Educação

Projeto em BH valoriza cultura e saberes ancestrais de mulheres negras

Iniciativa vai mapear práticas e promover formação para fortalecer o empoderamento socioeconômico e a memória de coletivos da capital mineira


Créditos da imagem: Divulgação | Acervo AIC
Mulheres negras em Belo Horizonte participam de projeto de formação Participantes do projeto "Mulheres Negras, Cultura Ancestral" celebram o início da iniciativa em Belo Horizonte

Ana Clara Parreiras

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05/10/26 às 13:19 - Atualizado em 05/10/26 às 13:35
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A Agência de Iniciativas Cidadãs (AIC), em parceria com a Fundação Banco do Brasil (BB), realiza o primeiro encontro do projeto “Mulheres Negras, Cultura Ancestral: Núcleo de Formação Memória em Belo Horizonte”. A iniciativa faz parte do edital “Empoderamento Socioeconômico das Mulheres Negras” e busca fortalecer mulheres negras em Belo Horizonte por meio da valorização da memória e da cultura afro-brasileira.

O objetivo é valorizar identidades ancestrais, fortalecer coletivos culturais e promover o empoderamento socioeconômico e comunitário de mulheres negras na capital mineira. O projeto busca construir um programa de formação em saberes e práticas ligados à memória afro-brasileira.



O encontro de abertura acontece neste sábado, 28 de março, a partir das 8h, no Núcleo das Juventudes (Plug Minas). O tema será “Mulheres negras, ancestralidades e acolhimentos”, apresentado por Edneia Aparecida de Souza, do coletivo “Temperando vidas”, e Elaine Silva dos Santos, do “Nzinga Coletivo de Mulheres Negras”.

Inicialmente, 30 mulheres participam diretamente, sendo dez instrutoras que indicarão outras 20 participantes. Um seminário final deve reunir mais de 80 pessoas. “Apoiar iniciativas que fortalecem a identidade, a memória e o protagonismo das mulheres negras é uma ação que reafirma o nosso compromisso com a equidade”, declara André Machado, presidente da Fundação BB.

Etapas do projeto

De acordo com Laiene Souza, gerente de projetos na AIC, o núcleo de formação será composto por mulheres de dez grupos de territórios de periferia ou vulnerabilidade social. O programa de formação será ministrado pelas próprias lideranças, que selecionarão outras participantes de suas comunidades.

As atividades ocorrem de março a dezembro e incluem pesquisa, mapeamento e cinco encontros de formação e produção. O projeto também prevê um seminário, uma ação com crianças e adolescentes e uma aula virtual sobre escrita de projetos e formalização.

Durante a formação, as participantes realizarão o mapeamento de saberes ancestrais em seus territórios, com orientação da equipe da AIC. O processo inclui a criação de murais e mapas para organizar os elementos identificados, preservando a cultura afro-brasileira.

Os cinco encontros de formação visam promover trocas de experiências sobre temas como empreendedorismo, liderança e cultura afro-brasileira:

  • Mulheres negras, ancestralidades e acolhimentos: com Elaine Silva dos Santos e Edneia Aparecida de Souza, com foco no combate à violência doméstica.
  • Manejo de plantas alimentícias: Alimentação ancestral: com Rainha Isabel Casimira Gasparino e Makota Célia Gonçalves Souza, abordando segurança alimentar.
  • Pedagogias afro-brasileiras: com Makota Cassia Cristina Kidoiale e Maria dos Anjos Pereira dos Santos, com ação de letramento digital.
  • As múltiplas potências das mulheres negras: com Vânia do Carmo Silva e Maria Aparecida Silva dos Santos, focando no empreendedorismo ancestral.
  • Musicalidade ancestral: com Glaucia Marilia Ferreira da Silva e Elizangela Santana.

Ao final, um seminário servirá como evento de culminância para as participantes apresentarem os resultados e receberem a certificação. Uma atividade com crianças e adolescentes buscará sensibilizar o público jovem para as questões abordadas, utilizando tecnologias sociais como a “Pedagogia da ciranda”.