. “BH é conhecida como a capital nacional da modernidade e esses festivais
culturais vem afirmar isso”, diz o editor. O único problema ressaltado pelo
casal é o fato de a festa não ser aberta. “Na terça-feira (9), ás 8h da manhã
já tinha uma fila gigantesca para pegar os ingressos. Peguei pela internet”,
contou. Flávia disse que veio para ver Marisa Monte. “Ela faz pouco show, e
assim de graça, é muito raro. Tinha que vir”, diz. A distribuição de ingressos
para os shows da praça JK e da Estação é uma exigência da Prefeitura e da Fundação de Parque para
controle quantitativo de público. O objetivo dessa exigência é preservar a
qualidade do evento como segurança, sanitário e alimentação, entre outros.
Quando o coletivo
de compositores da capital paulista, 5 a Seco, subiu no palco gritos histéricos
tomaram conta da Praça da Estação. Um dos integrantes do grupo agradeceu a
receptividade do público e disse que “o dia 14 de setembro de 2014 marcará a
vida de cada um de nós. Belo Horizonte é demais”, afirmou. O anúncio da vinda da banda para o festival
teve repercussão muito positiva e o meninos apresentaram o repertório do disco “Policromo”, em fase de lançamento. A estudante do curso de Letras da UFMG, Lívia
Elisa, conversou com Sou BH somente
depois que a música “Pra você dar o nome” terminou de ser executada. “Sou muito
fã do 5 a Seco”, contou. Livia disse que estes festivais culturais da cidade
viram assunto de sala de aula. “Encontramos o pessoal da sala aqui, os
professores, e sempre debatemos depois na sala essa efervescência cultural que
está acontecendo em BH”, conta. Os meninos da banda desceram do palco para atender ao
público.
Fernanda Takai
subiu ao palco mostrando o repertório de seu mais recente trabalho no qual
apresenta músicas o universo brega e religiosas, “Na medida do impossível”. A cantora chamou ao palco o seu convidado, Samuel Rosa, que
cantou com ela a versão de John Ulhoa para “Heal the pain”, “Para curar essa dor”, do cantor
britânico George Michael.
Aguardando o show de
Elba Ramalho e Ney Matogrosso estava a bibliotecária Adriana Coutinho, que
chegou na Praça da Estação às 14h.
Adriana diz que esses festivais são muito importantes na cidade.
“Extremamente válidos esses eventos que estão acontecendo em BH”,
conta. Ela diz que nestes festivais tem a oportunidade de conhecer músicos
novos. “Esse festival da Natura mostra pra gente músicos e músicas novas.
Percebemos que tem mais coisas do que as canções que tocam nas rádios”,
ressalta. A ocupção do espaço público também foi abordada pela bibliotecária.
“Festival assim faz com que muitas tribos se encontrem e talvez, você
comece a conversar com pessoas que nunca conversaria”, explica.
A Praça da Estação
ferveu quando a cantora Elba Ramalho subiu ao palco. Elba fez homenagem a
Luiz Gonzaga (1912-1989) cantando “A vida do viajante”. Depois chamou
a paulista Mariana Aydar para fazer homenagem a Dominguinhos (1941-2013)
cantando “Gostoso demais”. O show foi encerrado com o clássico da
cantora paraibana, “Frevo mulher”.
Quando Ney
Matogrosso subiu ao palco para apresentar seu último trabalho, “Atento aos
sinais” já era noite. O artista começou com a música de Lenine que exalta o
direito a vida “Rua da Passagem”. O cantor fez um show completo, com troca de
roupa, danças e muito suingue. Cantou, de Cazuza, “Poema”, e terminou o show com
o samba de Martinho da Vila “Ex-Amor”. O artista brincou com público dizendo:
“Só eu danço, vocês estão parados, assim eu canso, uai”, brincou.
Arnaldo Antunes
subiu ao palco de pijamas para cantar o repertório do álbum “Disco”. O cantor
também interpretou canções antigas como “A casa é sua” e “Socorro”, que
terminou com toda a Praça da estação cantando à capela . BNegão entrou no palco
e junto a Arnaldo regeu uma orquestra de palmas. Enfim, Marisa Monte apareceu ao som dos gritos de toda a plateia. A diva cantou canções de sua
carreira e dos Tribalistas. Terminou com Arnaldo cantando “Já sei namorar”.
A ocupação do espaço público
Belo Horizonte está
passando por um momento muito especial, as praças públicas estão sendo ocupadas por cultura. O cantor e
compositor mineiro Vander Lee afirmou que isso é muito bom. “Tem rolado essa
discussão da ocupação da praça pública de uns cinco anos para cá. Precisamos de
soluções imediatas para isso. As pessoas se reúnem nas praças, meus filhos se
reúnem em praças. A praça é do povo, né?”, disse. Vander Lee ressaltou que a
ocupação das praças coloca as pessoas para conviverem. “As praças ocupadas com
cultura força a convivência dos que não tem acesso a ela com os que tem. O
Brasil é bom nessa mistura”, constata.
Samuel Rosa, da
banda Skank afirma que BH está muito bem. “Belo Horizonte está no seu melhor momento. Os mineiros são produtores e consumidores de cultura por natureza e
parece que os administradores públicos estão sensíveis a essa nossa característica ,” analisa. Samuel afirma essa novo jeito da cultura
belo-horizontina acontecer. “Há três semanas estava aqui nesta mesma praça (da Estação)
com a Orquestra do Sesiminas, há duas semanas aconteceu a Virada Cultural. Houve
uma mudança de mentalidade das pessoas da cidade. Elas estão mais preocupadas
com a cultura, com a sua cidade. O vínculo afetivo com BH está crescendo, a
cidade está sendo revitalizada”, ressalta.
O estilista Ronaldo
Fraga afirma a beleza dessas atitudes. “Acho maravilhoso a ocupação das praças.
Se você quer chegar ao coração do mineiro é pela cultura. Temos que ir para a
rua levando a cultura diversa, como está acontecendo”, afirma.