Cultura

Raquel Coutinho lança Mineral

A cantora expressa relação estreita com a natureza em show com tambor e sonoridade eletrônica


Créditos da imagem: Divulgação
Raquel Coutinho lança Mineral em show com Marcos Suzano e Sérgio Pererê

Redação - SouBH

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20/01/15 às 18:24 - Atualizado em 06/02/26 às 16:51
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Por Camila de Ávila jornalista Sou BH

Raquel Coutinho é uma artista que
apresenta a beleza da originalidade, com a modernidade da tecnologia numa
linguagem única. A cantora, para quem a música é um exercício de liberdade, apresenta
no dia 25 de setembro no Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2244. Lourdes), às 21h, o repertório do seu mais novo
disco, “Mineral”. O álbum procura mostrar a fusão da cidade com a natureza com
as participações do percussionista Marcos Suzano e, no palco, a cantora terá a
companhia de Sérgio Pererê.

A relação de Raquel
com a música veio por meio da dança. A cantora que é também fonoaudióloga e
possui sólida carreira no exterior, estudou dança clássica. “Minha relação com a música veio da
dança, fiz muitos anos de dança clássica com uma pianista que tocava durante as
aulas, isso foi maravilhoso na minha formação musical, pois acho que aprendi a
me relacionar com a música através do corpo”, conta. Raquel ainda fez capoeira,
tendo contato com a percussão por meio do berimbau, atabaque e pandeiro, instrumento
que aprendeu a tocar na luta.

Foi no bar de sua mãe que a cantora teve maior
influência musical. “Tinha música ao vivo quase todo dia, ali eu convivi com
muitos artistas que frequentavam o bar. Do Clube da Esquina aos Tambores de
Minas vi ali Beto Guedes, Toninho Horta, Tavinho Moura, Tizumba, Vander Lee,
Tambolelê, Juarez Moreira, também Podé e Maurinho Nastácia, Marina Machado,
Simone Guimarães, Rosa Passos, muitos outros, enfim era muita influência boa
diariamente”, constata.

A artista apresenta a mescla dos tambores de Minas,
com timbres afro-brasileiros e a modernidade da música eletrônica. O som de
Raquel é único e está inserido na nova nomenclatura de Música Universal
Brasileira (MUB). O disco tem forte presença do tambor de Minas, que Milton
Nascimento cantou em “Os Tambores de Minas” que se tornou disco e depois DVD.
“Eu fui criada na cidade grande, com a influência forte da tecnologia, da
velocidade urbana, da presença da novidade dos timbres eletrônicos etc. Mas eu
considero que não existe nada mais poderoso que um tambor. Quando o assunto é
tambor estamos falando de ancestralidade, de cultura universal, de matriz, de
origem”, afirma.

Raquel diz que o tambor de Minas contém uma força
diferente, que além de tons mais graves toca a alma. “Os Tambores de Minas, em
especial, têm um timbre único, um grave poderoso que faz vibrar o meio do peito
e provoca uma emoção diferente. Acho que um artista da importância do Milton,
ao cantar os Tambores de Minas, o fez com muita propriedade, enalteceu e valorizou
a cultura popular de Minas, sem dúvida nenhuma”, explica.

Além do tambor o som de Raquel tem uma pegada
rítmica muito forte. Ela estudou com percussionista de peso como Bill Lucas,
Fernando Barba – Barbatuques, Lucas Ciavatta, Lênis Rinno, Nei Doxosse, Léo
Leobons, Jongui. Segundo ela, “Tizumba foi meu maior mestre, e também estudei
com um grande mestre cubano, Santiago Reither, que me ensinou a rítmica
corporal”, diz. As festas populares como a Congado, Candombe, Candomblé e Folia
de Reis formam uma escola para a artista que sempre observou essas
manifestações com olhar curioso e encantado. “Conhecer essa cultura na
intimidade foi uma grande sorte pra mim, pois as coisas ganham mais força e
mais sentido, quando são vividas em sua simplicidade. E com essas pessoas
aprendi sobre verdade e simplicidade”, relata.

Mineral

O disco trata das inconstâncias das
relações, das promessas e dos novos paradigmas. “Mineral” é um disco orgânico
que trata da ligação de Raquel com a natureza, que é uma relação muito estreita.  “Eu componho o que sinto e o que vivo. É
muito orgânico. O tema Mineral surgiu por uma ligação minha muito forte com a
natureza”, explica.  

Sete faixas são de autoria de Raquel e
versam de forma muito particular da natureza e do urbanismo em contraponto ou
em harmonia com a paisagem natural. “Logo que me mudei para o Rio de Janeiro me
senti em uma cidade de pedra, mas de diversas formas. É como se o meu quintal
passasse a ser de concreto, mas misturado ao mar. A exuberância de uma rocha no
meio da cidade, a mata densa, cachoeiras no asfalto. Uma natureza urbana
incrível e maravilhosa, mas ao mesmo tempo dura e urgente. Achei que o Mineral
estava em todos os lugares, em tudo que se constrói e se destrói nas cidades”,
conta.

O disco foi produzido pelo
percussionista Marcos Suzano e pelo guitarrista Maurício Negão. Segundo Raquel
a chegada de Suzano veio da necessidade de encontrar uma pessoa capaz de
compreender o universo dos tambores de Minas e trazê-los para uma linguagem
mais atual, na qual se somam a sonoridades eletrônicas com sutileza e sem
perder o batuque congadeiro.

A participação de Sérgio Pererê só vem
afirmar a atmosfera de encantamento e energia do tambor. “Sérgio Pererê é na verdade
uma coroação. Ele é uma entidade, uma força da natureza. Eu o considero o
artista mais completo que o Brasil tem atualmente. Sérgio é tudo isso ao mesmo
tempo: é raiz, origem, ancestralidade e é o futuro, o atual, o moderno, o raio
laser”, afirma.