Na capital mineira, as tradicionais festas juninas foram destaques da agenda de julho e agosto
Não foi só o calendário escolar que a Copa do Mundo
alterou, os jogos também adiaram aquele tão esperado clima de interior trazido
pelas festas juninas. Em Belo Horizonte, o tradicional “Arraial de Belô”
começou no primeiro fim de semana após o torneio, de 17 de julho a 3 de agosto.
Uma “decisão prudente” segundo o presidente da Belotur, Mauro Werkema, já que
“todos os recursos humanos, técnicos e operacionais estavam focados na Copa do
Mundo, e não só da Belotur”.
Considerada uma das maiores festas juninas do país,
o arraial integra o calendário oficial da cidade há 36 anos e reuniu 50 mil
pessoas na Praça da Estação, na edição 2014. Maria Luíza Menezes, 60 anos,
moradora do bairro Fernão Dias, sempre gostou de festa junina e resolveu curtir
bem de pertinho o arraial deste ano. “Dessa vez, fiquei esperta, vou acompanhar
a programação. Quero ver os noivos, a coreografia, amo quadrilha e todo esse
colorido. Quero poder estar no meio do povo, sem confusão, nesse clima de
interior”, contou empolgada ao lado do marido, Mário de Menezes.
As meninas Rafaela, de 4 anos, e Maria Eduarda, de 7,
também se encantaram com os noivos e marcaram presença na Praça da Estação, ao
lado de toda família. Vestidas a caráter e com as bochechas cheias de pintinhas
olhavam atentas às apresentações. “É a nossa cultura, temos que prestigiar”,
disse a mãe Kênia da Silva Rios, 28, moradora do bairro Camargos, que fez
questão de levar a família toda para a festa: “não tem problema nenhum, é tudo
bem organizado. As comidas típicas, as danças, a decoração, não falta nada. Com
certeza, participaremos outras vezes”.
A adolescente Bruna Silva, 14, da Região Vale do
Jequitinhonha, não só ama o festejo como participa ativamente. Ela é uma das dançarinas
da quadrilha Junina Renascer, que integra o Festival Estadual de Quadrilhas. “Sou encantada pela tradição, pelas histórias por traz dessa grande
celebração. Gosto muito de fazer parte da festa, danço desde os 12 anos. Via
minha prima participar e resolvi seguir os passos dela”. Tiago Soares, 25, também
aprecia as tradições e integra a Quadrilha Perecolândia, de Itabira, além de
coordenador, ele é o admirado noivo. “Uma posição de destaque, não só por
chamar atenção, mas por serem os noivos a puxar a dança, servindo de referência
para os outros dançarinos”.
Arraiá
de Santê
Em sua primeira edição, dias 19 e 20 de julho, o
Arraiá de Santê conquistou o público de uma das regiões mais boêmias da cidade,
o tradicional bairro Santa Tereza. E, além das tradições juninas, destacou
também a solidariedade, arrecadando donativos a instituições como a APAE, Lar
dos Idosos, União dos Cegos e Igreja de Santa Tereza e Santa Teresinha.
Realizado pela Associação dos Bares e Restaurantes
de Santa Tereza (Abrest-BH), em parceria com moradores e associações do bairro,
o evento reuniu cerca de 15 mil pessoas, segundo informou o seu idealizador
Elias Brito, presidente da Abrest-BH. “Foi um sucesso, queremos que o Arraiá de
Santê vire tradição em BH, especialmente pelo ganho social, pela forma positiva
de interação entre a comunidade”, afirmou. O morador do bairro Floresta, Flávio
Zenha, 33, concorda: “estou aqui pela tranquilidade, para uma conversa leve, em
uma festa junina de bairro. Um evento assim sem preocupação com a violência, em
uma grande cidade, é raro”.
Adriane Rejane Moreira, 48, saiu do bairro Pompéia
para participar da festa, levando os filhos, a neta e o marido. “Sabia que
seria mais tranquilo, estamos aproveitando muito”, disse enquanto participava
de uma rodada de bingo e as crianças se divertiam tentando acertar a boca do
palhaço. Isabela Reis, 36, do Palmares, achou que a Copa do Mundo ofuscou as
comemorações juninas, mas, fez questão de celebrar ao lado do filho, Matheus,
de 4 anos. “Perdeu um pouco a importância frente ao destaque dado ao Mundial,
mas a realização em julho deixou o clima mais tranquilo. É uma festa para
família e o Santa Tereza valorizou bem isso”, argumentou.