Cultura

Novembro Negro na UFMG promove debates sobre intelectualidades negras e políticas antirracistas

Nona edição do evento reúne mais de 100 atividades acadêmicas e culturais ao longo de novembro, com programação descentralizada em Belo Horizonte e outras cidades


Créditos da imagem: Divulgação UFMG
A UFMG realiza, durante novembro, a nona edição do Novembro Negro, com mais de 100 atividades acadêmicas e culturais A UFMG realiza, durante novembro, a nona edição do Novembro Negro, com mais de 100 atividades acadêmicas e culturais

Júlia Rhaine

|
04/11/26 às 11:21
compartilhe

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realiza, ao longo de novembro, a nona edição do Novembro Negro, iniciativa que promove reflexões sobre o antirracismo, a valorização das raízes afro-indígenas e o direito à diferença. Com o tema Intelectualidades negras e políticas antirracistas, o evento reúne mais de 100 atividades acadêmicas e culturais, distribuídas entre os campi da Universidade e outros espaços de Belo Horizonte e Minas Gerais.


Leia mais:


Realizado desde 2018, o Novembro Negro busca ampliar o diálogo sobre as desigualdades enfrentadas pelas populações negras e indígenas, tanto na comunidade universitária quanto na sociedade. A programação é construída coletivamente por estudantes, professores, servidores técnico-administrativos e parceiros externos, fortalecendo a participação de diferentes grupos na promoção da igualdade racial.

Entre as atividades previstas estão clubes de leitura, lançamentos de livros, exposições, exibições de documentários, sessões comentadas de cinema, performances, shows, saraus, slams, feiras, vivências, batalhas de dança e ações formativas. A agenda também contempla palestras, seminários e debates voltados ao enfrentamento do racismo e à ampliação das políticas de ações afirmativas.

Conferências marcam a programação

A abertura oficial do Novembro Negro ocorre nesta terça-feira (3), às 18h, no auditório da Reitoria, no campus Pampulha. A conferência será conduzida pelo escritor e ativista do movimento negro Hélio Santos, doutor honoris causa pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Natural de Belo Horizonte, Santos tem mais de 50 anos de atuação no combate às desigualdades sociais e ao racismo. Entre suas contribuições estão a participação na Comissão dos Notáveis do processo constituinte de 1985 e a coordenação do Grupo de Trabalho Interministerial de Valorização da População Negra, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

O escritor também é autor de 14 de maio: lições de resistência ao racismo, publicado em 2026 pela editora Zahar. A obra aborda os desafios persistentes relacionados ao legado da escravidão e propõe caminhos para a transformação social.

A atividade terá mediação de Yone Gonzaga, servidora técnico-administrativa aposentada da UFMG, mestre e doutora pela Faculdade de Educação (FaE). Suas pesquisas acadêmicas abordam a invisibilidade racial no contexto dos servidores da Universidade e a diversidade étnico-racial nas políticas afirmativas.

Outra conferência de destaque será realizada no campus regional Montes Claros, no dia 12 de novembro, às 19h. A atividade será conduzida por Rosy Mary dos Santos Isaias, diretora do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) e primeira mulher autodeclarada negra do Brasil a alcançar o nível 1 de bolsa de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O encontro ocorrerá no auditório do bloco C, com mediação do professor Daniel Santos Braga, do Instituto de Ciências Agrárias (ICA).

Programação ocupa diferentes espaços

As atividades do Novembro Negro serão realizadas em diferentes unidades e equipamentos culturais da UFMG, incluindo o Centro Esportivo Universitário (CEU), que recebe a programação Sexta Black no dia 6 de novembro, o Espaço do Conhecimento e o Conservatório UFMG, ambos na região central de Belo Horizonte.

A iniciativa também se estende a espaços externos à Universidade, como escolas estaduais e municipais, terreiros de umbanda e outros equipamentos culturais. A programação inclui ainda atividades no campus cultural UFMG em Tiradentes e no campus regional Montes Claros, onde será realizada uma oficina voltada ao público infantil no dia 13 de novembro.

A agenda será encerrada com a cerimônia do 10º Prêmio Leda Maria Martins (PLMM), marcada para 1º de dezembro, às 18h30, na Academia Mineira de Letras (AML).

O Novembro Negro é organizado pela Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), por meio da Diretoria de Políticas de Ações Afirmativas (DAF), em parceria com outras pró-reitorias e o Centro de Convivência Negra (CCN) da UFMG. A programação completa está disponível no site oficial da Universidade.

Histórico do evento

Desde sua primeira edição, em 2018, o Novembro Negro aborda diferentes dimensões da presença negra na Universidade e na sociedade. Ao longo dos anos, os temas passaram por questões como identidade racial, ancestralidade, coletividade, permanência universitária e fortalecimento das ações afirmativas.

Em 2024, a programação destacou os avanços e os desafios da luta antirracista na UFMG, incluindo as dimensões estrutural, institucional e epistemológica do racismo. Naquele ano, a Universidade também lançou o Banco de Fontes Negras, iniciativa do Centro de Comunicação (Cedecom).

Em 2025, o evento teve como tema Epistemes, estéticas e subjetividades negras, dando continuidade às discussões sobre a produção de conhecimento e a valorização das experiências negras.

A edição de 2026 amplia esse debate ao colocar em evidência o papel das intelectualidades negras na construção de políticas antirracistas e na transformação das estruturas sociais.