Cultura

Samba, cachaça de alambique e Casa de Dona Beja são reconhecidos como patrimônio cultural de Minas

Conep aprovou o registro de duas manifestações culturais e o tombamento de imóvel histórico em Araxá nesta quinta-feira (22)


Créditos da imagem: Filipe Natanael
Pessoas vibrando a decisão Pessoas ligadas às atividades patrimonializadas celebram decisão
Raquel Molica

Raquel Molica

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22/10/26 às 18:38 - Atualizado em 23/10/26 às 10:29
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O patrimônio cultural de Minas Gerais ganhou três novos reconhecimentos nesta quinta-feira (22). O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) aprovou, em reunião no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, o registro das Expressões do Samba e dos Modos de Fazer Cachaça de Alambique como patrimônios imateriais do estado, além do tombamento da Casa de Dona Beja, localizada em Araxá, no Alto Paranaíba.


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As decisões valorizam manifestações culturais ligadas à ancestralidade afro-brasileira, conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações e a preservação da memória histórica mineira. O Conep é vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG).

A secretária de Estado adjunta de Cultura e Turismo, Josiane de Souza, que presidiu a reunião, destacou que o reconhecimento dos modos de fazer cachaça poderá beneficiar famílias que mantêm a atividade, inclusive produtores que não estão cadastrados nos registros oficiais. Sobre o samba, ressaltou a importância da valorização da cultura afro-mineira. Já o tombamento da Casa de Dona Beja busca proteger a memória da personagem e a história de Araxá.

Patrimônio cultural de Minas Gerais reconhece o samba

O registro das Expressões do Samba reconhece a presença histórica e a diversidade dessa manifestação cultural em Minas Gerais. Atualmente, o estado tem 246 grupos de samba cadastrados.

Raimundo Nonato da Silva, um dos coordenadores do coletivo de sambistas Mestre Conga, celebrou a decisão. O grupo solicitou ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) a elaboração do dossiê que fundamentou o pedido de reconhecimento.

A medida também valoriza uma expressão cultural que enfrentou preconceito e repressão ao longo da história. Para os sambistas envolvidos no processo, o registro contribui para preservar a trajetória de seus ancestrais e ampliar o reconhecimento social da manifestação.

Cachaça de alambique integra patrimônio cultural mineiro

Os Modos de Fazer Cachaça de Alambique também passaram a integrar o patrimônio imaterial de Minas Gerais. O reconhecimento valoriza técnicas e conhecimentos tradicionais empregados na produção da bebida, além de sua transmissão entre gerações.

Minas Gerais lidera a produção nacional de cachaça de alambique, com volume estimado em 13,5 milhões de litros por ano. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), o estado possui 630 alambiques registrados.

Casa de Dona Beja é tombada em Araxá

Em Araxá, o Conep aprovou o tombamento da Casa de Dona Beja, também conhecida como Pensão Tormim. Construído entre as décadas de 1820 e 1830, o imóvel apresenta características da arquitetura urbana do século XIX e está ligado à trajetória de Anna Jacintha de São José, conhecida como Dona Beja.

A personagem teve influência social, econômica e política em sua época e ficou associada a episódios importantes da história mineira, entre eles a Revolução Liberal de 1842. Sua trajetória também é marcada pelo enfrentamento de padrões morais conservadores daquele período.

Com o tombamento, a edificação passa a contar com proteção patrimonial, voltada à preservação de suas características históricas e à valorização da memória urbana de Araxá. A decisão contribui para preservar um imóvel ligado à história de uma mulher que marcou a formação social da região.